Comemoração

“Queremos que seja um momento com impacto a vários níveis”

Já não são 75, são 80 anos (em janeiro) que transformaram o INEF na mais abrangente Faculdade de Motricidade Humana. FOTO: D.R. / FMH
Já não são 75, são 80 anos (em janeiro) que transformaram o INEF na mais abrangente Faculdade de Motricidade Humana. FOTO: D.R. / FMH

Faculdade de Motricidade Humana completa 80 anos em janeiro e vai comemorar com iniciativas dentro e fora da

A Faculdade de Motricidade Humana (FMH) está quase a festejar o seu 80.º aniversário – é já a 23 de janeiro, dia que se aproxima a passos largos – e para assinalar esta data a respetiva direção tem em preparação um vasto programa de comemorações, que conta com o apoio do Santander Universidades. “Queremos que seja um momento com impacto a vários níveis”, afirmou o vice-presidente da instituição, que falou da história da FMH, dos planos para o futuro e deixou bem claro que esta é uma faculdade que não serve só para formar treinadores famosos, como José Mourinho.

Exposições, conferências, congressos, publicação de livros, sobre os mais variados temas e personalidades famosas, e convívios, dentro e fora da faculdade, de modo a dar aos festejos dos 80 anos da FMH uma vertente social abrangente. Foi isto que Rui Martins, vice-presidente da FMH, quis dizer quando falou nos “vários níveis” de impacto do leque de iniciativas que estão em preparação e que vão englobar tanto a faculdade, em si, como os outros corpos da Universidade de Lisboa e a comunidade local de Oeiras, onde se situa.

“Não se faz 80 anos todos os dias. É um sinal de alguma maturidade e já de uma experiência confirmada ao longo dos anos e das várias fases pelas quais a faculdade passou na sua história e, portanto, queremos que seja um momento que tenha impacto a diversos níveis”, disse, mas sem querer adiantar já o programa concreto.

Quanto às fases por que passou, uma busca rápida revela que a FMH conheceu três etapas distintas na sua evolução. Em 1940, “nasceu” como Instituto Nacional de Educação Física (INEF) para dar resposta às aspirações do Estado Novo de criar uma população fisicamente saudável – homens e mulheres de mens sana in corpore sano. “Teve a ver com o ambiente sociológico e político da época”, disse Rui Martins. “Tudo foi muito influenciado, inicialmente, pelas perspetivas militares, digamos assim, por uma visão militarista do corpo: utilizava-se muito a perspetiva da ginástica sueca, muito mecanizada”, explicou.

A pouco e pouco, contou o responsável, deu-se uma maior aproximação a uma perspetiva médica, o que foi determinante para que na altura do 25 de Abril o INEF passasse a integrar o ensino superior, tornando-se então o Instituto Superior de Educação Física.

Em 1989, com a transformação em Faculdade de Motricidade Humana, dá-se “novo corte epistemológico, que parte da visão de que o movimento não é apenas uma condição comportamental isolada, mas corresponde a uma expressão da pessoa na sua história pessoal, numa dimensão psicológica, cultural, social”, referiu.

Prof_Rui Martins2“É esta visão pioneira e vanguardista que orienta a faculdade, um olhar inovador e criativo sobre o ser humano”, Rui Martins, vice-presidente da Faculdade de Motricidade Humana.

Hoje, como explica Rui Martins, a FMH tem quatro cursos no âmbito das ciências do desporto, tem licenciatura e mestrado em reabilitação psicomotora – “onde trabalhamos com pessoas que têm necessidades especiais”, refere –, ao nível expressivo, há licenciatura e mestrado em dança, tem o curso de gestão do desporto, que dá preparação para a “coordenação de instalações e de estruturas no ambiente desportivo”, e o muito raro curso de ergonomia.

“Estamos a falar de uma faculdade que foi pioneira em todas estas áreas de formação – foi aqui que, pela primeira vez, se criou um curso de ciências do desporto, assim como de reabilitação psicomotora, de dança e de ergonomia – e que tem, atualmente, 1820 alunos”, sublinhou Rui Martins. “É esta visão pioneira e vanguardista que orienta a faculdade, um olhar inovador e criativo sobre o ser humano e os seus setores de intervenção”, concluiu o vice-presidente da FMH.

Tudo isto quer dizer, portanto, que a Faculdade de Motricidade Humana não serve só para formar Josés Mourinhos? “Obviamente que o nosso âmbito não se define unicamente pela componente do desporto – que é, tradicionalmente, uma vertente muito relevante da nossa formação e da nossa investigação –, mas também pelas componentes da reabilitação psicomotora, da gestão do desporto, da dança, da ergonomia. Portanto, nestes âmbitos, evidentemente que temos perfis para além daqueles que têm mais projeção social e de imagem pública, como é o caso de José Mourinho, de Carlos Queiroz, do prof. Moniz Pereira e de outros nomes sonantes não só no ambiente do futebol, mas também de outras modalidades, que têm visibilidade e que têm uma participação social muito relevante”, disse Rui Martins.

A investigação, nomeadamente na área da biologia da atividade física, constitui um dos eixos de atuação da Faculdade de Motricidade Humana. FOTO: D.R. / FMH

A investigação, nomeadamente na área da biologia da atividade física, constitui um dos eixos de atuação da Faculdade de Motricidade Humana. FOTO: D.R. / FMH

O vice-presidente da FMH fez também questão de sublinhar que, à vertente da formação comum, a faculdade ainda alia um conjunto de sete cursos de mestrado – que funcionam como especializações dentro das áreas de formação ou em áreas afins –, e toda a sua atividade de investigação.

Ao nível da investigação, avançou, a FMH tem várias estruturas dentro das áreas disciplinares em que trabalha, que são, basicamente, a biologia da atividade física, a psicologia do comportamento motor, a sociologia (estudos culturais e de gestão de atividade física do desporto) e a pedagogia e metodologias de intervenção nas atividades motoras. “Dentro destas quatro áreas, temos um conjunto de laboratórios e de centros de estudo que produzem conhecimento, nalguns casos com alguma coordenação transversal interna, noutros casos com perspetivas de ligação às outras unidades orgânicas da universidade e também com parcerias muitas vezes em termos internacionais”.

É o caso, por exemplo, do Projeto Prognosis, uma investigação europeia que está a desenvolver novas ferramentas, que incluem jogos de vídeo, para melhorar o tratamento e facilitar o diagnóstico precoce da doença de Parkinson e que foi recentemente objeto de notícia.

Resta saber, portanto, o que antevê o responsável da FMH para o futuro da faculdade que dirige. “A atual direção está num processo de estudo e de estabelecimento de parcerias que poderão conduzir a faculdade para uma nova fase de desenvolvimento”, avançou Rui Martins.

Referindo que é ainda precoce falar sobre estes projetos, o vice-presidente não quis avançar detalhes. Mas foi dizendo que tais parcerias seriam “de uma dimensão que concilie a produção de conhecimento com uma visão de inovação e de criatividade e também a utilização tecnológica das novas possibilidades que a sociedade nos oferece”, de modo a abrir novas perspetivas de investigação, novas áreas de oportunidade.

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