Programa de intercâmbio

Universidade de Coimbra certificou os 37 bolseiros Santander 2016/17

À saída da cerimónia de entrega dos certificados, os responsáveis do Banco Santander Totta e da Universidade de Coimbra posaram no exterior desta instituição com os bolseiros do ano letivo 2016/17.
À saída da cerimónia de entrega dos certificados, os responsáveis do Banco Santander Totta e da Universidade de Coimbra posaram no exterior desta instituição com os bolseiros do ano letivo 2016/17.

Estudantes e professores bolseiros da UC são unânimes: as Bolsas Santander Universidades trazem conhecimentos únicos e abrem novas oportunidades

– Decorreu esta terça-feira, 21 de novembro, a cerimónia de entrega dos “diplomas” aos 37 bolseiros deste ano da Universidade de Coimbra ao abrigo do Programa Santander Universidades. A cerimónia, que teve lugar na Sala do Senado, foi presidida pelo reitor João Gabriel Silva e pelo diretor-coordenador do Santander Universidades, Marcos Soares Ribeiro, tendo nela participado vários beneficiários daquele programa de bolsas, que sublinharam a “experiência única” vivida durante este intercâmbio e as portas que o mesmo lhes abriu.

As Bolsas Santander Universidades visam apoiar a mobilidade e destinam-se a estudantes e docentes da Universidade de Coimbra, que realizem períodos de estudo, docência ou investigação numa instituição na América Latina, Espanha e Países de Língua Oficial Portuguesa. Por isso, na lista dos bolseiros que receberam na terça-feira os seus certificados contaram-se alunos da Universidade de Coimbra que foram lá fora, estrangeiros que vieram à cidade portuguesa dos Estudantes e professores que também beneficiaram do intercâmbio permitido pelo programa.

Marcos Soares Ribeiros (à esq.), diretor-coordenador do Santander Universidades, e João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, discursaram na sessão solene.

Marcos Soares Ribeiros (à esq.), diretor-coordenador do Santander Universidades, e João Gabriel Silva, reitor da Universidade de Coimbra, discursaram na sessão solene.

A partilha do conhecimento operada através da mobilidade entre instituições de ensino superior foi precisamente o fator que Marcos Soares Ribeiro, diretor-coordenador do Programa Santander Universidades, sublinhou durante a cerimónia solene. Para o responsável, o programa de bolsas do banco em parceria com a Universidade de Coimbra (UC) está a traduzir-se na criação de “um espaço ibero-americano do conhecimento”. Já João Gabriel Silva, reitor daquela universidade, salientou a abertura de horizontes permitida pelo programa de intercâmbio, “num mundo em que vemos ser muito amplificadas as intolerâncias”.

Para Eduardo Barata, professor da Faculdade de Economia da UC, a mais-valia das Bolsas Santander Universidades é a possibilidade de se “fazer a mobilidade com países não abrangidos por outros programas, nomeadamente na América Latina ou em Angola, o que o torna mais oportuno ou, porventura, mais interessante”. Angola foi precisamente o país que o docente escolheu para se candidatar àquele programa: optou por uma bolsa de curta duração, na modalidade de ensino/investigação – no valor de 1.250 euros –, que o levou durante três semanas ao Instituto Superior Politécnico de Tundavala, na Província de Huíla.

Aí, Eduardo Barata observou que os angolanos vivem na expectativa “de um futuro diferente, assente numa retoma económica que se possa traduzir numa diminuição das desigualdades e num aumento da qualidade de vida”. E a forma mais fácil de conseguir isso, diz o professor, é através do ensino e do aumento da formação. Ou seja, há uma margem para que o ensino superior, a ciência e tecnologia possam alimentar o processo de crescimento de Angola, defende.

Assim, além da “experiência extraordinariamente enriquecedora” que foi o intercâmbio ao abrigo da Bolsa Santander Universidades, Eduardo Barata diz ter encontrado “pessoas muito disponíveis para abraçarem e contribuírem, dentro das suas competências, para projetos” em que já está a trabalhar – na sua área de estudo, que está ligada à Economia do Ambiente. O professor diz sentir que pode “contribuir para criar diferença”, porque a sustentabilidade do projeto de crescimento angolano depende de este país conseguir sair da forte dependência do petróleo, sobretudo, e de outras matérias-primas. Neste sentido, “há uma disponibilidade muito grande para criar pontos de ligação e há pessoas que já me contactaram para avaliarem a possibilidade de fazerem períodos de estudo e de trabalho em Portugal e na Universidade de Coimbra”, concluiu.

As bolsas vistas por quem estuda

Diana Freitas (de verde), junto a duas colegas brasileiras, um professor de Odontologia e um paciente (ao centro), na Universidade de São Paulo. Foto: D.Freitas

Diana Freitas (de verde), junto a duas colegas brasileiras, um professor de Odontologia e um paciente (ao centro), na Universidade de São Paulo. Foto: D.Freitas

Diana Freitas, hoje com 24 anos, foi uma das beneficiárias das Bolsas Santander Universidades 2016/17. Tendo terminado a licenciatura em Medicina Dentária na Universidade de Coimbra em julho do ano passado, concorreu ao programa de intercâmbio para fazer um estágio pós-curso. A bolsa, no valor de 2.300 euros, financiou quatro meses – entre setembro a dezembro de 2016 – na Universidade de São Paulo (USP).

“Esta bolsa permitiu-me poder viver uma das melhores e mais enriquecedoras experiências da minha vida”, disse Diana Freitas. “Principalmente a nível profissional, já que a USP foi classificada como a melhor universidade do mundo na área da Odontologia”, garantiu a jovem médica. No seu discurso durante a cerimónia de terça-feira, Diana Freitas referiu ter “tido oportunidade de ver e praticar junto de médicos dentistas muito prestigiados”, sublinhando que, no que respeita à Odontologia, o Brasil é pioneiro em muitas técnicas e práticas. “Aprendi e cresci muito e obtive um fator diferenciador que me abriu as portas do mercado de trabalho – já estou a trabalhar numa clínica privada, em Águeda”, revelou ao Dinheiro Vivo.

Tomás Mesquita, estudante de Coimbra, tirou o seu 4.º ano do curso de Arquitetura, em 2016/17, na Pontificia Universidad Catolica de Valparaíso (PUCV), no Chile. Tomás terminou o programa de intercâmbio que o levou durante um ano letivo inteiro a esta faculdade com quatro meses financiados por uma Bolsa Santander Universidades, no valor de 2.300 euros.

Tomás Mesquita (à esq.), foi à Patagónia chilena com o Departamento de Arquitetura da PUCV ajudar a construir um miradouro. FOTO: T.Mesquita

Tomás Mesquita (à esq.), foi à Patagónia chilena com o Departamento de Arquitetura da PUCV ajudar a construir um miradouro. FOTO: T.Mesquita

“Foi uma experiência que eu considero única, porque a Arquitetura não é um ciência exata e preza muito a troca de ideias e de conhecimentos – não há o certo e o errado”, explicou o estudante, que é este ano finalista. Concretizando um pouco melhor, disse Tomás Mesquita: “O facto de ter conseguido ir para outra cultura, que tem outra maneira de ver e de trabalhar a Arquitetura enriqueceu-me. Até o modo de ensinar é diferente, porque lá constroem muito, têm muitas aulas práticas”. A título de exemplo, o futuro arquiteto referiu uma das viagens de trabalho realizadas pelo Departamento de Arquitetura da PUCV que o levou a Puerto Cines, na Patagónia chilena, onde participou na construção de um miradouro sobre um rio. E tudo isso “só foi possível graças a esta bolsa”, concluiu.

Ao contrário dos seus colegas de intercâmbio, Gabriela Alves, estudante do 2.º ano de Comunicação Social na Universidade do Estado da Baía (Uneb), no Brasil, só agora está a usufruir da Bolsa Santander que conquistou. A jovem aproveitou o intercâmbio permitido pelo programa de mobilidade Santander-UC para vir fazer um semestre a Coimbra, que terminará em fevereiro de 2018.

Gabriela Alves, aqui nas escadarias do Colégio de S. Jerónimo da Universidade de Coimbra, veio do Brasil para fazer um semestre de Jornalismo nesta instituição. FOTO: G.Alves

Gabriela Alves, aqui nas escadarias do Colégio de S. Jerónimo da Universidade de Coimbra, veio do Brasil para fazer um semestre de Jornalismo nesta instituição. FOTO: G.Alves

Também para Gabriela a Bolsa Santander Universidades – cujo valor rondou cerca de 1.850 euros – está a ser “uma experiência única”, em parte devido ao “método de ensino novo e diferenciado” que encontrou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). A futura jornalista elogia, sobretudo, a liberdade dada ao aluno para montar a grelha de cadeiras que melhor vá ao encontro dos seus interesses. E com um “olhar multidisciplinar”, sublinha. “Na FLUC, eles têm o pensamento de que o aluno deve ter acesso a todo o conhecimento da universidade. Por exemplo, apesar de estar em Jornalismo, eu posso fazer matérias de Geografia, de História, enfim, de qualquer curso dentro da universidade”, explicou Gabriela Alves.

Dos 37 bolseiros da Universidade de Coimbra no âmbito do Programa Santander Universidades, no passado ano letivo, a grande maioria frequentava a Faculdade de Medicina, segundo dados avançados por aquela instituição. De acordo com o banco, em 2016 e 2017, cerca de 100 estudantes receberam Bolsas Santander Universidades, cujo valor unitário oscila entre 1.250 e 5.000 euros.

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