bolsas

Santander +Perto “oferece” residência a alunos que vêm de longe por 100 euros

Este ano, 40 estudantes deslocados poderão ver o seu alojamento comparticipado pelo Santander. FOTO: Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens
Este ano, 40 estudantes deslocados poderão ver o seu alojamento comparticipado pelo Santander. FOTO: Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens

O projeto-piloto começa este ano, abrange 40 estudantes do distrito do Porto e aceita candidaturas até 16 de setembro

O Banco Santander acaba de criar um programa de bolsas para financiar o alojamento de novos estudantes do ensino superior que venham de lugares longínquos para estudar. O inédito projeto-piloto vai entrar em vigor já este ano letivo e, para começar, abrangerá 40 estudantes do distrito do Porto, apenas. O prazo de candidatura já está em curso no site de bolsas do Santander e termina a 16 de setembro.

“Em média, o valor de uma cama ronda os 480 euros por mês: o estudante vai pagar 100 euros mensais e nós e o nosso parceiro vamos comparticipar com o restante”, explicou Inês Oom de Sousa, administradora do Santander Portugal. Na prática, isto significa que as quatro dezenas de eleitos que se viram obrigados a mudar de “casa” para o Porto de modo a poderem frequentar as aulas em faculdades da Invicta vêm os custos da sua residência reduzidos a menos de um quarto do seu valor.

Este projeto-piloto, para já, tem apenas um “parceiro”, a Livensa Living Porto Campus, pelo que as 40 camas a disponibilizar estão confinadas a esta residência e em quarto duplo, esclarece-se em comunicado.

Os interessados terão de ser estudantes de nacionalidade portuguesa, com idades entre os 17 e os 23 anos, que estejam matriculados em qualquer licenciatura no distrito do Porto.

Além destes requisitos, há depois três critérios que serão aferidos para a atribuição das Bolsas Santander +Perto, como explica Inês Oom de Sousa.

Este é um projeto-piloto. Gostaríamos de o alargar a mais estudantes e a outras cidades, mas temos de ver se, de facto, este projeto funciona.” Inês Oom de Sousa

“Vamos ter três grandes itens que iremos avaliar: por um lado, os recursos financeiros do agregado familiar – e o cálculo é realizado com base no valor dos indexantes do apoio social; temos um segundo critério, que é o mérito académico do candidato; e um terceiro, que é a distância geográfica, portanto, a distância a que ele está da sua residência habitual para a universidade onde gostaria de estudar.”

Diz a administradora do banco que o objetivo é “apoiar os estudantes ambiciosos e com talento, mas que têm menor capacidade financeira, a terem acesso e condições para estarem num curso superior deslocados da sua residência habitual”. Com o Santander +Perto, o banco procura dar resposta à falta de alojamento a preços acessíveis para esses estudantes.

Segundo dados de 2018 do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, citados no comunicado do banco, “42% dos estudantes universitários de instituições públicas estão deslocados da sua residência e, destes, apenas 13% tem lugar nas residências de estudantes. Os restantes, ou sujeitam-se aos elevados preços de habitação, ou acabam por desistir ou suspender a sua matrícula”.

O aumento da oferta de alojamento local para turistas, nas grandes cidades, ainda veio piorar mais a situação, fazendo disparar os preços de arredamento. “Na cidade do Porto, em concreto, a subida de preço nas rendas pode levar os alunos a pagar 450 euros por mês, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, existindo apenas vaga nas residências de estudantes para 9,7% dos universitários que são de fora da cidade”, refere o comunicado do Santander.

Inês Oom de Sousa, administradora do Santander Portugal, está disposta a expandir as bolsas +Perto para outras cidades, se o projeto-piloto correr bem. FOTO: Arquivo / Global Imagens

Inês Oom de Sousa, administradora do Santander Portugal, está disposta a expandir as bolsas +Perto para outras cidades, se o projeto-piloto correr bem. FOTO: Arquivo / Global Imagens

Esta terá sido, em parte, uma das razões para que este projeto-piloto tenha visado a cidade do Porto. Outra delas, foi de natureza muito mais prática. “Onde é mais problemática a inexistência de vagas, neste momento é em Lisboa e no Porto. Começámos pelo Porto porque encontrámos um parceiro que se disponibilizou logo para entrar neste projeto connosco em termos de contribuir para que os estudantes tivessem esta oportunidade, no fundo para diminuir a desigualdade social que existe”, contou Inês Oom de Sousa.

Por todas estas razões, a administradora do Santander sublinha que os 40 bolsistas escolhidos – que após a verificação dos requisitos de candidatura, passarão por uma entrevista e serão avisados a tempo do início das aulas – terão a responsabilidade acrescida de dar “o seu melhor por todos aqueles que não vão ter a oportunidade de ter esta bolsa”.

É por isso que o banco vai querer acompanhar estes primeiros 40 bolsistas muito de perto. “Inclusivamente, estes jovens vão ter mentores, que serão colaboradores do próprio Santander, que vão acompanhar no dia-a-dia toda a sua integração no ensino superior, questões de motivação, de resiliência, etc.”, avançou Inês Oom de Sousa. “Eu própria gostaria de falar com cada um deles e ver até que ponto é que este programa, de facto, tem impacto e faz a diferença na vida das pessoas”, rematou.

Esta análise e avaliação ditará a sorte do programa no que toca à sua continuação e até expansão. “Este é um projeto-piloto. Gostaríamos de o alargar a mais estudantes e a outras cidades, mas temos de ver se, de facto, este projeto funciona, como é que os jovens reagem, qual é o impacto que isto vai ter na sua vida”, revelou Inês Oom de Sousa.

Segundo a administradora, “o grande objetivo do Banco Santander é ser um parceiro ativo no crescimento sustentável, inclusive da sociedade portuguesa, reduzindo as desigualdades sociais, promovendo a igualdade de oportunidades entre os jovens e, obviamente, o acesso ao ensino superior. É este o nosso principal objetivo”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho (D), e o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita (E). Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Salário mínimo de 635 euros? Dos 617 dos patrões aos 690 euros da CGTP

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

Outros conteúdos GMG
Santander +Perto “oferece” residência a alunos que vêm de longe por 100 euros