Dia Mundial do Voluntário

Escolas do Porto, Trás-os-Montes e Setúbal conquistam PVU 2019

Os elementos dos projetos vencedores dos PVU 2019, no final da cerimónia, junto dos responsáveis dos PVU e do Banco Santander.
FOTO: D.R. / Paulo alexandre coelho
Os elementos dos projetos vencedores dos PVU 2019, no final da cerimónia, junto dos responsáveis dos PVU e do Banco Santander. FOTO: D.R. / Paulo alexandre coelho

Cerimónia de divulgação e entrega dos prémios decorreu esta 5.ª feira. Projetos de inclusão social, de apoio a idosos e a crianças foram os vencedores

Os Prémios de Voluntariado Universitário Santander 2019 foram divulgados e entregues esta quinta-feira, 5 de dezembro, Dia Internacional do Voluntário. A cerimónia decorreu na sede do Banco Santander, em Lisboa e, este ano, a região norte voltou a brilhar, com escolas da Invicta e de Trás-os-Montes a saírem premiadas – a U.Porto e a UTAD –, a que se juntou Setúbal, como seu Instituto Politécnico a figurar entre os três vencedores desta 4.ª edição dos PVU.

“Este prémio representa um privilégio por conseguirmos, sendo o primeiro projeto que estamos a realizar, ter este reconhecimento”, afirmou Filipa Domingos, aluna do IP de Setúbal e um dos elementos do projeto Comunidade para Uma Vida Saudável. A jovem estudante do 3º ano de Desporto da Escola Superior de Educação deste Politécnico explicou que o principal objetivo da iniciativa lançada este ano é “melhorar a qualidade de vida de moradores do Bairro da Bela Vista através da atividade física”.

Além deste, foram ainda distinguidos com um Prémio PVU, de entre 10 finalistas e 100 candidatos, os projetos Escola de Superpoderes, da U.Porto, e Gerações Unidas, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

“Sermos distinguidos com este prémio representa o reconhecimento do um trabalho de equipa de um ano inteiro, representa a não-desistência, mesmo em situações complexas de trabalho, e representa os valores que nós queremos apresentar à sociedade”, disse Susana Campos, doutoranda da UTAD e membro do projeto Gerações Unidas, que “visa colmatar a solidão dos idosos que vivem na cidade”.

Elementos do projeto Gerações Unidas, vencedor de um PVU 2019, com Susana Campos (3ª a contar da dta.). Na foto estão também Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander (1ª à esq.), Cristina Louro, presidente do júri PVU (4ª a contar da esq.), seguida de Inês Oom de Sousa, administradora do Santander, e António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD (à dta.). FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho

Elementos do projeto Gerações Unidas, vencedor de um PVU 2019, com Susana Campos (3ª a contar da dta.). Na foto estão também Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander (1ª à esq.), Cristina Louro, presidente do júri PVU (4ª a contar da esq.), seguida de Inês Oom de Sousa, administradora do Santander, e António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD (à dta.). FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho

“Cada vez mais é necessário, além daquilo que as instituições de solidariedade social já têm feito, que é bastante, dar atenção aos idosos: eles precisam de alguém que fale com eles, que lhes façam companhia. É uma troca e uma partilha de experiências entre duas gerações”, acrescentou Susana Campos.

Já Inês Monteiro, gestora de projetos do Movimento Transformers, criador da Escola de Superpoderes, outro dos vencedores, reagiu deste modo: “Ficámos muito contentes com o PVU, porque ele significa que estamos a ter o impacto que queremos e que estamos no bom caminho”.

Pedro Castro e Almeida, presidente do Santander, junto de Inês Monteiro, do projeto Escola de Superpoderes, seguida de Cristina Louro, Inês Oom de Sousa e António Sousa Pereira, reitor da U.Porto. (Clique na foto para ampliar). FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho

Pedro Castro e Almeida, presidente do Santander, junto de Inês Monteiro, do projeto Escola de Superpoderes, seguida de Cristina Louro, Inês Oom de Sousa e António Sousa Pereira, reitor da U.Porto. (Clique na foto para ampliar). FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho

A Escola de Superpoderes tem uma metodologia própria, acrescenta: ” cada um de nós tem um talento, tem uma coisa em que é bom e que gosta de fazer e utilizamos isso em prol da nossa comunidade. Desta forma, todos nós conseguimos impactar de forma positiva as pessoas que estão à nossa volta”. Com o seu método, esta escola especial não só ajuda jovens carenciados e vulneráveis, como acaba por capacitá-los para fazer o mesmo, isto é, terem uma participação social cívica e mais ativa, passando assim de beneficiários do projeto a voluntários seus ou mentores.

Inês Monteiro salientou ainda que a conquista do PVU 2019 permite “alavancar um bocadinho mais o projeto e assim chegar, com o respetivo prémio monetário, a públicos que, de outra forma, não teriam acesso a esta metodologia [da Escola de Superpoderes]”.

Com efeito, cada um dos três principais PVU valeu este ano 4000 euros, além de um ano de mentoria de estratégia empresarial por elementos sénior do Banco Santander.

Filipa Domingos revelou que, com esse montante, o projeto Comunidade para Uma Vida Saudável vai realizar mais atividades e adquirir mais equipamentos que permitam avaliar melhor a condição física dos moradores do Bairro da Bela Vista, cuja qualidade de vida querem melhorar. Por seu lado, Susana Campos diz que o Gerações Unidas vai usar o prémio para investir na formação de voluntários e “realizar alguns dos desejos que os idosos têm”.

Os elementos do projeto Comunidade para Uma Vida Saudável, do IP de Setúbal, com FIlipa DOmingo ao centro segurando o galardão, fizeram subir ao palco da cerimónia de entrega dos PVU 2019 alguns dos seus beneficiários. Na foto, estão tambem responsáveis do Banco Santander e do Politécnico de Setúbal, bem como Cristina Louro (ao centro), presidente do Júri PVU. FOTO: D. R. / Paulo Alexandre Coelho.

Os elementos do projeto Comunidade para Uma Vida Saudável, do IP de Setúbal, com FIlipa DOmingo ao centro segurando o galardão, fizeram subir ao palco da cerimónia de entrega dos PVU 2019 alguns dos seus beneficiários. Na foto, estão tambem responsáveis do Banco Santander e do Politécnico de Setúbal, bem como Cristina Louro (ao centro), presidente do Júri PVU. FOTO: D. R. / Paulo Alexandre Coelho.

Outra das categorias destes prémios é o PVU Comunicação, entregue ao projeto cujo vídeo de candidatura for mais votado pelo público. Nesta 4ª edição dos PVU, este prémio coube não a um, mas a dois projetos ex aequo: o QUALidade, do Politécnico do Porto, e o U.Dream da Universidade do Porto.

“Este prémio representa muito para nós, porque o vídeo é a imagem do que foi aquela semana: nota-se os afetos, as relações, tudo o que aconteceu. Mais do que ganhar o prémio é saber aquilo que nós fizemos e o que foi, para nós o projeto”, disse Luís Maia, estudante do 3º ano da Escola Superior de Educação do IP do Porto, membro do projeto QUALidade.

Trata-se este de um projeto intergeracional que consiste num campo de férias para idosos em risco de abandono em que são dinamizadas atividades através de voluntariado jovem. “Este prémio vai servir de estímulo para voltarmos a ser candidatos para o ano e para continuarmos a fazer mais e melhor noutras localidades de Portugal, para continuarmos a fazer a diferença “, concluiu Luís Maia.

Já para Diogo Cruz, diretor executivo do U.Dream, “os PVU são sempre iniciativas muito positivas”: por um lado, disse, por ajudarem a desenvolver financeiramente alguns projetos que estão como que em linha de espera, por outro, pelo divulgação dada ao projeto. “Obviamente que [receber um PVU] também tem um enorme impacto, em termos de comunicação, e o facto de podermos apresentar-nos como um dos vencedores dos Prémios de Voluntariado Universitário do Santander dá sempre algum prestígio à marca e comunicação dos projetos sociais”, afirmou.

Quanto ao PVU Comunicação, em concreto, que o U.Dream recebeu, “há sempre muitas coisas para se fazer nos projetos sociais e estamos sempre num grande constrangimento de recursos para os conseguir fazer, portanto, todos estes concursos são super-positivos para podermos tentar implementar uma outra diferença ou projeto na organização”.

Membros do projeto QUALidade (à esq.), onde figura Luís Maia, junto da responsável da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, seguida de Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander, Cristina Louro, presidente do júri dos PVU, Inês Oom de Sousa, Administradora do Santander, Diogo Cruz, diretor executivo do U.Dream, premiado com o PVU Comunicação, junto de António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto. FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho

Membros do projeto QUALidade (à esq.), onde figura Luís Maia, junto da responsável da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, seguida de Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander, Cristina Louro, presidente do júri dos PVU, Inês Oom de Sousa, Administradora do Santander, Diogo Cruz, diretor executivo do U.Dream, premiado com o PVU Comunicação, junto de António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto. FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho

Com a vitória inédita de dois projetos, nesta categoria, que esteve a votação entre 27 de novembro e 5 de dezembro, obtendo cada um deles 33% dos votos, na prática o resultado é que os 1.000 euros que o acompanham foram divididos em dois.

A completar a entrega de galardões, resta referir o PVU IES +Voluntária, uma menção honrosa para a instituição do ensino superior que mais candidaturas apresentou. Nesta 4.ª edição dos PVU, a U.Porto voltou a sagrar-se a campeã incontestável da solidariedade, com 21 projetos candidatos.

António Sousa Pereira, reitor da U.Porto, contou o segredo da instituição que rege para se destacar tanto neste campo. Referindo que o voluntariado dos estudantes da U. Porto já começou há muito tempo, revelou: “Depois de eu ter chegado à reitoria, instituímos o voluntariado como uma ação creditável – ou seja, na U.Porto o voluntariado é creditado”, disse, o que mereceu uma salva de palmas da audiência. “Portanto, os estudantes que queriam fazer ações de voluntariado e se esta for previamente acreditadas pela reitoria, isso conta como créditos no currículo e pode ser contabilizado como uma cadeira de opção e os estudantes podem substituir uma cadeira de opção por uma ação de voluntariado”, explicou o professor Sousa Pereira.

“Aquilo que vêm aqui, neste resultado hoje, não é fruto do acaso, mas de uma política sustentada e que já vem de há algum tempo no sentido de incorporar o voluntariado como uma atividade fundamental na academia e no desenvolvimento daqueles que nós queremos que sejam cidadãos exemplares”, disse o reitor da U.Porto, afirmando estar ao dispor das outras academias do país para partilhar a experiência acumulada.

Ao lado desta, como IES +Voluntária, esteve também o Instituto Politécnico de Setúbal, não apenas por ser a escola com o segundo maior número de projetos candidatos aos PVU, como por ser a que maior evolução teve de uma ano para o outro: de 1 projeto apresentado em 2108, passa para 9 candidaturas nesta 4ª edição.

Pedro Castro Almeida, (à esq.), presidente do Santander, seguido de Pedro Dominguinhos, pr. do IP de Setúbal, Cristina Louro, António Sousa Pereira, reitor da U.Porto, e Cristina Oom de Sousa, após a entrega dos prémios IES +Voluntária. FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho.

Pedro Castro Almeida, (à esq.), presidente do Santander, seguido de Pedro Dominguinhos, pr. do IP de Setúbal, Cristina Louro, António Sousa Pereira, reitor da U.Porto, e Cristina Oom de Sousa, após a entrega dos prémios IES +Voluntária. FOTO: D.R. / Paulo Alexandre Coelho.

Além da divulgação e entrega dos prémios, a cerimónia incluiu uma mesa redonda – que discutiu o tema “IES e Sociedade” – e a passagem pelo palco de vários responsáveis dos PVU e do Santander. Entre estes, esteve Javier Lopes, diretor corporativo de impacto social da área das universidades do Santander, que falou da visão e da estratégia do banco para este segmento, e Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander Portugal.

Tal como Cristina Louro, presidente do júri dos PVU já antes tinha sublinhado durante a sua intervenção, Castro e Almeida salientou o dados dos PVU 2019. “Foi com grande que registei o número de candidaturas este ano: 100 candidaturas, que impactam em cerca de 100 mil pessoas, que são beneficiadas, e envolvem cerca de 4.000 voluntários”, disse.

Depois, dirigindo-se aos finalistas presentes, afirmou: “Não há vencedores e vencidos aqui, nestes prémios: os primeiros vencedores são os beneficiários das causas a que vocês se dedicaram”. Indo ao encontro deste entendimento do seu chefe máximo em Portugal, esteve a decisão do Banco Santander de este ano atribuir um valor pecuniário de 1.000 euros a cada um dos restantes sete finalistas não premiados.

Referindo as estatísticas do INE referentes ao número de voluntários registados em Portugal, cuja média é de 11% da população contra os 25% da União Europeia, Pedro Castro e Almeida disse acreditar que o número é muito superior – porque o povo português é muito solidário –, só que não estarão registados.

Números de Portugal no INE em termos do que é que são os voluntários registados versus a União Europeia, aparecemos muito abaixo, cerca de 11% contra uma média de 25% na EU, mas eu duvido que todos os voluntários em Portugal e acho que este número é superior.

Por isso, Pedro Castro e Almeida despediu-se com um repto: “O desafio que eu vos deixo, não só a vocês, mais jovens, mas também a quem vos acompanha, seja ao nível dos reitores e presidentes das universidades e institutos, como também aos voluntários do Santander, é que não deixem esmorecer esse desejo de fazer a diferença e pode ser que contaminem outras pessoas que andam por aí distraídas.”

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