empreendedorismo

Projeto para detetar bactérias em cirurgias vence Explorer Awards 2019

O BactiDev, que propõe uma técnica inovadora para detetar bactérias em tempo real, foi concebido no Explorer Space da Universidade de Santiago de Compostela. FOTO: Arquivo / Global Imagens
O BactiDev, que propõe uma técnica inovadora para detetar bactérias em tempo real, foi concebido no Explorer Space da Universidade de Santiago de Compostela. FOTO: Arquivo / Global Imagens

O FASTival português não chegou aos finalistas, mas tem “todas as ferramentas para avançar em grande”, diz jovem responsável.

O projeto BactDec, de jovens empreendedores das Universidade de Santiago de Compostela, sagrou-se esta sexta-feira, 8 de novembro, o grande vencedor dos Explorer Awards 2019. A final desta 10.ª edição – 3.ª em Portugal – do Programa Explorer, um acelerador de ideias de negócios para estudantes lançado pelo Santander Universidades e coordenado pelo Centro Internacional Santander Empreendedorismo (CISE), decorreu em Madrid, na sede do Grupo Santander, em Boadilla del Monte. Jovens empreendedores do projeto português, FASTival, não venceram mas voltam “muito motivados”.

Criado por dois estudantes da Universidade de Santiago de Compostela, o BactiDec é um dispositivo que, recorrendo à tecnologia espetrofotométrica, deteta e quantifica em tempo real as bactérias presentes durante uma intervenção cirúrgica. A vitória valeu ao BactiDec um prémio pecuniário de 30.000 euros para aplicar na sua aceleração.

Em competição nesta final estiveram 54 ideias de negócios de jovens empreendedores de outros tantos Explorer Spaces da Península Ibérica e da Argentina. Em representação do Explorer Space de Coimbra esteve o projeto FASTival, uma aplicação para telemóvel que permite a quem for assistir a festivais de música escolher o que quer comer e beber, pagar antecipadamente e, depois, ir só recolher o pedido, sem ter de esperar em filas intermináveis.

Apesar do feedback positivo que FASTival foi recebendo, até da concorrência, o projeto do (por enquanto) único Explorer Space português não foi um dos selecionados para os cinco finalistas. Algo que não surpreendeu a equipa, tendo em conta o que Miguel Donas-Botto, um dos elementos da FASTival, confessava ao Dinheiro Vivo na véspera: “Honestamente, não esperamos ser selecionados para amanhã, porque o nosso business plan – suponho que seja este o critério de avaliação – devia ter sido feito com um pouco mais de antecedência. Com base nisso não esperamos estar entre os cinco finalistas.”

Um facto que não desalentou os concorrentes portugueses. Aliás, no final da cerimónia, Miguel Gonçalves, coordenador do Explorer Space de Coimbra, onde o FASTival foi desenvolvido, comentava: “Ainda não foi desta que levámos um prémio, mas trazemos para Portugal uns jovens empreendedores muito motivados”.

A equipa do FASTival (ao centro: Paulo Rebelo, Miguel Donas-Botto e Henrique Vieira) com Cristina Dias Neves, diretora do Santander Universidades, e Luís Simões da Silva, vice-reitor da U.Coimbra para a Inovação. FOTO: D.R. / Explorer Space U. Coimbra

A equipa do FASTival (ao centro: Paulo Rebelo, Miguel Donas-Botto e Henrique Vieira) com Cristina Dias Neves, diretora do Santander Universidades, e Luís Simões da Silva, vice-reitor da U.Coimbra para a Inovação. (Carregue na foto para ampliar) FOTO: D.R. / Explorer Space U. Coimbra

Além de Miguel Donas-Botto, assinam o projeto do FASTival Afonso Canha, Henrique Vieira e Paulo Rebelo, todos eles com idades entre os 20 e 21 anos e estudantes do Instituto Superior Técnico (os dois primeiros) e da Universidade de Coimbra. Dos quatro, Miguel Donas-Botto foi o eleito para – juntamente com outros 53 representantes dos projetos vencedores de cada Explorer Space – rumar a Silicon Valley, a meca tecnológica dos EUA, para aí passar uma semana recolhendo aprendizagem e ferramentas para acelerar a sua ideia de negócio, estabelecer redes de contactos e sondar a concorrência.

Foi, nas palavras do jovem português, uma “experiência ótima”, que deu para aprender e conviver. “O sentimento final que se tira dali é mesmo o espírito de comunidade e de camaradagem que fica”, contou Miguel Donas-Botto. “Não senti um ambiente de competição e de rivalidade, pelo contrário, toda a gente se ajudava e foi ótimo poder experienciar uma semana assim”, sublinhou.

No que toca aos negócios, do que lá viu e aprendeu – com empresários e peritos de grandes tecnológicas e startups, e com docentes das faculdades da região de São Francisco -, o jovem empreendedor trouxe algumas ideias que quer já aplicar ao FASTival.

“Não diria que há algo que fizemos menos bem – porque ainda há muito a fazer -, mas houve duas ideias principais com que fiquei sobretudo nesta semana”, contou Miguel Donas-Botto. Ideias que diz querer aplicar já à startup que lançou com os amigos. A primeira, é “a ideia do Pivoting, que consiste em ir ajustando a aplicação à medida que se vai testando e não estar tão focado em lançar já uma versão final, porque é muito importante o feedback dos consumidores”; a segunda, é uma ferramenta cuja designação diz ser “relativamente recente”, a “Growth Hacking: como fazer crescer o número de clientes da melhor forma possível no menor tempo possível”.

MD-BottoIsso [não ter ganho um prémio] não quer dizer absoluta-mente nada. Até porque, depois desta semana, sinto que, mais do que nunca, temos todas as ferramentas para avançar em grande e crescer o mais rápido possível”, Miguel Donas-Botto, membro da equipa criadora do FASTival.

Por tudo isto, não ter o FASTival conquistado um dos Explorers Awards esta sexta-feira não constitui para os seus criadores um grande revés, assegurou Miguel Donas-Botto. “Isso não quer dizer absolutamente nada”, minimizou. “Até porque, depois desta semana, sinto que, mais do que nunca, temos todas as ferramentas para avançar em grande e crescer o mais rápido possível”, afirmou.

Nos próximos meses, os quatro jovens empreendedores já tem a sua estratégia pensada. “Estamos a pensar melhorar um pouco a plataforma para podermos finalmente testá-la em alguns festivais mais pequenos e termos algum feedback”. Depois, feitos eventuais ajustes que haja a fazer, os criadores do FASTival avançam para a venda da aplicação a potenciais clientes.

Na sexta-feira, aquelas que foram consideradas pelo júri dos Explorer Awards as três melhores ideias de negócio dos jovens empreendedores a concurso receberam, respetivamente, dotações financeiras no valor de 30.000, 20.000 e 10.000 euros, para que possam acelerar os seus projetos.

Foi ainda atribuído o Woman Explorer Award – para os projetos total ou parcialmente desenvolvidos por mulheres -, no valor de 20.000 euros, e o Disruptive Technology Award, para projetos que criaram tecnologias disruptivas, no valor de 3.000 euros.

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