Carreiras

“Gerações mais novas estão a tornar-se mais ágeis e menos fiéis às empresas”

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Os portugueses mudam muito ou pouco de emprego em comparação com outros países? E quem é que mais facilmente muda de empresa e porquê?

No final do ano passado, 21% dos trabalhadores portugueses tinham mudado de emprego nos seis meses anteriores, revela o barómetro da Randstad (Workmonitor Global Report) relativo ao 4º trimestre de 2019. Em Espanha essa percentagem foi de 29% e na Alemanha 31%. “Os dados de Portugal estão alinhados com a média europeia”, diz Nuno Troni, Diretor – Professionals, Outplacement, Human Consulting e R.P.O. da Randstad Portugal.

Mas como é que tem evoluído a mobilidade profissional em Portugal? E é possível traçar o perfil dos profissionais que mais mudam de emprego?

“Temos dados de Portugal desde 2015 e vemos que existe uma correlação muito direta com a conjuntura, ou seja, a minha vontade de mudar está indexada à confiança que tenho no mercado e à taxa de desemprego. Embora possam existir trimestres com ligeiras alterações, vemos que desde 2015 a vontade de mudar tem estado numa tendência positiva mas com subidas ligeiras, ou seja, muito em linha com o percentual analisado este trimestre”, diz Nuno Troni.

Mobilidade profissional

Os dados revelam que as mulheres têm mais predisposição para mudar de emprego do que os homens, e é a chamada geração Z, ou seja, os nascidos entre 1995 e 2012, e os millennials (ou geração Y, entre os anos 1981 e 1994) os que mais facilmente trocam de empresa. “Esta vontade em abraçar novos desafios está relacionada com a sua procura por empresas capazes de garantir equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, sendo este um fator que se assume extremamente decisivo nos dias de hoje. Já a geração X e os baby boomers são as que menos arriscam na altura de tomar decisões”, adianta o responsável da Randstad.

As gerações Z e Y não hesitam em mudar quando o trabalho não as satisfaz. “As gerações mais novas estão a tornar-se mais ágeis e menos fiéis às empresas e estes fatores têm um grande impacto na forma como o mercado evolui, tanto a nível nacional, como internacional”, afirma Nuno Troni.

Mulheres, millennials e geração Z

“Segundo o relatório global da Randstad sobre employer brand, que inquiriu mais de 200.000 indivíduos”, adianta este responsável, “os trabalhadores reconhecem que o salário é um fator muito relevante, mas se as empresas não permitirem o work-life balance ou a progressão na carreira, os talentos sentem-se motivados a seguir outro rumo profissional. É neste ambiente dinâmico que as empresas precisam de dar um passo em frente, o que passa por construir um plano sólido para reter talento e alinhá-lo com a sua estratégia ampla de branding”.

Por isso, sublinha, “cabe às empresas encontrar ideias disruptivas para atrair e reter talento. Contudo, isto só se torna possível se as empresas tiverem capacidade para compreender as necessidades dos seus colaboradores, se definirem a sua proposta de valor e um propósito claro para a sua atuação”.

Gap entre procura e oferta

A Hays, empresa de recursos humanos que todos os anos publica o Guia do Mercado Laboral, avança que entre 2016 e 2019 houve “um grande gap entre a lei da oferta e da procura, ou seja, havia mais empregadores a querer recrutar do que profissionais com disponibilidade para mudar de emprego”. Mas, neste ano, 2020, a situação pode ser diferente. “Existe uma maior proximidade na taxa de profissionais que pretendem mudar de emprego (78%) e empregadores que pretendem recrutar (82%). Já não havia uma vontade tão evidente em mudar de emprego desde 2014”, avança ao Dinheiro Vivo Solange Soares, Team Leader da Hays Portugal.

As áreas em que os profissionais mais vontade de mudar revelaram, segundo o estudo da Hays, foram as do retalho (87%), engenharia (82%), office support (81%), contabilidade e finanças (80%) e turismo e lazer (79%). Os perfis profissionais mais procurados pelas empresas, por outro lado, foram os comerciais (30%), tecnologias da informação (30%), engenheiros (22%), os de marketing e comunicação (14%) e os administrativos/suporte (14%).

Quanto aos motivos que explicam a vontade de mudar de emprego, Solange Soares, diz que “obviamente que o pacote salarial (59%) é o principal fator que os profissionais apontam. Mas para além disso, a perspetiva de progressão de carreira (58%), procura de projetos mais interessantes (48%), insatisfação com a empresa (22%) e com a chefia direta (16%) e ainda, o stress constante e o receio de burnout (15%) são outros fatores que ganham cada vez mais importância”.

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