aviação

Greve da Ryanair na Irlanda com adesão elevada e sem afetar Portugal

Os pilotos irlandeses param 24 horas para exigir melhores condições laborais. Nos dias 25 e 26 de julho, é a vez dos tripulantes de Portugal.

É o primeiro de vários dias de luta que a Ryanair tem de enfrentar este verão. Esta quinta-feira, 12, os pilotos da low-cost com base na Irlanda iniciaram uma greve de 24 horas. Os 100 pilotos, filiados na Associação dos Pilotos da Irish Airlines (IALPA), admitiram aderir à paralisação, com uma taxa de 99%.

De acordo com um comunicado da companhia irlandesa, citado pela agência Efe, está previsto o cancelamento de até 30 dos 290 voos programados. A Ryanair prevê que sejam afetados alguns trajetos entre os aeroportos da Irlanda e do Reino Unido, enquanto os voos para a restante Europa não deverão sofrer grandes alterações, estima a companhia.

Leia também: Ryanair continua a não cumprir leis nacionais e ignora greve europeia

Portugal não será afetado com a greve dos pilotos irlandeses. “Deduzimos que o impacto não vá ser grande porque os voos saem da Irlanda e os aviões da Ryanair em Portugal estão baseados em Portugal”, explicou Bruno Fialho, da direção do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em declarações à Lusa.

Os trabalhadores da transportadora irlandesa reivindicam melhores condições laborais na empresa. Para além desta primeira greve de pilotos, nos próximos dias 25 e 26 de julho, os tripulantes de cabine da Bélgica, Espanha, Itália e Portugal avançam com uma paralisação de 48 horas.

As condições salariais, o direito de usufruto de licenças de parentalidade, o fim dos processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo, são alguns dos motivos que estão na base das reivindicações sindicais que despoletaram os dias de protesto.

Leia também: Se a Ryanair não ceder, sindicatos vão convocar greves todos os meses

A Ryanair é acusada pelas estruturas sindicais de não cumprir as leis nacionais dos países nos quais os tripulantes têm base e aplicar as leis irlandesas. Esta semana, Bruno Fialho, denunciou ao Dinheiro Vivo um dos casos em questão. Em causa, está um tripulantes com base em Ponta Delgada que foi pai recentemente e que se viu impedido de usufruir dos 25 dias de licença de parentalidade, conforme define a legislação portuguesa.

Após várias tentativas de negociação com a empresa, e na ausência de uma resposta da transportadora aérea, os tripulantes de cabine avançam com a greve de dois dias, depois dos pilotos irlandeses protestarem esta quinta-feira.

Em abril deste ano, os tripulantes de cabine com base em Portugal procederam a uma greve de três dias não consecutivos. Só em junho, a companhia liderada por Michael O’Leary, cancelou 1100 voos devido a greves e falta de pessoal de controladores de tráfego aéreo.

Caso a Ryanair não ceda, os sindicatos já ameaçaram continuar com os protestos mensais. “Em agosto caso a Ryanair não cumpra a lei continuaremos a lutar. E em setembro, e em outubro. Até que a Ryanair decida cumprir a legislação nacional de cada país. O nosso plano é que a Ryanair mude. Se não mudar somos obrigados a convocar greves todos os meses”, admitiu o SNPVAC ao Dinheiro Vivo.

 

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