EIA 2019

“Existe o fio condutor da questão social transversal a todas as startups”

David Carvalhão recebe de braços abertos as ideias e inovação que todos os anos surgem na EIA de Cascais. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens
David Carvalhão recebe de braços abertos as ideias e inovação que todos os anos surgem na EIA de Cascais. FOTO: Orlando Almeida / Global Imagens

Mentor-chefe da Academia Europeia de Inovação avalia os projetos apresentados este ano mas também a EIA em geral

Um grau de inovação elevado, com o nível de empreendedorismo dos jovens participantes a revelar-se bastante melhor. É esta, em resumo, a avaliação que David Carvalhão, empresário, fundador de 26 startups e mentor-chefe da Academia Europeia de Inovação, em curso no Centro de Congressos do Estoril até 2 de agosto, faz dos projetos que veio encontrar na EIA 2019. Num dos mais importantes dias das três semanas do evento, o da mostra dos projetos numa Startup Expo, ocorrida na terça-feira, 23 de julho, o responsável identifica as questões sociais como tendência.

O grau de inovação dos projetos que David Carvalhão foi encontrar na EIA 2019 – não apenas aqueles de que é mentor, mas também dos que pôde observar na Startup Expo – “tem sido bastante elevado”. Mas, diz este empreendedor, tem-se sentido alguma mudança naquilo que tem sido o foco dos mesmos. “Ou seja, nos anos anteriores talvez o foco fosse maior numa componente tecnológica, de solução tecnológica das inteligências artificiais, do blockchain, do processamento de imagem, agora vemos mais uma aplicação dessas tecnologias a questões, na sua maioria, curiosamente, sociais. Existe este ano um fio condutor da questão social transversal a todas as startups”, afirmou.

A título de exemplo, o mentor da EIA refere um projeto que pretende encontrar soluções para o abastecimento de água às aldeias e vilas remotas de África. Mas bastava percorrer a “feira de startups” de terça-feira para encontrar outros equivalentes. Desde um dispositivo de auxílio aos cegos, usando GPS e imagens em tempo real traduzidas em alta-voz, até ao transporte de sangue e pulseiras de monitoriza dos sinais vitais das forças de segurança e de socorro para emitirem alertas para as centrais em caso de perigo de vida, as propostas eram muitas e diversificadas.

David Carvalhão contou também que, ao contrário do que está a acontecer este ano, na EIA 2018 notava-se que havia mais preocupações relativas ao mercado e à criação de inovações que fossem lucrativas.

As preocupações sociais eram visíveis na grande maioria dos projetos e no dia da Startup Expo todos os métodos eram bons para captar a atenção dos visitantes. FOTO: Ciano Vetromille / EIA 2019

As preocupações sociais eram visíveis na grande maioria dos projetos e no dia da Startup Expo todos os métodos eram bons para captar a atenção dos visitantes. FOTO: Ciano Vetromille / EIA 2019

Quanto ao empreendedorismo dos jovens portugueses, “tem vindo a melhorar bastante, particularmente em qualidade”. Segundo David Carvalhão, Portugal há algum tempo que tem um número significativo de empreendedores. “No entanto, a qualidade média das startups que tínhamos era relativamente fraca”, avançou. “Hoje em dia nota-se que aquilo que aparece, maioritariamente, já são projetos com uma maturidade e uma qualidade diferentes, já com uma capacidade de fazer realmente a diferença no mercado internacional”, acrescentou.

Em parte, até, por causa da própria Academia de Inovação. A EIA “trouxe uma enorme visibilidade [a Portugal] no mercado internacional do empreendedorismo early stage”, afirmou David Carvalhão. “Grande parte das pessoas que aqui estão são jovens que não são empreendedores, mas que o passam a ser depois de saírem do programa”, garantiu.

Depois, a EIA “insere-se num programa integrado com universidades da América do Norte – EUA e Canadá –, o que acaba por trazer, não só reconhecimento junto destas instituições académicas e destes ecossistemas, como um conjunto de competências que Portugal não tem”, concluiu o empreendedor.

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