sustentabilidade

Novo modelo do carro elétrico do IST para 2019-20 mudou de forma

O GP 19 e respetiva equipa do Projeto de Sustentabilidade Elétrica Móvel (PSEM) foram apresentados na terça-feira. Este modelo tem uma forma completamente diferente do seu antecessor, o GP 17.Evo2. FOTO: D. R. / PSEM
O GP 19 e respetiva equipa do Projeto de Sustentabilidade Elétrica Móvel (PSEM) foram apresentados na terça-feira. Este modelo tem uma forma completamente diferente do seu antecessor, o GP 17.Evo2. FOTO: D. R. / PSEM

Mais aerodinâmico, o GP 19 poderá atingir 60 km/h. Na próxima época, a equipa terá um novo team leader : Diogo Ferreira, dá lugar a Vítor Teixeira

O GP 19, o mais recente modelo do Projeto de Sustentabilidade Móvel (PSEM) do Instituto Superior Técnico (IST), que conta com o apoio do programa Santander Universidades, foi apresentado, juntamente com a respetiva equipa, esta terça-feira, 5 de novembro, nas instalações do IST, em Lisboa. Face ao GP 17.Evo2, o bólide que o IST levou este ano a disputar o Greenpower Challenge internacional, o novo carro apresenta sobretudo alterações de estrutura e carroçaria, tornando-o mais aerodinâmico, logo mais veloz.

“Temos uma forma muito diferente do que tínhamos no protótipo anterior, que foi bastante estudada aerodinamicamente: conseguimos reduzir, em princípio, o drag em mais de 50%”, revelou o team leader cessante, Diogo Ferreira. (Na cerimónia que teve lugar esta terça-feira, o jovem responsável – que esteve três anos ligado ao PSEM, dois dos quais como team leader – aproveitou para passar o testemunho a outro membro da equipa, Vítor Teixeira).

“Isto significa que o carro, em termos globais, tem uma menor resistência aerodinâmica do que o anterior, o que possivelmente irá traduzir-se numa melhor performance em pista, e em prova, do protótipo”, explicou Diogo Ferreira. E, pelas contas feitas, essa menor resistência da nova forma do GP 19 vai traduzir-se em mais 5 km/h na sua velocidade média, elevando o total médio que este carro elétrico, com duas baterias de 12V, pode atingir para os 6o km/h. “Isto traduzir-se-ia num posicionamento de pódio, possivelmente”, afirma o responsável.

Diogo Ferreira, após três anos dedicado ao PSEM e dois à coordenação da equipa, quer agora focar-se em terminar o curso e iniciar a sua carreira profissional. FOTO: D. R. / PSEM

Diogo Ferreira, após dois anos dedicado ao PSEM e um à coordenação da equipa, quer agora focar-se em terminar o curso e iniciar a sua carreira profissional. FOTO: D. R. / PSEM

Mas isto é “em princípio”, sublinha Diogo Ferreira, porque apesar de ter sido construído ao longo do seu “mandato”, o GP 19 – cujo sistema de arrefecimento foi um dos elementos desenvolvidos por Vítor Teixeira, também a estudar Engenharia Aerospacial e envolvido no PSEM desde novembro de 2018 – não ficou pronto a tempo de disputar as provas do Greenpower Challenge e nem sequer foi testado.

Velar pelos testes e competição do GP 19 cabe, a partir de agora, à equipa e liderança de Vítor Teixeira. “Em primeiro lugar, o PSEM focar-se-á na otimização do novo protótipo, o GP19: vamos otimizar os diversos sistemas – transmissão, direção, etc.”, avançou o recém-eleito coordenador.

“Vamos também, nos próximos meses, fazer testes e pensar em preparar a equipa do próximo ano: fazer um bom recrutamento para que os novos membros consigam ser eficazes e eficientes nas diferentes tarefas que vão realizando dentro e fora dos seus departamentos [universitários]”, explicou Vítor Teixeira.

Entre os “recrutamentos” a fazer está o dos pilotos. Para já, o GP 19 conta com a pilotagem de Mariana Gago, estudante do 3.º ano de Engenharia Mecânica no IST, que já leva um ano de experiência ao volante do carro do PSEM. Mas “durante o próximo ano, quando fizermos os nossos testes, vamos também testar mais uma ou duas pessoas nos nossos carros para ver se estão aptas para a condução”, disse Vítor Teixeira.

Os testes propriamente ditos – que são sempre levados a cabo na “pista” da Base Aérea da Ota – só começam da primavera em diante. “Vamos fazer, primeiro, testes genéricos ao carro: verificar se está tudo em ordem, se está o carro a funcionar corretamente. Depois, quando o tempo estiver melhor, faremos testes mais específicos, em que o carro estará, basicamente, a fazer uma prova de uma hora sem parar, sempre a acelerar, e ver qual é a durabilidade das baterias e a eficiência do próprio protótipo”, explicou o coordenador do PSEM.

Vítor Teixeira chegou ao PSEM no ano passado, ajudou a desenvolver o GP 19, que vai testar e por a correr em pista este ano, mas já tem os olhos postos no GP 21 que quer ver o PSEM construir. FOTO D. R. / PSEM

Vítor Teixeira chegou ao PSEM no ano passado, ajudou a desenvolver o GP 19, que vai testar e por a correr em pista este ano, mas já tem os olhos postos no GP 21 que quer ver o PSEM construir. FOTO D. R. / PSEM

Nas provas, propriamente ditas, o que é apreciado não é tanto a velocidade de ponta atingida pelo carro, mas a gestão que se consegue entre a durabilidade das baterias e a quantidade de quilómetros percorridos numa hora de prova, conseguindo chegar ao fim.

Em setembro, tem início a época das provas do Greenpower Challenge – um desafio internacional dirigido, sobretudo, a estudantes e respetivos professores (mas que atrai também marcas implantadas no mercado) para que desenhem, construam e entrem em competição com um veículo sustentável, ao mesmo tempo que, pelo caminho, vão encontrando inovadoras soluções tecnológicas e de engenharia.

Com o GP 19, a equipa do PSEM espera conseguir uma boa classificação em 2020. Algo que este ano já poderia ter acontecido com o GP 17.Evo2 – afinal, numa das provas de qualificação alcançaram um 2º lugar – não fosse na final, disputada no Circuito de Silverstone, no Reino Unido, um problema com a direção ter levado a um despiste.

Mas o primeiro ano de “mandato” de Vítor Teixeira à frente da equipa PSEM do IST não se vai ficar apenas pelo GP 19. “Vamos, também na época de 2019/2020, projetar o que será eventualmente o GP21”, revelou o coordenador. “Este novo protótipo será o acumular de todos os conhecimentos adquiridos nas épocas anteriores, e resultará de todos os testes que fizermos neste ano que se avizinha. Focar-nos-emos em implementar os grandes ideais de um protótipo competitivo: simplicidade e eficiência do próprio protótipo”, concluiu Vítor Teixeira.

(Veja aqui como é constituído o GP 19).

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Do modelo anterior do PSEM, o GP 17Evo.2, para o atual, as maiores e mais visíveis alterações foram introduzidas na forma da carroçaria. FOTO: D. R. / PSEM

Do modelo anterior do PSEM, o GP 17Evo.2, para o que foi agora apresentado, as maiores e mais visíveis alterações foram introduzidas na forma da carroçaria. FOTO: D. R. / PSEM

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