CEGOC

Libertar recursos qualificados de tarefas administrativas nas empresas

A Cegoc, empresa na área da formação e está em Portugal há 55 anos, vai celebrar uma parceria com a Cimes em regime de Business Process Outsourcing

“As empresas querem resultados, querem ser mais competitivas, ser capazes de demonstrar ao mercado que têm valor e querem que os trabalhadores se sintam valorizados”. O cenário é traçado por Ricardo Martins, diretor-geral da Cegoc – Centro de Estudos de Gestão e Organização Científica, especialista em formação e desenvolvimento de empresas e pessoas, em entrevista ao Dinheiro Vivo. Habituado a que lhe batam à porta à procura de soluções, Ricardo Martins conhece bem o mercado empresarial em todas as suas vertentes e é-lhe fácil desenhar caminhos para os objetivos pessoais ou coletivos de quem contacta a Cegoc.

Com um percurso de 55 anos, com presença também em Moçambique e Luanda, o centro que pertence ao grupo internacional Cegos, oferece soluções de formação a vários níveis: coaching, transformação digital, produtividade, recursos humanos, gestão, marketing ou liderança. Além dos programas definidos, são também esculpidas soluções à medida de cada cliente.

No ano passado, o salto no crescimento de 34% traduziu-se numa faturação de 2,25 milhões de euros e, para este ano, Ricardo Martins projeta um aumento que toque nos 3 milhões de euros. Em Portugal, a empresa tem atualmente 40 funcionários aos quais se vão juntar mais 15 brevemente devido a uma nova parceria celebrada com a francesa Cimes, o que implica a constituição de uma nova equipa.

“Há empresas com estruturas de recursos humanos relativamente pequenas, com pessoas muito qualificadas mas que depois não tendo recursos suficientes acabam por utilizar essas pessoas para fazerem tarefas administrativas”, explica. Para resolver este problema a parceria propõe uma solução. “A nossa perspetiva é podermos colocar recursos Cegoc com tecnologia que permita aumentar a produtividade e a eficiência das equipas para que seja possível libertar as pessoas qualificadas para tarefas mais estratégicas para as empresas. Isto será numa lógica de Business Process Outsourcing, estaremos no mercado a fazer essa proposta no segundo semestre, estamos a estruturar uma equipa que vai estar na Cegoc e vai trabalhar para França”, informa o diretor.

“As empresas que têm um mindset mais tradicional têm de repensar de fio a pavio a maneira como estão presentes no mercado, sob pena de desaparecerem, é uma questão de sobrevivência”

Com a visão a um passo à frente do futuro, o diretor-geral da Cegoc antecipa as problemáticas para trabalhar com as empresas, atempadamente, nas soluções. “O maior desafio, nos próximos anos, tem a ver com a forma como a tecnologia nos vai desafiar enquanto trabalhadores e gestores. A maior provação tem a ver com a maneira como vamos ter de interagir com essa tecnologia e com a Inteligência Artificial”, alerta.

A Cegoc quer caminhar lado a lado com a transformação digital para que possa facultar as melhores ferramentas e preparar aos seus formandos. Uma das novidades recentes é a metodologia 70:20:10 que “assenta mais numa aprendizagem informal do que formal” e que foge à formação tradicional em contexto de sala de aula. 70% desta componente visa a aprendizagem pela prática e experiência em contexto de trabalho, 20% diz respeito à aprendizagem social e 10% está destinado à aprendizagem formal.

“Quando a mudança fora de uma organização é maior do que a mudança dentro o fim dessa organização está relativamente próximo”.

Neste momento, ainda se redesenham programas e adaptam temáticas naquela que é uma “transição um pouco demorada”. O objetivo é que no futuro todas as formações Cegoc sejam inteiramente assentes neste modelo.

Ricardo Martins assegura que “o que está a acontecer não vai desacelerar” e que o maior risco das empresas atualmente é “enfiar a cabeça na areia e acreditar que no futuro as coisas poderão ser como no passado”.

“As empresas que têm um mindset mais tradicional têm de repensar de fio a pavio a maneira como estão presentes no mercado, sob pena de desaparecerem, é uma questão de sobrevivência”, avisa. “Quando a mudança fora de uma organização é maior do que a mudança dentro o fim dessa organização está relativamente próximo”, avança.

Business Transformation Summit

A transformação no seio empresarial, o learning transformation, a mudança nas lideranças e a capacidade de reter talento são assuntos que, para o diretor da Cegoc, estão na ordem do dia. É por isso mesmo que estes serão motes abordados no Business Transformation Summit , que decorrerá a 9 de outubro, no Centro de Exposições e Congressos de Lisboa.

Leia também: Trabalhadores em primeiro lugar. É assim que as melhores empresas lideram

Este é um fórum internacional que visa discutir as empresas e a transformação empresarial e que vai receber vários oradores de renome na área. A primeira confirmação é o dinamarquês Martin Lindstrom, especialista em customer experience transformation.

“Há também uma nova geração de pessoas que chegam às lideranças das equipas e das empresas. São pessoas com uma disponibilidade e capacidade para lidar com o digital que as gerações anteriores talvez não tenham”

O evento recebe visitantes de todo o mundo e será exibido em live streaming para vários países como Paris, Milão, Madrid, Londres, Alemanha ou Singapura. Esta é uma das apostas recentes da Cegoc que conta com 2 edições passadas.

As novas lideranças e os millennials

A liderança deve ser a pedra basilar numa empresa e é a ela que cabe a tarefa de apoiar, formar e guiar as equipas. Com as mudanças no setor digital e empresarial, é urgente que as lideranças de adaptem e evoluam de forma a não serem ultrapassados pela concorrência.

A escola de Coaching Executivo da Cegoc tem o propósito de intervir nas ferramentas das chefias e equipas para que sejam potenciados os resultados pessoais e profissionais. “Utilizamos as ferramentas de coaching para instalar um novo mindset de liderança nas organizações e isto é o que as empresas tipicamente nos pedem, como é que podemos ter pessoas que sejam capazes de desenvolver outras pessoas em vez de apenas e só chefiar outras pessoas”, justifica o diretor geral da Cegoc.

“Há também uma nova geração de pessoas que chegam às lideranças das equipas e das empresas. São pessoas com uma disponibilidade e capacidade para lidar com o digital que as gerações anteriores talvez não tenham”, acrescenta Ricardo Martins que considera que o processo de entrada dos millennials nas chefias tem sido construído numa “lógica de partilha e de aprendizagem” e que, por um lado, pode ter gerado alguma turbulência com o confronto de gerações mas, por outro, tem permitido acelerar as empresas.

Entre as ferramentas que devem constituir o canivete suíço de uma organização devem constar, na opinião de Ricardo, boas lideranças, bons recursos e um pensamento global enquadrado no mundo.

“É preciso uma predisposição para uma transformação constante. Aquilo que hoje em dia é a regra amanhã foi desafiado por uma startup com três ou quatro jovens que foram capazes de buscar network lá fora para fazer algo que é disruptivo”, conclui.

 

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