Belmiro de Azevedo: “no mundo global não há lugar para coitadinhos”

Belmiro de Azevedo, chairman da Sonae
Belmiro de Azevedo, chairman da Sonae

Belmiro de Azevedo afirmou hoje que se fala “muito no problema do crescimento, mas não há crescimento sem investimento e sem formação e as pessoas tem que levar isso a serio. Não há milagres, no mundo global só ganham os melhores, não há lugar para coitadinhos”.

O presidente do Grupo Sonae falava numa iniciativa da Santa Casa da Misericórdia do Porto e da Cuatrocasas Gonçalves Pereira, intitulada “Profissão: um projeto com vida”, onde também foi orador o economista Daniel Bessa, que disse que “resolver o problema de arranjar um emprego para os portugueses em Portugal não tem solução, em qualquer outra parte do mundo é resolúvel”. Acrescentando que Portugal “vai-se cumprir assim, Portugal vai ser onde os portugueses estiverem, para isso devem ser devidamente formados”.

Na mesma linha o eurodeputado Paulo Rangel afirmou que é fundamental “pensar que não se tem uma profissão para a vida, mas várias profissões em diferentes cidades e em diferentes línguas”, daí sublinhar a necessidade de valorizar a “formação, mais formação em humanidades nas escolas”, porque, frisou “todos teremos mais que uma profissão e nestes tempos de crise até várias profissões ao mesmo tempo”.

O presidente da ANJE, Francisco Maria Balsemão falou na necessidade dos jovens apostarem na “polivalência, perceber um pouco de tudo, é fundamental, não ser limitado ao que se gosta”, sublinhando que Portugal está “bem posicionado neste mundo global, falamos várias línguas, somos afáveis e desenrascados”.

Daniel Bessa referiu ainda que a questão do emprego “é fundamental, e é o bem mais escasso dos nossos tempos, das sociedades em que vivemos. Construímos a ideia que o emprego nos falta e foge, mas tal não vale para o mundo todo”. Por isso, defendeu, que “as pessoas devem tentar reunir as melhores condições para entrar no mercado de trabalho. Ir para a universidade hoje não é suficiente, mas mesmo no nosso país há cursos onde não há desemprego, por isso as pessoas devem procurar soluções de ensino mais adequadas ao mercado de trabalho. A escolha das escolas é uma decisão de uma vida inteira”.

Todos os oradores defenderam a ideia da flexibilização e mesmo da emigração. Paulo Rangel disse mesmo que “a emigração não é novidade nenhuma na nossa historia” e lembrou que a Alemanha e os Países Nórdicos querem contratar engenheiros portugueses, e adiantou, “o que o Governo podia fazer era pegar em professores de alemão e inglês em várias cidades do país e nesses engenheiros para lhes dar formação intensiva durante alguns meses, para que estivessem mais bem preparados”.

Fora do tema da mesa redonda Belmiro de Azevedo falou do problema da economia real que impede a criação de emprego, afirmando que “a economia alemã tem a taxa de juro abaixo de 1% e não empresta, mas o excesso de fundo, as mais valias que enchem os bancos alemães são captados dentro da Europa”, por isso afirmou “quanto mais nos ajudarem mais depressa saímos desta crise” por isso defendeu que seria muito mais eficaz avançar para “empréstimos a longo prazo com taxas reduzidas”.

Frisou ainda “há que baixar os juros, fazer chegar dinheiro à economia real, porque sem crédito não se vai lá, e as pessoas que não procuravam trabalho agora protestam e têm que procurar emprego fora do pais, mas não deve ver isso como um mal, é enriquecedor, sair de Portugal não é vergonha nenhuma, não é uma imposição, mas não podemos ficar fora do mercado concorrencial”.

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