Inovação

Projetos vencedores da EIA aceleram para a concretização

O presidente da EIA, Alar Kolk (à esq), no momento da entrega do prémio à equipa da Left, composta por Shayanne Wright, Pieter Peeters, Aron Van Es, Hannes Vanoverschelde, João Albuquerque. FOTO: D.R.
O presidente da EIA, Alar Kolk (à esq), no momento da entrega do prémio à equipa da Left, composta por Shayanne Wright, Pieter Peeters, Aron Van Es, Hannes Vanoverschelde, João Albuquerque. FOTO: D.R.

Passado perto de um mês desde que conquistaram a preferência da Academia da Inovação, quatro equipas vencedoras contam como vão os seus projetos

– Um mês depois do encerramento da primeira European Innovation Academy (EIA) realizada em Portugal, como vão os projetos vencedores? A resposta é simples: em processo de aceleração, quase prontos a passar do protótipo miniatura a outro de tamanho real e, em alguns casos, prevendo já o lançamento para breve. As dez ideias que, no Estoril, a 4 de agosto, arrebataram os troféus da EIA – o maior programa de aceleração em inovação digital da Europa – vão de plataformas online para investimento urbanístico, a inovadores dispositivos para produção de energia elétrica e a aplicações informáticas que ajudam a organizar o tempo ou a trocar dados entre estudantes e mentores de programas de intercâmbio, só para citar alguns.

Para os jovens futuros empresários cujos projetos ficaram no top-10 das melhores propostas feitas na EIA portuguesa, não houve nem haverá férias tão depressa. Enquanto aguardam pelo início das mentorias de especialistas da EIA – que fazem parte do prémio conquistado –, os responsáveis de cada projeto aplicam-se a desenvolvê-lo o mais que podem (antes da afinação de quem sabe mais e melhor) e a preparar os processos de registo de patente.

“Ganhámos o direito de usufruir da ajuda de um mentor durante o período de um ano, ou seja, até ao verão de 2018”, explicou João Albuquerque, responsável pela vertente tecnológica da Left, um dos projetos vencedores. (Dos dez que impressionaram os investidores e membros da EIA na final, cinco são de equipas que incluem portugueses). Mas enquanto aguarda, a equipa está já a preparar um plano para poder lançar a sua ideia. Segundo explicou João Albuquerque, a Left é uma aplicação que agrega as informações trocadas entre coordenadores e alunos de programas de mobilidade internacionais, como o Erasmus, ou até de outras pessoas cuja contribuição seja útil. A vantagem da Left é que “permite o acesso a essas informações offline”, diz o responsável. “Os próximos passos consistem em atrair investidores e manter contacto com possíveis compradores – já conseguimos aumentar o número de utilizadores previsto pelas cartas de intenção de compra para cerca de 1500”, revela João Albuquerque.

Alar Kolk (à esq.), da EIA, seguida da equipa da Tiger Time, José Luís Pereira, Adam O'Neill, Natalia Pineda, João Cartucho e Peter Jones. FOTO: D.R.

Alar Kolk (à esq.), da EIA, seguida da equipa da Tiger Time, José Luís Pereira, Adam O’Neill, Natalia Pineda, João Cartucho e Peter Jones. FOTO: D.R.

Um projeto para fazer render o tempo

É também no universo da internet que funcionará a Tiger Time, outro projeto vencedor que se propõe ajudar a que cada um “faça mais com o seu tempo”. Nas palavras de José Luís Pereira, um dos responsáveis, “a Tiger Time é uma aplicação que tem como propósito conjugar os objetivos dos utilizadores com o tempo que estes lhes alocam”. Ou seja, explicando melhor, o que se propõe é que quem usar a aplicação defina um objetivo, quais as tarefas necessárias para o alcançar, quanto tempo quer dedicar à sua concretização, e a Tiger Time se encarregará de incutir no utilizador o compromisso de não se deixar dispersar durante a sua execução. “Acreditamos que na Economia da Atenção o recurso mais valioso é o tempo”, rematou José Luís Pereira. “A aplicação está a ser desenvolvida e a expectativa é que, em breve, seja lançada no mercado”, revelou.

Na mesma fase de desenvolvimento está o Renvest. “Neste momento, estamos a definir a nossa estratégia de abordagem e lançamento no mercado. E procuramos um investidor estratégico para alavancar o negócio”, disse Pedro Fonte, CEO do projeto. Como explica o responsável, o Renvest é uma plataforma de crowdfunding – isto é, que angaria financiamento através de pequenas contribuições de muitas pessoas – para investimento em projetos imobiliários de reabilitação urbana. “Brevemente, esperamos lançar a plataforma online, permitindo aos utilizadores investir em projetos imobiliários de reabilitação urbana com uma quantia mínima de 100€ e obter um excelente retorno com reduzido perfil de risco”, explicou.

A equipa do Renvest - (da esq. para a dta.) Pedro Fonte, Francisca Pereira, Lukus Ratz e Stefan Messinger - depois de vencer na EIA FOTO: D.R.

A equipa do Renvest – (da esq. para a dta.) Pedro Fonte, Francisca Pereira, Lukus Ratz e Stefan Messinger – depois de vencer na EIA FOTO: D.R.

Em fase mais precoce está o Powerburp, um projeto que implica maior logística no terreno. “O que estamos a fazer neste momento é começar o protótipo de larga escala e escrever a patente, de modo a termos o processo seguro e que ninguém nos copie”, contou Pedro Sobral, um dos responsáveis. A ideia consiste num dispositivo desenhado para ser instalado em vacarias e recolher o metano libertado pelo arroto das vacas, que será depois queimado para gerar eletricidade para as próprias quintas. “Neste momento, estamos a montar um protótipo com uma escala média – com uma ou duas vacas – para que possamos provar ao investidor que conseguimos recolher uma quantidade razoável de gás, de modo a que valha a pena investir no projeto”, disse.

O presidente da EIA (à esq.) com a equipa Eco-5 criadora do projeto Powerburp, Marta Pereira, Pedro Sobral, Raul Vences, Rui Cabral e David Coutinho. FOTO: D.R.

O presidente da EIA (à esq.) com a equipa Eco-5 criadora do projeto Powerburp, Marta Pereira, Pedro Sobral, Raul Vences, Rui Cabral e David Coutinho. FOTO: D.R.

Mesmo tão incipiente, o Powerburp não deixa de atrair atenções. “Incrivelmente, apesar de não termos ainda um protótipo desenvolvido, as pessoas acham o projeto bastante interessante. Já temos várias empresas que, se conseguirmos provar que é possível o que propomos, estão dispostas a investir e também já temos dois ou três agricultores disponíveis para fazer da sua a nossa quinta-piloto”, revela Pedro Sobral. Uma das empresas interessadas em investir, se o Powerburp funcionar, é estrangeira e atua na área do biogás, adianta o responsável.

Estas são apenas quatro das dez ideias que conquistaram os investidores da EIA. Alo!Health, Brizzlebee, On Fire Tube, Paperchain, RippleFarm e ScoolX foram os restantes projetos vencedores. Dos 50 estudantes que integram o total das dez equipas finalistas, 13 são portugueses.

A EIA é o maior programa universitário de aceleração em Inovação Digital da Europa, que se realizou pela primeira vez em Portugal, entre 16 de julho e 4 de agosto, no Centro de Congressos do Estoril. O programa contou com a participação de aceleradoras de Silicon Valley e foi desenvolvido em colaboração com instituições de topo, como a UC Berkeley, a Stanford University e a Google.

O Santander Totta foi o parceiro exclusivo da EIA junto das instituições de Ensino Superior portuguesas e na área financeira. No âmbito do seu apoio, o banco atribuiu 35 bolsas, dando a oportunidade a jovens empreendedores de participar no evento.

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