Bolsas de Mobilidade Santander

Bolseiras de Coimbra afirmam que fazer intercâmbio já é mais-valia imperativa

Bruna Coelho (ao centro) esteve na Colômbia, com Bolsa Santander, e trouxe, além da experiência para o seu currículo académico, um enriquecimento pessoal pelo contacto com a cultura. FOTO: D.R. / B.Coelho
Bruna Coelho (ao centro) esteve na Colômbia, com Bolsa Santander, e trouxe, além da experiência para o seu currículo académico, um enriquecimento pessoal pelo contacto com a cultura. FOTO: D.R. / B.Coelho

Bruna Coelho, 24 anos, estudante, e Vânia Vasconcelos, 45, investigadora: duas gerações diferentes, experiências semelhantes de enriquecimento pessoal

São 26 os bolseiros de Mobilidade Santander recém-certificados – na semana passada – pela Universidade de Coimbra. Volvidos oito dias, duas bolseiras da ronda de 2018-19 partilham as suas experiências: ambas são perentórias em afirmar que fazer um qualquer programa de intercâmbio já é um imperativo incontornável para quem faz estudos superiores e que bolsas de mobilidade, como as do Santander, são uma ajuda preciosa.

Bruna Coelho tem 24 anos, é licenciada em Jornalismo e está a fazer o mestrado em Relações Internacionais, mais concretamente, em estudos da Paz, Segurança e Desenvolvimento, na Universidade de Coimbra. Em setembro do ano passado, e com a ajuda de uma Bolsa de Mobilidade Santander, rumou a Bogotá, capital da Colômbia, onde fez um estágio de quatro meses na Embaixada de Portugal neste país.

Aí aprimorou o seu domínio do espanhol – que já falava, ou não tivesse parte da família na Venezuela –, desenvolveu funções consulares (diplomáticas) e políticas e pôde lidar de perto com os problemas de cidadãos portugueses (muitos com dupla-nacionalidade) que procuravam fugir a contextos políticos e económicos dramáticos.

“Conhecer estas histórias, e mesmo ter uma perceção real daquilo que são as relações internacionais, foi muito bom para combinar a prática com o curso”, disse Bruna Coelho. Garante a estudante que, com esta bolsa e intercâmbio, “obteve várias coisas que não teria alcançado se tivesse cá ficado”. Até, porque hoje em dia, quando pensamos no mundo do trabalho, acho que não esperamos trabalhar só em Portugal ou não só com pessoas portuguesas”, pelo que “conhecer várias formas de pensar e diversos tipos de comportamentos e culturas é imperativo neste mundo global”.

Os 1700 euros da Bolsa Santander deram para pagar a renda – na Zona 5, a segunda mais segura da capital boliviana, logo a segunda mais cara –, a alimentação e algumas viagens de enriquecimento pessoal que fez dentro da Colômbia. “A bolsa não cobriu tudo – até porque as viagens de Portugal para a Colômbia são muito caras –, mas foi uma grande ajuda”, afirmou.

Sim, pode dizer-se que esta bolsa está a ajudar a orientar a minha carreira para vertentes em que eu não tinha pensado”, Bruna Coelho, bolseira Santander da U.Coimbra na Colômbia

Bruna conta que sempre teve especial queda para as questões humanitárias, bem como de segurança e desenvolvimento dos povos, mas ajudar na primeira pessoa os que procuraram o auxílio da embaixada portuguesa em Bogotá, enquanto lá esteve pode ter ajudado a fixar um novo rumo para a sua vida profissional. “Sim, pode dizer-se que esta bolsa está a ajudar a orientar a minha carreira para vertentes em que eu não tinha pensado”, contou. Isto, porque “ajudar pessoas faz-nos sentir bem connosco próprios e que estamos a fazer alguma coisa que merece ser feita”, pelo que o trabalho humanitário é algo que traz no horizonte depois deste programa de mobilidade.

Vânia Vasconcelos, de 45 anos e historiadora, professora na Universidade Federal da Bahia, fez o percurso inverso: veio de Salvador, no Brasil, para a U. Coimbra. Escolheu esta escola superior por causa do seu Centro de Estudos Sociais (CES), já que o seu campo de pesquisa “concentra-se na história das mulheres, relações de género e feminismos”.

“Considero a mobilidade e os intercâmbios entre faculdades essenciais, para estudantes e investigadores”, afirmou Vânia Vasconcelos. Diz esta professora que “o conceito de troca cultural, de conhecimentos é essencial para se poder aprender coisas novas e ampliar as perspetivas do mundo”.

Neste ponto, quer Vânia Vasconcelos, quer Bruna Coelho vão ao encontro da opinião do vice-reitor da Universidade de Coimbra, Luís Neves. À saída da cerimónia de certificação dos bolseiros (veja aqui o vídeo), no dia 14 de novembro, dizia o responsável acerca da mobilidade de estudantes e docentes: “É naturalmente uma experiência de vida enriquecedora (…). É sempre extremamente importante, no percurso profissional, conhecer-se outras culturas, outras formas de trabalhar e enriquecer a sua vida profissional por essa via”.

Tal como os seus 25 colegas bolseiros, Vânia Vasconcelos recebeu o seu certificado da Bolsa de Mobilidade Santander em Coimbra na cerimónia do passado dia 14 de novembro. Presidindo à cerimónia estiveram Marcos Soares Ribeiro (à dta.), diretor-coordenador do Santander Universidades, e Luís Neves, vice-reitor das U.Coimbra para as Finanças e Recursos Humanos. FOTO: Paulo Amaral / U.Coimbra

Tal como os seus 25 colegas bolseiros, Vânia Vasconcelos recebeu o seu certificado da Bolsa de Mobilidade Santander em Coimbra na cerimónia do passado dia 14 de novembro. Presidindo à cerimónia estiveram Marcos Soares Ribeiro (à dta.), diretor-coordenador do Santander Universidades, e Luís Neves, vice-reitor da U.Coimbra para as Finanças e Recursos Humanos. FOTO: Paulo Amaral / U.Coimbra

De facto, para Vânia Vasconcelos, a experiência de uma mobilidade vai um pouco além do plano académico: “provoca uma certa transformação na vida pessoal, porque transforma o olhar – toda a vez que a gente sai, a gente volta com um olhar diferenciado, a gente pode ver as coisas numa outra perspetiva”.

“O conceito de intercâmbio, de troca cultural, de troca de conhecimentos, para mim, é essencial para você poder aprender novas coisas e também poder ampliar as suas perspetivas do mundo. Então, para mim, esta é uma experiência que vai um pouco além do académico”, afirmou a invetsigadora.

Vânia Vasconcelos chegou a Portugal em setembro de 2019 e vai ficar em Portugal durante um ano. Mais uma vez, a bolsa Santander (no valor de 2.300 euros) não cobre todas as suas despesas, mas “tendo em conta que no contexto atual do Brasil está a haver muitos cortes de financiamento para estudantes e investigadores, essa bolsa foi muito importante para me possibilitar essa mobilidade e essa experiência”, disse.

VV1Considero a mobilidade e os intercâmbios entre faculdades essencial, para estudantes e investiga- dores. O conceito de troca cultural, de troca de conhecimentos é essencial para se poder aprender coisas novas e ampliar as perspetivas do mundo”, Vânia Vasconcelos professora e investigadora da Universidade da Bahia e bolseira na U.Coimbra.

Depois, no caso de Vânia Vasconcelos, que além de lecionar no curso de licenciatura é também professora de pós-graduação na UFBA, os benefícios são mútuos: para si própria e para a Universidade de Coimbra. “Um dos objetivos da minha vinda aqui também é promover o convénio entre a Universidade do Estado da Bahia e a Universidade de Coimbra, no sentido de que tanto a UC pode vir a convidar investigadores brasileiros para estarem aqui, como também nós, na UFBA, pretendemos convidar investigadores, especialmente do CES, para irem ao Brasil e fazerem palestras e consolidar essa troca de uma forma mais efetiva”, revelou.

No ano letivo de 2018/19, a Universidade de Coimbra recebeu 1.773 estudantes em programas de mobilidade e enviou para universidades estrangeiras 734 bolseiros Santander. Na cerimónia do dia 14 de novembro, foram entregues 26 certificados a bolseiros Santander (estudantes e docentes), dois dos quais, como foi o caso de Vânia Vasconcelos, já inseridos no programa de mobilidade de 2019/2020.

As Bolsas Santander Universidades destinam-se a financiar mobilidade para estudos e/ou estágio, neste caso, para estudantes de todos os ciclos de estudos, ou para ensino/investigação. Neste último caso, abrange estudantes de mestrado ou doutoramento, para fazerem investigação no âmbito da respetiva tese, ou docentes para atividades de investigação ou ensino.

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