recrutamento

À procura de emprego? As tendências do mercado em 2017

Entrevista de emprego sem medos

Perguntámos a seis especialistas em recrutamento quais as principais tendências para 2017 e que setores e profissões estão a recrutar mais este ano.

As empresas estão a recrutar cada vez mais e as ofertas de emprego multiplicam-se, muitas vezes sem uma correspondência direta imediata ao nível dos profissionais especializados disponíveis.

Tecnologias de informação (TI), hotelaria e turismo, agricultura, indústria, centros de serviços partilhados, engenharia. Estas são, de acordo com as empresas de recrutamento ouvidas pelo Dinheiro Vivo, algumas áreas-chave onde se verifica maior procura de trabalhadores e, ao mesmo tempo, há uma maior falta de profissionais especializados.

Perguntámos então a seis especialistas em recrutamento quais as principais tendências para 2017 e que setores e profissões estão a recrutar mais este ano. Conheça as suas respostas.

Isabel Meireles e Inês Calhabéu, diretoras de recrutamento da Egor no Porto e Lisboa

Tendências de recrutamento para 2017
Os domínios de maior procura ao nível de emprego são os tecnológicos. Novas plataformas tecnológicas não param de surgir, e os profissionais de TIC, não chegam para as necessidades presentes: programador, web designer, analista funcional, webmaster, especialista em SEM, em SEO, Trafficker e de Cloud. Também as profissões tecnológicas relacionadas com a criação e desenvolvimento de produtos continuam a ter uma grande procura, pelo que as Engenharias nas suas vertentes de Eletrónica, Eletrotecnia, Mecânica, Automóvel, de Aviação ou mesmo de Recursos Naturais ou Biológicos mantêm níveis de empregabilidade elevados. As funções comerciais, continuam com grande procura e são cada vez mais especializadas e, dado que Portugal se tem destacado como destino de preferência para Centros de Serviços Partilhados os Operadores e/ou Assistentes de Call Center os Customer Assistant, Customer Representative são funções de elevada procura e escassez de profissionais.

Recrutamento a crescer
O ritmo manteve a tendência de 2016. Os recursos é que têm vindo a escassear, tanto mais que as empresas procuram profissionais cada vez mais especializados e valorizam as competências técnicas que acompanham esta necessidade, a par da exigência no conhecimento de línguas e uma elevada disponibilidade pessoal.

Setores com maior procura
Uma clara evidência de profissionais para o setor das Tecnologias de Informação e Indústria, para perfis especializados. No setor dos serviços partilhados não estamos a conseguir dar resposta no que respeita a fluência em idiomas estrangeiros nomeadamente o francês, e que resulta do investimento feito por empresas francesas em Portugal

Cursos universitários com emprego garantido e a evitar
Medicina, Informática, Engenharias, nomeadamente Eletrónica, Eletromecânica, Mecânica e de Gestão Industrial, Matemática Aplicada ou Engenharia Aeroespacial permitem um passe direto para o emprego. Em 2016 e 2017 outras áreas estão a colocar quase a 100% os seus jovens formandos, como o exemplo dos Cursos de Línguas, Literaturas e Culturas ou as áreas relacionadas com o Turismo. No oposto e com taxas de empregabilidade baixas encontramos algumas áreas de formação como Criminologia, Sociologia Filosofia, Assistência Social ou Advocacia.

Carla Rebelo – Diretora Geral Adecco Portugal

Tendências de recrutamento para 2017
Para o corrente ano, está a verificar-se uma tendência crescente para a instalação e consolidação de novos centros de serviços partilhados em contexto nacional sobretudo nos domínios financeiro, comercial e tecnológico. Paralelamente, os sectores da indústria (sectores automóvel, metalomecânicas e de moldes) estão a reforçar as suas estruturas através da contratação de quadros técnicos e superiores altamente especializados, sobretudo no mercado do Norte do País (Viana do Castelo, Aveiro, entre outros), através, por exemplo, da instalação de novas e grandes unidades industriais.

Recrutamento a crescer
Existe uma tendência crescente em relação ao mercado de recrutamento, resultado do crescimento do volume de negócio das empresas, fruto do seu processo de internacionalização e diversificação de áreas de negócio.

Setores com maior procura
Sobretudo nos domínios da indústria e da tecnologia. No mercado das Tecnologias da Informação e da Comunicação, por exemplo, grandes gigantes mundiais têm vindo a fixar as suas estruturas em Portugal, necessitando de grandes volumes de recursos humanos em .net Architect, Php developers, Java Developers, Developers PL/SQL (Oracle).

Cursos universitários com emprego garantido e a evitar
Emprego garantido: Engenharia Informática e de Computação, Medicina, Gestão Industrial, Engenharia Mecânica;
Devem ser evitados: Ensino, Filosofia, História, Arqueologia.

António Carvalho, Operations Manager na Kelly Services

Tendências de recrutamento para 2017
Uma continuação na aposta em perfis técnicos e com forte apetência tecnológica. Um aumento dos perfis de Vendas e a procura por perfis com skills linguísticas, cuja tendência tem tido um crescimento constante.

Recrutamento a crescer
Mantém-se a tendência já verificada em 2016 de aumento da procura em determinadas tipologias de perfis funcionais com elevado grau de especialização técnica.

Setores com maior procura
Claramente nas áreas de Tecnologias de Informação e Engenharias.

Cursos universitários com emprego garantido e a evitar
Engenharias e Tecnologias de Informação, em alta. A evitar áreas de formação relacionadas com as ciências sociais porque acabam por ter uma menor penetração no mercado.

Francisco Sanchez, diretor Ray Human Capital

Tendências de recrutamento para 2017
Investimento cada vez mais significativo por parte das organizações na sua capacidade para atrair e reter talento; geração Millennium cada vez mais especializada sobretudo nas áreas tecnológicas (Big Data, Inteligência Artificial, Soluções Mobile, Customer journey, Digital Experience, CRM, soluções cloud); escolha de Portugal como local preferencial para a instalação de centros de competências e de excelência (Shared Service Centers: Banca e Tecnologias de Informação); aumento da importância da softskills vs hard skills.

Recrutamento a crescer
O mercado está mais dinâmico com o surgimento de mais e novas contratações. A evolução da economia e de alguns negócios em particular fez com que fossem criadas novas funções (ex. Client Experience, Data Scientist). A taxa de desemprego também tem vindo a diminuir e há sectores que funcionam como indicadores positivos que estão a voltar a crescer (ex: indústria automóvel).

Setores com maior procura
Tecnologias de Informação, Turismo e Engenharia Industrial.

Cursos universitários com emprego garantido e a evitar
Garantido: tecnologias de informação, Engenharia Informática, Engenharia Electrónica, Gestão Industrial, Matemática Aplicada, Estatística, Hotelaria, Medicina/Enfermagem,
Evitar: Arquitetura, Geografia, Antropologia, Administração Pública, Artes, Ciências da Comunicação.

Álvaro Fernandez, diretor geral Michael Page Portugal

Tendências de recrutamento para 2017
O crescimento da confiança é uma das grandes tendências do mercado de trabalho. Uma das grandes tendências a nível nacional é a área de shared service centers, que apresenta um dinamismo impressionante, com a contínua criação de novas estruturas em Portugal, quer na grande Lisboa como no grande Porto. Também as áreas de informática, digital e turismo têm apresentado bom dinamismo, atraindo investimento e talento estrangeiros.

Recrutamento a crescer
Nos últimos três anos a evolução tem sido positiva, com as empresas a recrutarem mais, havendo também algumas melhorias no que concerne às condições gerais apresentadas aos candidatos.

Setores com maior procura
Na área das TI em Portugal, a dificuldade em encontrar candidatos é particularmente sentida em áreas pouco desenvolvidas atualmente no país, como por exemplo em big data. Ainda em relação aos centros de serviços partilhados há falta de profissionais especializados em áreas específicas ainda recentes em Portugal e para as quais não encontramos profissionais com formação e/ou experiência.

Cursos universitários com emprego garantido e a evitar
Os cursos da área das Tecnologias da Informação continuam a ser, sem dúvida, os que têm maiores probabilidades de garantir emprego. As formações em gestão e economia, por norma, são também boas apostas. Em relação aos cursos a evitar e que se apresentem demasiado desfasados do atual mercado de trabalho, podemos indicar, por exemplo, os cursos demasiado teóricos ou em áreas que se encontram com excesso de candidatos.

Carla Marques, General Manager Staffing & Outsourcing Randstad Portugal

Tendências de recrutamento para 2017
As tendências de 2017 apontam para um crescimento na procura que não é acompanhado pela oferta, e esta é uma preocupação das empresas de recrutamento. Este desequilíbrio levará a um aumenta da mobilidade profissional que terá de ter como consequência a subida dos salários como forma de atração e retenção de talentos.

Recrutamento a crescer
O ritmo de recrutamento e contratação acelerou. Neste momento, temos mais de 5000 vagas de emprego o que traduz um crescimento na procura por parte das empresas, comparativamente com anos anteriores.

Setores com maior procura
Os sectores onde existe mais procura são: hotelaria e turismo, agricultura, indústria e shared services centres (serviços partilhados).

Cursos universitários com emprego garantido e a evitar
Os cursos universitários com maior empregabilidade são os de IT, Engenharias ligadas a Big Data e área digital, Matemática e áreas analíticas relacionadas com o Marketing e a Gestão.

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A administradora delegada da Media Capital, Rosa Cullell (E), acomapnhada pelo CEO da Altice Media, Alain Weill (2-E), do CEO do Grupo Altice, Michel Combes (2-D), e do Chairman e CEO da Portugal Telecom, Paulo Neves (D), fala durante uma conferência de imprensa sobre a compra da Altice sobre o grupo Media Capital,. Fotografia: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Compra da TVI pelo Meo pode “criar entraves significativos à concorrência”

O ministro das Finanças, Mário Centeno (E), acompanhado por Carlos Tavares (D), antigo presidente da CMVM, durante a sessão de apresentação pública do relatório do Grupo de Trabalho para a Reforma do Modelo de Supervisão Financeira. (ANDRÉ KOSTERS/LUSA)

Belém e Parlamento terão de validar novo governador do Banco de Portugal

Cristina Casalinho, presidente do IGCP. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens

Casalinho quer alongar pagamento da dívida para evitar picos de reembolsos

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
À procura de emprego? As tendências do mercado em 2017