Acabaram as férias. A maneira certa de voltar ao trabalho e evitar a depressão

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Há alguns anos, Peggy Hill, então vice-presidente da cadeia de abastecimento de uma empresa de atividades ao ar livre, passou uma semana de férias na praia. Regressou num domingo à noite, já tarde, e a manhã de segunda-feira chegou demasiado depressa. Tinha uma reunião agendada para as oito da manhã, o telefone do escritório tocava incessantemente e uma fila de colegas parava junto dela para pedir respostas a vários e-mails e mensagens. "No fim do dia, eu estava exausta, stressada e a pensar que nunca mais queria ter férias se fosse para voltar àquilo", diz Peggy.

Peggy tinha vários gestores que lhe reportavam e reparou que todos tinham o mesmo problema quando voltavam de férias. “Todos planeávamos diligentemente as férias, para garantir que assuntos importantes estavam encerrados antes de partirmos”, diz. Mas, a julgar pelos primeiros dias de volta ao escritório, “tirar férias estava a tornar-se mais stressante do que não tirar”.

Peggy decidiu que estava na altura de fazer uma mudança de cultura. Da vez seguinte que regressou de férias, bloqueou o primeiro meio dia para trabalhar em casa – nada de reuniões, apenas tempo dedicado a responder a telefonemas e e-mails. Também reformulou a sua mensagem de e-mail e voicemail, que avisava estar fora do escritório, para lhe dar mais tempo para resolver problemas no regresso. “Descobri que o tempo concentrada, sem interrupções, me permitia perceber mais rapidamente o quadro geral do que estava a acontecer na empresa e ter uma resposta mais rápida a e-mails e mensagens. E como os empregados já se tinham habituado a que estivesse ausente, as poucas horas extra fora do escritório naquele primeiro dia não fizeram muita diferença.

Peggy incentivou o pessoal que lhe reportava diretamente a adotar a estratégia de regresso proativa, e a prática pegou. As pessoas “viram rapidamente o valor desta abordagem”, diz Peggy. A comunicação melhorou, os níveis de stress baixaram e houve mais equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. “Não foi um remédio santo”, diz Peggy, “mas foi um passo na direção certa”.

Que dizem os especialistas

O que não falta por aí são conselhos sobre como desconetar-se do trabalho e voltar ao escritório com as baterias recarregadas. Mas qual é a abordagem certa para si? Será preferível ficar completamente incontactável e voltar para encontrar um inferno? E como pode aumentar as hipóteses de voltar relaxado e revitalizado?

Em primeiro lugar, se se preocupa com o seu trabalho, saiba que é bom tirar férias regularmente. “Na verdade, terá pior desempenho no trabalho se não tirar intervalos de descanso a meio do stress”, diz Scott Edinger, fundador do Edinger Consulting Group. “É como trabalhar demasiado um músculo. Se negligenciar o descanso desse músculo, este entra em fadiga e acabará por enfraquecer.” E sendo nós tão excessivamente estimulados todo o dia, todos os dias – seja pelo bombardeamento de e-mails seja pela verificação do Facebook nos telefones a cada oportunidade ou por seguir as notícias 24 horas por dia -, “perdemos até mesmo os micromomentos durante o dia” que dão repouso ao cérebro, diz Shawn Achor, autor de The Happiness Advantage. “Os nossos cérebros nunca têm a largura de banda para, efetivamente, recarregar ou rejuvenescer.” Por isso é importante não perder todo o efeito do descanso logo no primeiro dia de regresso ao trabalho.

Saiba gerir o seu regresso

Um regresso apressado “destrói completamente os bons efeitos de umas férias”, diz Edinger. Resista à pressão de mergulhar imediatamente no frenesim. “Poucos de nós chegam e estão logo à velocidade máxima. O aspeto fundamental para a segunda-feira de manhã é não marcar qualquer reunião.” Isso dá-lhe algumas horas de relativa paz para se atualizar em relação a e-mails e outras exigências do trabalho. E, o que quer que faça, tente não trabalhar até tarde no primeiro dia. “É um grande impacto no sistema”, afirma Edinger. “Um ou dois serões no escritório nessa primeira semana e é fácil perceber por que razão, na quarta-feira à tarde, as pessoas já dizem que as férias que ainda agora acabaram parecem uma memória distante.”

Saboreie as recordações

Para manter os efeitos positivos das férias tanto tempo quanto possível, tente trazer parte das férias consigo. Depois de voltar, lembre-se de olhar regularmente para as fotografias e tire algum tempo por semana para as organizar e pôr no computador. Também pode incorporar uma parte das férias na sua rotina quotidiana. Edinger voltou recentemente de uma viagem a Itália, onde assistiu a uma aula de cozinha com a família. “Algumas semanas depois do regresso, fizemos um jantar especial com alguns dos pratos que aprendemos em Itália”, conta. “As pessoas que tiram tempo para saborear as suas memórias, não só prolongam os benefícios positivos da viagem, como se lembram dela muito mais tempo”, concorda Achor.

Prepare o regresso devagar

Verificar o e-mail ou não, é a questão. O objetivo das férias é separar–se do trabalho o mais possível, mas muitas vezes dar uma olhadela rápida às suas mensagens enquanto está fora – especialmente nos últimos dias de descanso – pode ajudá-lo a não sentir tanto o regresso (e a dissipar os medos de que o escritório esteja a desmantelar-se sem si). “Na verdade, é raro acontecer alguma coisa que não possa esperar”, diz Edinger, mas assim manterá algum contacto com o que se passa e não custará tanto voltar à realidade.

Dê poder à sua equipa

Na semana antes de partir, dê alguns passos para preparar a sua ausência. Informe colegas e clientes importantes de que estará fora e decida se vai interromper os seus projetos ou prepará-los para uma transferência temporária. Dar responsabilidade à sua equipa não só o deixará livre por alguns dias como mostrará que confia nela e permitirá um regresso mais suave, uma vez que a casa não ficou parada. “Os empregados têm de passar algum tempo livres dos gestores, para poderem crescer”, explica ainda Edinger. Melhor ainda, permita que a sua equipa discuta decisões muito antes das suas férias, para não ficarem de repente nessa situação da primeira vez que você estiver fora. “Se os gestores não tiverem empregados habilitados, a equipa sentirá stress”, diz Achor – e o líder também, especialmente quando regressar de férias e constatar que tudo esteve parado durante a sua ausência.

“A finalidade de umas férias é tentar baixar o nível de stress, aumentar os níveis de felicidade e criar novidade para o cérebro”, diz Achor. “Se não conseguir atingir ou mantê-los, falhou os benefícios rejuvenescedores do tempo longe do trabalho”.

Carolyn O”Hara é escritora e editora. Vive em Nova Iorque e já passou pela The Week, PBS NewsHour e Foreign Policy.

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