EIA 2019

Cinco portugueses nas dez melhores equipas da EIA 2019

A equipa da startup Aptic, uma das vitoriosas da edição de 2019, com os responsáveis da EIA. Da esquerda para a direita: Karin Künnapas, diretora do Desenvolvimento do Programa da EIA, Eric Lian, Marta Grilo, Isaiah Harvin, Miguel Esteban, Rebeca González Guerra e Anni Sinijärv, CEO e cofundadora da EIA. FOTO: Álvaro Isidoro / Global Imagens
A equipa da startup Aptic, uma das vitoriosas da edição de 2019, com os responsáveis da EIA. Da esquerda para a direita: Karin Künnapas, diretora do Desenvolvimento do Programa da EIA, Eric Lian, Marta Grilo, Isaiah Harvin, Miguel Esteban, Rebeca González Guerra e Anni Sinijärv, CEO e cofundadora da EIA. FOTO: Álvaro Isidoro / Global Imagens

A 3.ª edição da Academia Europeia de Inovação chegou ontem ao fim com o anúncio das dez melhores startups deste ano.

Aplicações móveis de ajuda aos cegos, para navegação segura entre obstáculos, práticos métodos de pagamento virtual de contas em grupo, amigos virtuais de apoio a crianças com doença crónica ou dispositivos para aumentar a eficiência dos painéis solares tornando o seu uso mais apetecível e ajudando à sustentabilidade do planeta. Foram estas, com outras seis mais, as ideias de negócio eleitas para o top 10 das melhores startups desenvolvidas na EIA Cascais 2019. Este programa intensivo de aceleração de negócios chegou ontem ao fim no Centro de Congressos do Estoril, com anúncio dos vencedores. Entre eles figuravam cinco jovens empreendedores portugueses, distribuídos por quatro equipas.

Tiveram “um turbilhão de ideias”, demoraram sete dias a decidir-se por uma, mas valeu a pena a ponderação pausada. O projeto Aptic conseguiu convencer todos os mentores e júris e chegou ao top 10 dos premiados.

Trata-se de uma aplicação para o telefone que tem um sistema de navegação para deteção de objetos e obstáculos para pessoas que têm deficiência visual”, explica resumidamente Marta Grilo, jornalista de 24 anos, licenciada no ano passado, que já está a trabalhar como diretora de comunicações da Gapyear Portugal. Basicamente, explica a jovem empreendedora, a inteligência artificial da app encontra e identifica os objetos e descreve o que vê através de auscultadores ou alta voz. E o telefone tanto pode andar nas mãos como pendurado ao peito.

Ao lado de Marta Grilo, a desenvolver esta ideia, estiveram Rebeca González Guerra, uma venezuelana formada em ciências computacionais, Eric Lian, americano de 18 anos a enveredar pela mesma carreira da sua colega venezuelana, Miguel Esteban, espanhol, 23, mestre em big data, e Isaiah Harvin, outro americano, de 23 anos a estudar product innovation.

Depois de o nome da sua equipa ser anunciado, enquanto aguardavam a deixa para subir ao palco, o nervosismo era palpável entre os cinco elementos. “Estávamos todos nervosos, mas muito orgulhosos, porque foi algo em que pusemos muita paixão, muito trabalho nas últimas semanas, especialmente na última”, contou Marta Grilo.

A GroupPay, no momento em que recebeu o seu prámio. Da esq. para a dta.: Karin Künnapas, diretora do Desenvolvimento do Programa da EIA, Daniel Vasconcelos Cardoso, Mohamed Amin, Dylan Kilbride, Ross Long, Fernanda Pino Gatica, e Anni Sinijärv, CEO e cofundadora da EIA. FOTO: Álvaro Isidoro / Global Imagens

A GroupPay, no momento em que recebeu o seu prémio. Da esq. para a dta.: Karin Künnapas, diretora do Desenvolvimento do Programa da EIA, Daniel Vasconcelos Cardoso, Mohamed Amin, Dylan Kilbride, Ross Long, Fernanda Pino Gatica, e Anni Sinijärv, CEO e cofundadora da EIA. FOTO: Álvaro Isidoro / Global Imagens

Orgulho e nervosismo foi também o que sentiram os elementos da equipa GroupPay, entre os quais estava Daniel Vasconcelos Cardoso, estudante de Direito na U.Porto, com apenas 19 anos. O que representou para ele ficar no top 10 dos melhores? “Fiquei muito orgulhoso, foram três semanas intensivas, em que tivemos de dizer que não a muita diversão para nos focarmos no nosso produto e na nossa empresa”, confessou.

Nas suas palavras, com o GroupPay – que, como o próprio nome indica, é uma aplicação para pagamentos de contas em grupo -, cria-se um grupo no Messenger, associam-se-lhe os amigos, fixa-se um montante de despesa, cada um dá a parte da despesa que lhe compete e é criado um cartão virtual para pagar a despesa, por uma pessoa apenas e sem confusões, nem repetidas cobranças aos mais “esquecidos”.

Além de Daniel Cardoso, a desenvolver o GroupPay estiveram também os irlandeses Dylan Kilbride e Ross Long, que vieram do Instituto de Tecnologia de Dublin, Fernanda Pino Gatica, estudante na Universidade Tampereen, na Finlândia, e Mohamed Amin, da Universidade de Michigan.

Cristina Dias Neves, diretora Insttitucional do Santander Universidades, esteve na cerimónia final e fez uma balanço muito positivo da EIA 2019. FOTO: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

Cristina Dias Neves, diretora Institucional do Santander Universidades, esteve na cerimónia final e fez um balanço muito positivo da EIA 2019. FOTO: Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

As outras startups vencedoras (veja a lista descritiva abaixo) e que decerto ainda vão dar que falar foram a Bippy; a HustleApp; a MyFriendObi; a AME; a Taiche; a Biotimix; a SafeSeat; e a UrbanBee. E houve ainda um wild card, uma 11.ª equipa sorteada em pleno auditório para se juntar às dez já escolhidas. A carta premiada coube ao projeto Iliaki.

A diretora institucional do Santander Universidades, um dos parceiros da EIA em Portugal desde o início, salientou a diversidade de domínios de atividade e a preocupação social que notou em vários projetos que alcançaram o top 10 e fez um balanço muito positivo desta terceira edição do evento. Segundo Cristina Dias Neves, a nota é máxima tanto para os recordes de participação na EIA deste ano – 500 estudantes, 130 dos quais com Bolsa Santander, sublinhou – como para a qualidade dos projetos. “Julgo que os projetos têm vindo a melhorar de ano para ano”, conclui a responsável.

Lista completa do Top-10 vencedor desta 3ª edição da EIA 2019:

  • Bippy – Aplicação destinada a quem vive nas grandes cidades, que permite verificar onde há lugares de estacionamentos livres e quais os seus preços.
  • HustleAPP – Plataforma para apoiar o lançamento de artistas que proporciona crowdfunding passo a passo, à medida que o lançamento do artista o exige, e põe à sua disposição todos os meios necessários, nomeadamente contacto com produtores.
  • MyFriendOBI – Mais do que uma plataforma, a Obi é um amigo, ainda que virtual, que ajuda crianças com doenças crónicas a compartilhar os seus sentimentos, a seguir o tratamento e a capacitá-las a melhorar a sua saúde.
  • AME – Sigla inglesa para designar Aplicação para a Eficiência Marítima. Solução que evita a incrustação biológica nos cascos de grandes navios através da utilização de um epóxi hidrofóbico patenteado pela NASA.
  • GroupPay – Aplicação para pagamentos em grupo que permite fixar o montante de despesa pretendido e cada elemento do grupo paga a sua parte através da criação de um cartão virtual que é depois utilizado, no final, num pagamento único.
  • Taiche – Solução que pretende limpar o lixo de plástico e reutilizá-lo para o uso diário através da criação de uma embalagem de papel sustentável, evitando o desperdício.
  • APTIC – Aplicação que deteta objetos em tempo real e através de um interface de voz, permite descrever aos deficientes visuais o ambiente em redor, aumentando a sua autonomia.
  • Biotimix – Dispositivo que permite a criação de órgãos com recurso a impressões 3D, diminuindo a taxa de rejeição.
  • SafeSeat – Solução de cadeira de criança para bicicletas equipada com um airbag instantâneo que abre em caso de queda, aumentando a sua segurança.
  • UrbanBee – Solução que permite cuidar das abelhas através de um sistema automático de sensores que as monitoriza e envia notificações se algo estiver errado.

11º – Iliaki Solutions – Propõe a criação de uma película de cobertura que recolhe mais fotões e duplica a eficiência dos painéis solares.

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