Carros: Usados mais baratos mas com vendas em quebra

Europa tem excedente de produção
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Tal como os carros novos, poucas vezes os usados terão estado tão baratos em Portugal. Muitos aproveitam, mas isso não evita que este mercado não registe uma quebra acentuada, segundo Hélder Pedro, da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

“Os usados estão de facto muito baratos, é a perceção que temos, mas o mercado está a cair”, diz, lamentando a impossibilidade de reunir dados sobre este setor. “Bem tentamos, mas não tem sido possível obter a informação que permita reunir números precisos. De qualquer forma, as restrições ao crédito deixam desde logo ver que as dificuldades são muitas e que há uma quebra acentuada, tal como nos novos”, explica.

“Paralelamente, há falta de poder de compra. Muitos portugueses viram subsídios e outros benefícios cortados, o que torna as aquisições mais difíceis. Em especial no caso dos automóveis, os baixos índices de confiança e a insegurança criada pelo desemprego crescente traduzem-se de imediato por uma retração”, acrescenta.

Hélder Pedro refere ainda que esta situação vem complicar ainda mais a situação do comércio automóvel uma vez que “os stocks de usados estão a crescer, o que tem custos muito elevados”.

Já Vítor Fernandes, gestor de unidade do Grupo Entreposto, considera que o mercado de usados não deverá cair tanto como o de novos.

E explica: “É claro que há certos carros, como os “semi novos” e carros de serviço, que têm alguma dificuldade em ser vendidos, essencialmente pelo preço aproximado ao dos novos. Além disso, o seu preço tem de competir com o das gestoras de frotas, que quando precisam fazem leilões e baixam muito os preços. Mas, especialmente nos valores intermédios, entre 10 e 15 mil euros, as vendas têm aguentado ao nível do ano passado. Com a falta de acesso ao crédito, este é o patamar a que os particulares tentam chegar com o poder de compra que lhes resta”.

Opinião idêntica é a de Miguel Machado, diretor comercial de Ocasião, do Grupo MCoutinho, que engloba dezenas de concessões de várias marcas. “Penso que o mercado de usados poderá eventualmente estar em quebra, mas nada que se pareça com o de novos. É o que nos dizem os números dos registos, que, no entanto, não são completamente fiáveis, pois, à partida, a lei obriga os comerciantes a fazerem dois registos. Por isso, repito, esses números do “Market Dealer” têm de ser encarados como passíveis de erro”.

“De qualquer forma, acrescenta, não podemos ignora-los e o que penso que está a acontecer é um deslocamento da procura dos carros “seimi novos”, com menos de dois anos, para os verdadeiros usados, mais baratos, o que poderá ter pontualmente mais impacto”, acrescenta.

Numa área mais especializada, o ex-piloto Rufino Fontes, pai do campeão nacional José Pedro Fontes, aponta as mesmas dificuldades enumeradas pela ACAP: “Os carros mais caros vão-se vendendo. Mas há uma quebra. A falta de crédito e de poder de compra estão a travar o negócio. Em minha opinião, nesta altura essa quebra sente-se menos entre os modelos muito caros e entre os mais baratos”.

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