Voluntariado Universitário

“O objetivo é premiar e reconhecer todos aqueles que têm uma atitude altruísta”

Susana Marinho (à esq.) e Idalina Caldas, aceitando o Prémio Valor, a 19 de dezembro de 2018, Dia do IPCA. As duas voluntárias são hoje grandes amigas. FOTO: D.R. /IPCA
Susana Marinho (à esq.) e Idalina Caldas, aceitando o Prémio Valor, a 19 de dezembro de 2018, Dia do IPCA. As duas voluntárias são hoje grandes amigas. FOTO: D.R. /IPCA

Presidente do IPCA aconselha alunos solidários a concorrerem ao Prémio Valor IPCA/Santander 2019, cujo prazo de candidatura termina a 31 de outubro

Já está em curso o prazo de candidatura à 3.ª edição do Prémio Valor, iniciativa realizada no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e apoiada pelo Santander Universidades com o objetivo de distinguir quem ativamente se dedica a ajudar terceiros. Até 31 de outubro, os alunos do IPCA autores de projetos solidários ou envolvidos em atividades de apoio social – dentro ou fora do instituto – podem ser propostos para receberem este prémio: se não forem os próprios a candidatar-se poderão ser amigos ou professores a propô-los.

“O objetivo é premiar e reconhecer todos aqueles que têm uma atitude altruísta, sobretudo de ajuda aos outros”, explicou Maria José Fernandes, presidente do IPCA desde 2016. “Aconselho a todos os estudantes do IPCA que concorram, que apresentem aquilo que estão a fazer [em termos de voluntariado], as movimentações que têm e o tempo que investem com as outras pessoas, que nos façam conhecer aquilo que fazem além das aulas e das atividades mais académicas”, instou a responsável.

Curiosamente, o Prémio Valor foi uma iniciativa que surgiu logo no primeiro ano de mandato de Maria José Fernandes à frente do instituto. “Tendo em conta a missão que nós temos, enquanto Instituição de Ensino Superior, e a questão da responsabilidade social, entendemos, junto com o Santander, promover este concurso”, afirmou Maria José Fernandes.

E se na 1.ª edição do Prémio Valor IPCA/Santander o júri não teve dúvidas em selecionar Pedro Magalhães – um estudante que acompanhou e ajudou sempre no seu percurso académico o colega José Pedro Gomes, que sofria de paralisia cerebral –, na 2ª edição a decisão já foi mais difícil. De tal maneira que, pela primeira vez, o prémio foi divido: Susana Marinho e Idalina Caldas foram as distinguidas com o Prémio Valor de 2018, pelos seus valores éticos e solidários.

Ambas licenciadas no IPCA em Gestão de Atividade Turística, têm também em comum o facto de estarem permanentemente em busca de projetos solidários em que se possam envolver. Por isso, o Prémio Valor que receberam no ano passado reconheceu, não um projeto específico, mas todas as ações de solidariedade que desenvolvem.

Pedro Magalhães (à esq., de pé) foi o primeiro distinguido com o Prémio Valor IPCA/Santander, em 2017, em reconhecimento do auxílio e acompanhamento que prestou a José Pedro Gomes (sentado), aluno do IPCA com paralisia cerebral. O prémio, Pedro Magalhães recebeu das mãos de Maria José Fernandes, presidente do IPCA, e de Nuno Vieira, gestor do Convénio Universitário do Banco Santander. FOTO: D.R. / Santander Universidades

Pedro Magalhães (à esq., de pé) foi o primeiro distinguido com o Prémio Valor IPCA/Santander, em 2017, em reconhecimento do auxílio e acompanhamento que prestou a José Pedro Gomes (sentado), aluno do IPCA com paralisia cerebral. O prémio, Pedro Magalhães recebeu das mãos de Maria José Fernandes, presidente do IPCA, e de Nuno Vieira, gestor do Convénio Universitário do Banco Santander. FOTO: D.R. / Santander Universidades

“A minha postura foi sempre a de ser uma pessoa colaborante com as várias associações da freguesia, da câmara e com algumas associações desportivas do concelho onde resido, que é Vila Nova de Famalicão, e que me motivaram a que eu estivesse presente em iniciativas essencialmente de cariz solidário”, disse Susana Marinho.

A jovem – que, por razões profissionais, optou por fazer uma pós-graduação em Marketing Digital, deixando o mestrado para mais tarde – conta, a título de exemplo, que um dos eventos em que tem participado com alguma frequência é o Bike Tour, um passeio de bicicleta promovido por um ciclista de carreira internacional (do World Tour), cujas verbas revertem a favor de uma instituição sem fins lucrativos para ajudar pessoas carenciadas.

Nesta iniciativa, Susana Marinho consegue aliar o desporto à solidariedade, mas há depois muitas outras ações de voluntariado local que implicam o auxílio direto a quem precisa, a que também se dedica. E, quando é preciso, até toma a iniciativa de organizar campanhas solidárias, como a recolha de ajudas para as vítimas dos fogos do ano passado na região. “Mas não as entregámos propriamente às associações, conseguimos levar essas ajudas mesmo às pessoas, em parceria com os bombeiros locais de freguesias mais afetadas”, contou.

Maria-José-FernandesÉ uma missão nossa desenvolver esta competência [da solida-riedade] nos nossos estudantes e de promover este tipo de ações com impacto social. Tudo isto formará pessoas melhores e com uma formação cívica maior, que também é aquilo que nós pretendemos”, Maria José Fernandes, presidente do IPCA

No IPCA, há dois anos Susana Marinho fez parte do grupo que organizou e lançou a 1.ª Légua do IPCA, uma caminhada cujos fundos revertem para o fundo de apoio aos alunos carenciados do instituto. “Entretanto já houve a 2ª Légua do IPCA, no ano passado, e esperemos que este ano se repita e haja a 3ª Légua, porque é importante, não só pela atividade física, mas também para ajudar os alunos que, apesar das dificuldades, conseguem manter-se a estudar e levar os seus objetivos para a frente”, explicou.

No ano passado, Susana Marinho ainda conseguiu conciliar as suas atividades solidárias e os estudos do exigente último ano do curso com um estágio curricular na área do voluntariado, para o que escolheu a Refood de Viana do Castelo. “Sensibilizamos os restaurantes e pastelarias para que nos deem os seus excedentes de modo a proporcionar, pelo menos, uma refeição por dia a quem dela precisa”, explicou.

Quanto ao Prémio Valor, diz Susana Marinho ter-se sentido estranha, quase mercenária, por andar a recolher provas do seu trabalho de voluntariado quando uma professora a convenceu a propor o seu nome. Mas depois conheceu a sua co-premiada, Idalina Caldas, e as duas tornaram-se grandes amigas, diz. “Acabou por ser uma dupla felicidade e é o reconhecimento de algum trabalho que vamos fazendo mais até no anonimato”, concluiu.

Também Idalina Caldas não se sentiu nada confortável por ter de andar a “anunciar” aquilo que faz pelos outros voluntariamente. Mas um colega propôs o seu nome como candidata e Idalina lá preencheu os requisitos.

“O projeto que me fez merecer o Prémio Valor não foi um, foram vários, todos baseados no voluntariado, na cedência do meu tempo disponível em prol de causas que eu considero nobres, independentemente do que esteja a fazer”, disse a premiada.

Idalina Caldas já esteve e está envolvida, como voluntária, em projetos de apoio a deficientes mentais, a crianças e a idosos. Por exemplo, no ano passado fez parte da iniciativa Up for Inclusion, um projeto da Associação Synergia feito a pensar em voluntários universitários do programa Erasmus, que organizou uma coreografia e um espetáculo de dança de rua com deficientes mentais do Centro Novais e Sousa, de Braga.

E, para o estágio curricular de voluntariado que fez enquanto ainda estudava no IPCA, escolheu acompanhar os residentes de um lar para a terceira idade. “Era unidade hoteleira de luxo, o HG Residence, em Viana do Castelo, que acolhe pessoas com uma certa idade e onde prestam cuidados de geriatria. São pessoas com possibilidades financeiras, mas muitíssimo carentes de afetos”, contou. Na altura, Idalina prestava todo o tipo de cuidados necessários; hoje, continua a lá ir, voluntariamente, para organizar atividades lúdicas ou simplesmente conversar com os residentes.

Todos os anos há dois dias de Open IPCA, em que milhares de estudantes universitários e do ensino secundário visitam o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. Idalina Caldas é embaixadora voluntária e está sempre presente para ajudar.  FOTO: D.R. / IPCA

Todos os anos há dois dias de Open IPCA, em que milhares de estudantes universitários e do ensino secundário visitam o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. Idalina Caldas é embaixadora voluntária e está sempre presente para ajudar. FOTO: D.R. / IPCA

Ainda no âmbito do instituto onde estuda – já que está agora a tirar o mestrado –, Idalina Caldas é embaixadora do IPCA, estando presente para receber as crianças e os universitários que todos os anos visitam o instituto no Open IPCA, e participa na Associação Padrinhos d’África (com a qual o instituto firmou um protocolo de cooperação). Mesmo a sua tese de mestrado tem que ver com solidariedade, depois de o seu projeto de licenciatura ter tido por tema o turismo sénior. “A minha tese é sobre turismo acessível – tinha de ser ligada às pessoas, porque assim é que eu me vou sentir feliz ao longo de um ano a trabalhar numa tese”, contou.

De momento desempregada, Idalina inscreveu-se no Centro de Emprego e tem um CEI (Contrato de Emprego-Inserção) que, a par dos estudos e investigação, ocupa o seu tempo. Mas ainda assim não conseguiu evitar ir procurar formas de se envolver em atividades solidárias: voltou a ir ter com a Associação Synergia, que lhe há de “propor qualquer coisa”, disse.

“Estou sempre ligada a estas coisas”, comentou à despedida. e sem falsas modéstias, admitiu que mesmo no seu próprio meio, enquanto aluna, sente que consegue fazer bem às pessoas em ser redor. Quanto ao prémio, custou-lhe ter de provar o que faz tão desinteressadamente, mas… “É muito bom sermos reconhecidos”, confessou.

Para a presidente do IPCA, o casamento entre o voluntariado e o ensino universitário é algo que funciona muito bem. “É uma missão nossa desenvolver esta competência [da solidariedade] nos nossos estudantes e de promover este tipo de ações com impacto social”, disse Maria José Fernandes. “Tudo isto formará pessoas melhores e com uma formação cívica maior, que também é aquilo que nós pretendemos”, concluiu a presidente do IPCA.

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