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Politécnico de Beja faz balanço positivo das inovadoras Bolsas de Mérito

Desde atividades em projetos de investigação e em laboratórios, como o do Cebal, a outros de solidariedade social, as Bolsas de Mérito do IPBeja disponibilizam um leque alargado de atividades. FOTO: IPBeja
Desde atividades em projetos de investigação e em laboratórios, como o do Cebal, a outros de solidariedade social, as Bolsas de Mérito do IPBeja disponibilizam um leque alargado de atividades. FOTO: IPBeja

Em três anos, já beneficiaram deste apoio 233 alunos. A par de uma compensação, os estudantes valorizam o seu currículo e ajudam a comunidade

– Existem desde 2014 e o seu sucesso está a dar que falar. As Bolsas de Mérito do Instituto Politécnico de Beja, criadas em parceria com o Banco Santander Totta, têm por função ajudar os alunos a suportar as despesas dos estudos, mas a troco do seu envolvimento em atividades à sua escolha, que os enriquecem enquanto pessoas e valorizam o seu currículo.

Segundo Paulo Cavaco, administrador do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) e responsável pelos Serviços de Ação Social deste estabelecimento, a ideia inicial da atribuição de uma Bolsa de Mérito foi “ajudar o estudante a poder prosseguir os seus estudos, mas não o fazer única e exclusivamente com a atribuição de uma bolsa”. Apelando ao sentido de responsabilidade e de compromisso dos alunos do IPBeja, este apoio requer algo em troca: a participação “em projetos que têm que ver com o curso que o aluno frequenta ou de solidariedade”, que acabam por contribuir para a sua própria valorização” e facilitar a sua integração no mercado de trabalho.

Os projetos à disposição dos alunos candidatos são dos mais variados e provêm quer do próprio IPBeja – colaborações em trabalhos de laboratório e de investigação nas suas escolas e departamentos –, quer de associações e entidades da comunidade em redor. “Fora da instituição, sublinho, por exemplo, o trabalho desenvolvido com a Cáritas, com a Cruz Vermelha ou com a Liga dos Amigos do Hospital” diz Paulo Cavaco. E nada impede que sejam os próprios alunos a apresentar um projeto seu, salienta.

Paulo Cavaco, administrador do IPBeja, faz um balanço muito positivo das Bolsas de Mérito do instituto. FOTO: IPBeja

Paulo Cavaco, administrador do IPBeja, faz um balanço muito positivo das Bolsas de Mérito do instituto. FOTO: IPBeja

“A adesão tem sido fantástica e reconhecida”, afirma o responsável do IPBeja. “Todos os anos este projeto cresce e temos cada vez mais candidatos e cada vez mais diversidade nos projetos”, avança. A título de exemplo, só no ano letivo passado foram pelo menos 80 os projetos propostos para aprovação. E fazendo as contas aos últimos dois anos, o número de alunos candidatos subiu de 111 para 167, dos quais 101 receberam Bolsa de Mérito no ano letivo de 2015/16 e 122 no ano de 2016/17, o que envolveu perto de 75 mil euros em compensações. No total, em três anos, beneficiaram das Bolsas de Mérito do IPBeja 233 estudantes, avançou o responsável.

“Quem faz o pagamento é o Banco Santander Totta. Não há aqui nenhum dinheiro do instituto envolvido”, esclarece Paulo Cavaco, avançando que o valor de compensação dos alunos é de 3,50 euros por hora de trabalho. “O estudante é livre de gerir como quiser essa bolsa, mas o que se pretende é que possa servir como um complemento e um apoio às despesas do estudo – e a experiência diz-nos que é isso que acontece”.

A contabilização das horas dedicadas por cada bolsista aos projetos em que foi colocado também é feita pelo banco, diz o responsável. Já a distribuição da carga horária, é da responsabilidade do instituto que, sem ultrapassar um máximo de 20 horas por semana, tem em atenção a disponibilidade de cada aluno e nunca compromete o desempenho no estudo, a frequência das aulas ou a participação na vida académica.

Sara Romero de Brito passou a integrar o projeto onde foi colocada durante a Bolsa de Mérito e a experiência inspirou a ideia da tese de mestrado que está a desenvolver na área da Engenharia do Ambiente. FOTO: S.R.Brito

Sara Romero de Brito passou a integrar o projeto onde foi colocada durante a Bolsa de Mérito e a experiência inspirou a ideia da tese de mestrado que está a desenvolver na área da Engenharia do Ambiente. FOTO: S.R.Brito

Estas limitações são compreensíveis e até necessárias, mas por vezes, são os próprios alunos que lamentam não poder dedicar mais tempo ao projeto da Bolsa de Mérito. Foi o caso de Sara Romero de Brito, engenheira do Ambiente licenciada pelo IPBeja que está a fazer também aqui o mestrado na mesma área. “Inicialmente foi-me dado um total de 200 horas, mas depois cortaram a carga horária para 117 horas, porque houve muitos pedidos de bolsas de mérito nesta área”, conta a engenheira.

Sara colaborou, no ano letivo de 2016/17, no Projeto HydroReuse, que já existia e se inseria na sua área de interesse. Desenvolvido em parceria com o IPBeja mas no Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Alentejo, este projeto “tem como principal objetivo o tratamento e reutilização de águas residuais agroindustriais”, explica a engenheira. Ou seja, essas águas são transformadas “em soluções nutritivas que, neste caso, são aplicadas num sistema hidropónico inovador para a produção de plantas de tomate”, esclarece.

“Não era uma carga horária certinha, mas deu mais ou menos cerca de 4 horas por semana, sendo que houve semanas em que fiz mais e outras em que fiz menos horas”, recorda Sara Romero de Brito. Ainda assim, o total das 117 horas renderam 409,50 euros, que Sara investiu no seu curso, mas não foi só. “Esta bolsa dá sempre uma ajuda financeira para prosseguirmos os nossos estudos, mas, mais do que isso, ganhei também a oportunidade de explorar e desenvolver outras competências, tanto a nível pessoal como profissional, que não se ganham com a licenciatura”, afirmou Sara acrescentando que, entretanto, integrou o Projeto HydroReuse e o tema sugeriu-lhe uma ideia que está a desenvolver para a tese de mestrado. “Acho que a experiência desta bolsa ajuda, depois, no mercado de trabalho”, concluiu.

A "água bruta" (muito suja e com resíduos, à esq.) passa por vários tratamentos até poder ser utilizada em estufas hidropónicas, explicou a engenheira Sara Romero de Brito. FOTO: IPBeja

A “água bruta” (muito suja e com resíduos, à esq.) passa por vários tratamentos até poder ser utilizada em estufas hidropónicas, explicou a engenheira Sara Romero de Brito. FOTO: IPBeja

Outra das bolsistas do ano letivo passado foi Cristina Cachapa, estudante do 3.º ano do Curso de Serviço Social, que já é uma veterana das Bolsas de Mérito do IPBeja. Esta foi a segunda vez que se candidatou e conseguiu obter este apoio, participando num projeto ligado à Liga dos Amigos do Hospital. Ao longo de 100 horas, Cristina deu apoio técnico a doentes com ostomia – que devido à falha de órgão interno são portadores de um dispositivo de comunicação com exterior, geralmente uma bolsa, que permite recolher os dejetos do organismo –, distribuindo bolsas, gel e outros medicamentos ou equipamentos de que necessitassem.

Cristina Cachapa está no 3.º ano do Curso de Serviço Social e, graças à Bolsa de Mérito do IPBeja, já está a ganhar experiência no terreno. FOTO: C.Cachapa

Cristina Cachapa está no 3.º ano do Curso de Serviço Social e, graças à Bolsa de Mérito do IPBeja, já está a ganhar experiência no terreno. FOTO: C.Cachapa

“Eu ficava na parte do atendimento social, com um colega que já lá trabalhava, em que, das 9 às 17 horas, estávamos disponíveis para prestar ajuda, via chamada telefónica ou mesmo diretamente nas instalações da Liga”, explicou Cristina Cachapa. “Não podíamos ultrapassar as 20 horas semanais e eu só podia trabalhar alguns dias por semana. Fizeram um contrato de 100 horas, que cumpri e que deu uma compensação de 350 euros”, contou.

Tal como Sara Romero de Brito, também Cristina Cachapa vai aplicar a Bolsa de Mérito de 2016/17 nos custos dos seus estudos, “porque apesar de se realizar nos meses de maio, junho e julho, acaba sempre por ser uma reserva para o ano seguinte”. E dois anos volvidos, a estudante ainda não se cansou. “A experiência foi positiva e eu tenho o objetivo de repetir”, afirma. Isto porque, não suas palavras, participar “é bom para os alunos, que têm mais esse financiamento, mas também acaba por ser bom para a aprendizagem, principalmente na vertente prática, de contacto com os utentes, que é muito importante no Serviço Social”, diz, referindo-se ao seu curso em particular. “Acaba por ser um pouco daquilo que eu posso vir a exercer”, conclui Cristina Cachapa.

 

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