Inovação

Prémios TecInnov aceleram tecnologia do futuro

A equipa que criou o FST 07E, um carro elétrico de Fórmula Student, é composta por 33 pessoas e os pilotos que o conduziram nas três provas deste ano são estudantes que dela fazem parte. FOTO: D.R.
A equipa que criou o FST 07E, um carro elétrico de Fórmula Student, é composta por 33 pessoas e os pilotos que o conduziram nas três provas deste ano são estudantes que dela fazem parte. FOTO: D.R.

Protótipos tecnologicamente inovadores, em parte financiados pelos prémios Santander Totta-IST, ajudam a formar uma nova geração de engenheiros

– Dois carros de corrida elétricos, um aeromodelo rádio-pilotado e uma lancha solar. São quatro projetos, quatro ideias tecnológicas inovadoras que partiram do Instituto Superior Técnico (IST) e foram medir forças com as suas congéneres pela Europa fora e até com marcas de renome mundial. Em comum têm o facto de integrarem a aplicação do último grito da investigação tecnológica e terem conquistado os Prémios TecInnov 2017, um galardão criado no âmbito do Programa Santander Universidades. Completados já três meses sobre a sua atribuição, a 6 de junho, os projetos são hoje casos de sucesso.

Todos os projetos vencedores dos Prémios TecInnov envolvem a criação de um protótipo de cariz tecnológico e inovador, capaz de disputar competições internacionais e, de caminho, proporcionar um campo de testes para a próxima geração de engenheiros de alto nível. E, tratando-se de um troféu que é fruto de uma parceria entre o Banco Santander Totta e o IST, todos eles são desenvolvidos por alunos deste instituto. Na edição de 2017, os prémios distribuídos atingiram o montante total de 15 mil euros, sendo que o valor máximo atribuído a um projeto nunca é mais de 5.000 euros.

Este ano, o vencedor da “taluda” dos Prémios TecInnov foi o Projeto FST Novabase, querendo a sigla significar Formula Student. Como se adivinha, o ideia é criar um carro de corridas, mas com algo de especial. O FST 07E, o bólide deste ano, é 100% elétrico, sem caixa de transmissão e é capaz de chegar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 2,3 segundos. “O que é mais rápido do que qualquer Ferrari de produção ou do que qualquer Porsche ou Lamborghini, qualquer carro de topo”, afirmou João Paulo Monteiro, líder da equipa de 2017.

Quanto à velocidade máxima, o FST 07E atinge “apenas” cerca de 100 km/h – o modelo de 2016 (o IST já inscreve uma equipa na Formula Student desde 2001) tinha uma velocidade de ponta de 150 km/h. “O motivo para isso é que, em carros deste tipo, há um trade-off entre velocidade de ponta e aceleração: quanto maior for a primeira, tipicamente, pior é a segunda. No nosso caso, quisemos maximizar a aceleração”, explicou o responsável. E no que respeita à autonomia, o FST 07E aguenta 22km a andar ao máximo, com as acelerações e travagens necessárias em qualquer circuito, o que equivale a meia-hora de corrida, avança João Paulo Monteiro.

O FST 07E é elétrico, vai dos 0 aos 100 km/h em 2,3 segundos, tem uma velocidade de ponta de 100 km/h e aguenta 22 km a andar ao máximo. FOTO: D.R.

O FST 07E é elétrico, vai dos 0 aos 100 km/h em 2,3 segundos, tem uma velocidade de ponta de 100 km/h e aguenta 22 km a andar ao máximo. FOTO: D.R.

O FST 07E participou este ano em três provas internacionais, realizadas na República Checa, Alemanha e Espanha, tendo esta última decorrido a 28 de agosto. As competições são compostas por uma prova estática, em que é avaliado o design de engenharia do carro, e por uma prova dinâmica, que é a corrida. “A nível de provas estáticas, a equipa teve resultados históricos”, diz João Paulo Monteiro, referindo-se ao 1º (na prova checa), 4º (na Alemanha) e 6º (em Espanha) lugares conquistados. As corridas é que podiam ter corrido melhor [trocadilho intencional]. Mas um problema na inspeção técnica do carro impediu a sua participação nas duas primeiras competições. Por causa disso “os resultados finais da equipa ficaram aquém daquilo que esperávamos e do potencial do carro que levámos”, lamenta João Paulo.

E onde é que entra o Prémio TecInnov no meio de tudo isto? “Esse prémio foi mais ou menos crítico para nós”, disse o futuro engenheiro. “Os 5.000 euros são aproximadamente o custo de inscrição nestas competições”, explicou.

Uma lancha de corrida movida a… Sol

O 2.º Prémio TecInnov 2017, no valor de 4.500 euros, coube ao projeto Técnico Solar Boat, que se propôs construir uma “embarcação tripulada de competição, movida exclusivamente a energia solar”, disse o líder da equipa, Manuel Simas. O resultado foi o São Rafael 01 – ou SR 01, na versão curta –, “um trimarã em fibra de carbono, com a capacidade de atingir velocidades superiores a 25 km/h”.

O SR 01 estreou-se a 13 de julho no Monaco Solar & Electric Boat Challenge, competição que é dividida entre a Top Class e a A Class, tendo o trimarã do IST integrado esta última. Logo na primeira corrida, a Fleet Race, que é uma prova de resistência, o SR 01 começou com um atraso de 20 minutos, devido a problemas técnicos, mas ainda assim conseguiu ficar em 5º lugar na sua classe e em 11º na geral, isto é, na junção da classificação de ambas as classes. Uma avaria grave no motor impediria o SR 01 de participar nas duas provas seguintes da competição, segundo relatou Manuel Simas, mas ainda conseguiu disputar a prova de Speed Record, que decorria à parte, só para testar a velocidade de cada barco. Aí, o SR 01 atingiu uma velocidade média de 25 km/h, ficando classificado em 4º lugar da sua classe e em 8º na geral, deixando assim para trás muitos barcos da Top Class. “A diferença entre a A Class e a Top Class é notória”, frisou Manuel Simas, “pelo que, para nós, foi muito positivo perceber que podíamos enfrentar algumas das embarcações da Top Class”.

Movido a energia solar, o SR 01 atinge uma velocidade média de 25 km/h e compete com barcos da Top Class. FOTO: D.R.

Movido a energia solar, o SR 01 atinge uma velocidade média de 25 km/h e compete com barcos da Top Class. FOTO: D.R.

“O próximo passo passa por melhorar todos os sistemas da embarcação e poder participar no maior número de competições possíveis em 2018”, disse o líder da equipa. E tudo isto só foi, em parte possível, com a contribuição do Prémio TecInnov, como salientou Manuel Simas. “O Prémio Santander foi recebido em êxtase por toda a equipa e ele foi, em primeiro lugar, utilizado para a construção dos hydrofoils da embarcação – uma tecnologia desenvolvida pela equipa que tem como objetivo fazer levantar a embarcação, diminuindo a superfície de contato com a água e aumentando a velocidade”. Além disso, “foi também uma grande ajuda para a nossa participação na competição”, concluiu Manuel Simas.

Rápido e sem emissões poluentes

O PSEM – Projeto de Sustentabilidade Energética Móvel foi aquele que conquistou o 3.º Prémio TecInnov. Trata-se de um “veículo elétrico de alta eficiência energética e sem emissões poluentes, criado para participar nas provas do Greenpower Education Trust, em Inglaterra”, explicou Pedro Diogo, líder da equipa. O protótipo de 2017 é já o quarto desenvolvido por equipas do IST e distingue-se por ser “o mais leve e aerodinâmico da história do projeto”, disse o responsável.

O protótipo do PSEM é um veículo elétrico de alta eficiência energética e sem emissões poluentes, que vai mostrar o que vale este domingo, 17 de setembro. FOTO: D.R.

O protótipo do PSEM é um veículo elétrico de alta eficiência energética e sem emissões poluentes, que vai mostrar o que vale este domingo, 17 de setembro. FOTO: D.R.

Este ano, a estreia do PSEM podia ter sido em grande, na pista de Dunsfold, famosa por ser o campo de provas do programa Top Gear, na Grã-Bretanha, mas um curto-circuito impediu o protótipo do IST de participar, por “questões de segurança”, explicou Pedro Diogo. Porém, nem tudo está perdido. No próximo domingo, 17, o PSEM português vai lançar-se no circuito de Castle Combe, também em Inglaterra, e no dia 20 de setembro prova o seu valor em Liverpool. “Em outubro, na final internacional, o PSEM vai correr contra equipas de empresas de renome, como a Jaguar-Land Rover ou a Lockeed-Martin”, avançou Pedro Diogo. É também nesta final que serão avaliados outros aspetos do projeto, como o design e aerodinâmica do veículo.

Mais uma vez, o Prémio TecInnov atribuído ao PSEM foi um apoio importante. Permitiu “a inscrição nas provas, a compra das baterias e de um motor” e deu para financiar “outras questões logísticas mais relacionadas com a viagem”, explicou Pedro Diogo.

Um aeromodelo com músculo

O aeromodelo da equipa do IST tem 4 m de envergadura de asa, é pilotado por rádio e consegue carregar mais de 4,5 kg. FOTO: D.R.

O aeromodelo da equipa do IST tem 4 m de envergadura de asa, é pilotado por rádio e consegue carregar mais de 4,5 kg. FOTO: D.R.

O 4.º Prémio TecInnov coube ao projeto Air Cargo Challenge 2017, que “consistiu no desenho e construção de um aeromodelo rádio-pilotado que conseguisse voar com a maior carga possível”, como avançou João Canas, team leader da equipa. Tal como nos projetos anteriores, este não é o primeiro aeromodelo que o IST leva a competir no Air Cargo Challenge. No protótipo deste ano – e como explicou João Canas –, a equipa conseguiu “remover alguns limites geométricos”, o que permitiu “aumentar as dimensões do aeromodelo, nomeadamente na envergadura e corda da asa”. Isto é, descodificando para os leigos, no comprimento da asa de ponta a ponta – que, no caso, ficou com 4 m – e na largura da mesma. Além disso, este ano a equipa sujeitou o aeromodelo a um teste de estrutural, o que obrigou a “utilizar sistemas de encaixe mais complexos entre os vários painéis da asa e novas técnicas de produção de materiais compósitos”, disse João Canas.

O aeromodelo do IST foi posto à prova entre 7 e 11 de agosto, em Zagreb, na Croácia. “A prova consistia numa pista de 100 m que tinha de ser percorrida 10 vezes, para um total de 1000 m, no menor tempo possível”, contou o líder da equipa. Para a pontuação final, contavam apenas os dois melhores voos de cada equipa, sendo que, no caso da AéroTéc – Lisbon (como se chama a formação de João Canas), as melhores prestações equivaleram a um 2.º e 3.º lugar nas respetivas provas. A pontuação mais alta atingida pela equipa foi 142,63 pontos, quando conseguiu fazer voar o aeromodelo do IST durante 81 segundos, carregando 4,570 kg, tendo demorado 18,91 segundos a pôr a carga no avião (fator que também era avaliado).

No final, o aeromodelo do IST juntou ao 2.º lugar conquistado numa das suas provas de voo o 6º lugar, com 94,8 pontos, na pontuação estática, “constituída pela avaliação do relatório, desenhos técnicos e apresentação oral”, do projeto. “No total a equipa somou 353,37 pontos, classificando-se na 15ª posição em 36 equipas inscritas, das quais 28 estiveram presentes”, concluiu João Canas.

No caso deste aeromodelo, o responsável explicou que o Prémio TecInnov contribuiu para a aquisição dos materiais necessários à sua construção. “Ao longo do desenvolvimento do projeto, foram construídas peças em alumínio e compósitos feitos à base de fibra de vidro e carbono, materiais esses que têm um custo elevado”, explicou João Canas. Parte do prémio foi também utilizado na aquisição de componentes eletrónicos essenciais, como os motores e baterias, disse.

A equipa que construiu o aeromodelo para o Air Cargo Challenge 2017, (da esq. para a dta.) Ricardo Silva, Daniel Coelho, João Canas, Pedro Trindade, Rui Afonso, Catarina Ribeiro e Pedro Precioso (piloto). FOTO: D.R.

A equipa que construiu o aeromodelo para o Air Cargo Challenge 2017, (da esq. para a dta.) Ricardo Silva, Daniel Coelho, João Canas, Pedro Trindade, Rui Afonso, Catarina Ribeiro e Pedro Precioso (piloto). FOTO: D.R.

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