À procura de emprego? Aprenda com os políticos

Faça uma campanha permanente
Faça uma campanha permanente

O trabalho de cuidar da sua imagem profissional é permanente: começa quando põe o pé na empresa, de manhã, e continua nas redes
sociais. Torne-se visível ou… desapareça de vez.

As campanhas políticas costumavam ser períodos curtos e
frenéticos antes de uma eleição – após os quais o candidato
vencedor se entregava à tarefa nobre de governar. Mas nas últimas
décadas, a política e a elaboração de políticas começaram a
misturar-se. Os assessores políticos assumiram funções na Casa
Branca, e as sondagens começaram a orientar a tomada de decisões – “A Campanha Permanente“, como Sidney Blumenthal, jornalista
(e mais tarde membro da equipa de Clinton), lhe chamou, de forma
profética, no seu livro lançado em 1980.

O advento das notícias por cabo 24 horas por dia (e mais, da
Internet) abriu uma grande boca escancarada, ávida por conteúdo. Os
políticos sabiam que seriam dissecados constantemente, não apenas
durante o período de campanha, com moderadores insaciáveis em
programas tipo “Prós e Contras” que debatem quem está na
crista da onda e quem vem por aí abaixo. A maioria das pessoas – até antigos operacionais políticos, como eu – concordam que isto
é mau para a democracia. Mas os candidatos aceitaram isto como a
nova normalidade e, com especialistas experientes nas equipas de
relações públicas sempre disponíveis, acabaram por se contentar.

Contudo, o problema real não é o impacto sobre os políticos.

É o facto de também se esperar que todas as outras pessoas – incluindo os profissionais normais – façam uma manutenção
constante da marca pessoal, e a maioria delas nem sequer se apercebe.

Certo, provavelmente têm uma conta no Facebook e poderão até
estar no Twitter. Mas não reconhecem que estas já não são
ferramentas de comunicação pessoais, ou um meio de fortalecer laços
fracos mas usadas como redes de conhecimentos. Na verdade, são critérios
pelos quais serão avaliados no futuro
. Da mesma forma que Michael
Deaver assegurou que Ronald Reagan aparecesse sempre à frente de um
cenário perfeito e pitoresco – e definiu a norma para todos os
líderes subsequentes – você é agora responsável por cuidar da
sua imagem
.

E infelizmente, não é suficiente preocupar-se só no “período
de eleições” – isto é, quando quer ser promovido ou está à
procura de um novo emprego. A campanha permanente é verdadeiramente
contínua, e todos os candidatos bem-sucedidos (ao emprego ou cargo
político) precisam de reconhecer algumas verdades novas:

A
sua reputação precede-o
. Qualquer empregador com um mínimo de bom
senso vai examiná-lo na Internet antes mesmo de se preocupar em
falar consigo. Num mundo em que demasiadas pessoas à procura de
emprego fabricam partes dos seus currículos, a Internet pode fornecer
verificação valiosa de terceiros em como você é o que diz ser
. É
também a sua oportunidade para se distinguir dos outros. Se a sua
presença online são as vendas no eBay ou horários de corrida do
seu clube de desporto, você vai parecer um amador.

Se é invisível, provavelmente é uma fraude. Os currículos e até
mesmo as cartas de apresentação inteligentes vão tornar-se cada
vez mais sem significado quando os empregadores estiverem à procura
não de palavras, mas de conhecimentos e resultados demonstrados. Se
tem uma marca pessoal forte online, já ganhou. E se não tem? Uma
firma para a qual trabalhei esteve quase para não contratar um
executivo experiente e qualificado porque, além de não ter
praticamente nenhuma presença online – suspeitou fortemente que
ele tinha inventado a sua experiência profissional. Na realidade não
tinha, mas o processo complexo que foi verificar a sua história
quase lhe custou o emprego.

Você progride ou estagna.É um facto: o resto do mundo não lhe
está a prestar nem um pouco da atenção que gostaria. Passou os
últimos anos a desenvolver novas competências e capacidades – mas
o seu chefe e colegas nem dão por isso. A única maneira de poder
demonstrar os seus novos conhecimentos a um público vasto – que,
na realidade, o poderá querer contratar – é “vender-se” como
um especialista público, da mesma forma que um candidato a um cargo
público o faria. Online, crie um fluxo de conteúdo importante
através do twitter, do seu blogue, e sendo citado pelos meios de
comunicação. Offline, cultive a sua reputação através do
envolvimento em associações profissionais, eventos em que seja
orador e da sua rede de conhecimentos profissionais.

Muitas pessoas não querem lidar com a maçada de uma “campanha
permanente de carreira.” Acham que é demasiado trabalho
refletirem sobre a sua marca pessoal, manterem a sua “pegada” nas
redes sociais ou cultivarem relações quando não estão à procura
de um novo emprego. Estas são as pessoas que vão perder. Quer
queira ou não entrar no jogo, ele está a acontecer à sua volta.
Aqui ficam três formas – copiadas dos candidatos que melhor sabem
fazê-lo – para poder ganhar a sua campanha pessoal:

1. Monitorize. Acompanhar todas as menções nos meios de
comunicação antes significava uma frota de estagiários cheios de
sono a entrar às 6 da manhã e a fazer o “clipping”, colagem e
fotocópias de um pacote de artigos. Felizmente, o Google acabou com
esta crueldade, que eu próprio já tive de suportar. Configure já
um Alerta do Google para si, para a sua empresa e para quaisquer
empresas que queira ter debaixo de olho.

2. Controle o diálogo. Os políticos aprenderam que se não
revelarem material para preencher os espaços (comunicados de
imprensa, propaganda e textos diversos), os meios de comunicação – ou os seus rivais – o farão por eles, e isso não vais ser bonito.
Alguém vai controlar o diálogo e poderá muito bem ser você.
Comece a escrever no seu blogue ou a gravar os seus podcasts agora.

3. Crie a sua base de fãs. Quando um candidato é atacado, tem
defensores – armados com argumentos persuasivos – preparados para
refutar as acusações negativas. E também tem um batalhão proativo
de redatores de ” carta ao editor”, apimentando os seus
jornais locais com missivas laudatórias. Quem faz parte do seu clube
de fãs? Comece agora a recorrer a colegas de confiança, amigos e
aliados. Se tiver um objetivo profissional, eles poderão ajudá-lo
incentivando-o e procurando orientações, por exemplo.

Dorie Clark é consultora de estratégia de gigantes como o Google, a Universidade de Yale ou o National Park
Service. É autora de
Reinventing You:
Define Your Brand, Imagine Your Future (Harvard Business Review
Press 2013).

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