Como evitar a depressão pós-férias

Câmaras pagam subsídio de férias

“Papá, vem ver a nossa ilha! Rápido! Antes que desapareça!”

Estávamos em Bluffton, na Carolina do Sul, a brincar num banco de
areia que só emerge na maré baixa. O Sol mal tinha nascido –
tínhamos acordado cedo para ver o banco de areia desaparecer à
medida que a maré subia – e a minha mulher, Leonor, e eu estávamos
a descontrair na água morna e salgada a comer pêssegos sumarentos
da Carolina do Sul. A aproveitar o momento. A desfrutar dos nossos
filhos e um do outro.

Os nossos filhos, Isabel, Sofia e Daniel, estavam a construir
ilhas e buracos na areia, enquanto o mar subia lentamente, enviando
um rasto de água através das suas criações.

“Rápido, papá, está quase a desaparecer!”, gritou
Sofia.

“Já vou”, respondi também aos gritos enquanto me
dirigia para o último pedaço de areia exposta onde estavam a
construir o seu frágil mundo. A Sofia tinha razão. Mais dez minutos
e as suas ilhas e todo o banco de areia já não estariam ali.
Exatamente o mesmo que ia acontecer com as nossas férias; este era o
nosso último dia. Em breve, estaríamos de volta à vida normal. A
acordar cedo, não para entrar no barco e assistir ao nascer do Sol,
mas para engolir o pequeno-almoço e correr a levar os miúdos à
escola.

Como o poder imparável das marés, a realidade das nossas vidas
apressar-se-ia a vincar de novo a sua presença: uma pilha
interminável de correio aborrecido, um dilúvio de e-mails, uma
enchente de chamadas, uma corrente de reuniões. Colegas, projetos,
listas de compras, trabalho de casa e até mesmo manter
relacionamentos básicos – tudo isso voltaria a enrolar-nos, a
enredar-se-nos.

Qual é a maneira certa de voltar de férias?

Vejamos o que fiz no passado. Na noite em que chegava, ficava
acordado até tardíssimo e tentava fazer uma revisão de tudo,
responder a todos os e-mails e criava uma lista de coisas para fazer
– tudo o que se tinha acumulado enquanto estivera fora. Depois, no
dia seguinte – o meu primeiro dia de trabalho – fazia o meu melhor
para ir seguindo a lista, enquanto mantinha um horário normal de
trabalho, reuniões e novas chamadas.

Claro que isso é um erro. É mesmo uma receita infalível para
acabar com os benefícios das férias em poucas horas, deixando a
ilha desaparecer debaixo de água para sempre.

Existe uma maneira melhor. Primeiro, deixe que a sua última noite
antes do trabalho seja ainda de férias – ou pelo menos de tempo
pessoal. Não abra o e-mail nem verifique o gravador de chamadas.
Desfaça as malas, ponha a roupa a lavar, prepare o almoço dos seus
filhos, se os tem e se estes precisam de almoço – mas não comece a
trabalhar até estar de volta ao trabalho.

Depois, no primeiro dia de regresso de férias, experimente este
plano de três passos para voltar a entrar no esquema e ainda assim
conseguir levar uma parte da ilha consigo.

1. Partida: Quem é você no seu melhor?

Antes de ouvir aquele primeiro voice-mail, sente-se tranquilamente
durante um minuto e pense no que gostou mais de si quando estava de
férias. Foi a forma descontraída como ouvia as pessoas com quem
estava? Talvez tenham sido os momentos em que permitiu que a sua
mente vagueasse. Ou até, possivelmente, a maneira como se dedicou a
cada momento porque não estava distraído a verificar constantemente
o e-mail no seu telefone. Ou talvez tenha sido a sua paciência,
generosidade ou a facilidade com que se entregou às gargalhadas.

Anote algumas das suas observações e mantenha a lista por perto.
Quanto mais ocupados ficamos, menos cultivamos os aspetos que
valorizamos profundamente em nós, porque não são necessariamente
eficientes. Mas a verdade é que estes fazem parte de nós –
possivelmente são até algumas das partes mais importantes em nós –
e deixá-los para trás no banco de areia diminui aquilo que somos. O
que nos enfraquece, reduzindo a nossa energia, criatividade e
eficiência. Já para não falar do prazer que temos no dia a dia.

A solução? Tornar-se menos eficiente. O que significa que fará
menos. Porém, ironicamente, isso irá torná-lo mais produtivo,
desde que escolha as coisas certas a fazer.

2. Largada: Qual é o seu foco para o ano?

Para conseguirmos fazer as coisas certas, precisamos de um filtro
para nos ajudar a decidir o que deixar para trás. Identifique as
coisas mais importantes em que se quer focar durante o ano. Todos os
anos, escolho cinco assuntos principais em que quero empregar 95% do
meu tempo. As minhas cinco coisas constituem uma lente através da
qual olho para o mundo. Sem isto, tudo não passaria de um borrão.
Com esta lente consigo distinguir o que é importante – e merece o
meu tempo e atenção – daquilo que não é.

Antes de ver o seu e-mail pós-férias, olhe para a sua lista de
cinco assuntos e ligue-se às prioridades que farão que este ano
seja produtivo, significativo e gratificante para si. E lembre a si
próprio o que é importante.

3. Partida: O que é que vai fazer?

É uma boa ideia reservar a sua primeira manhã de regresso ao
trabalho – ou todo o dia, se conseguir – para se debruçar sobre o
que o espera. Não apresse este processo. É a coisa mais estratégica
que poderá fazer.

Será difícil resistir à tentação de tentar fazer tudo. Mas se
alguma coisa não se enquadrar numa das suas cinco áreas
prioritárias, reencaminhe-a para alguém mais apropriado, recuse-a
educadamente, ou, se puder, simplesmente ignore-a. Isto aplica-se
tanto a questões de interesse pessoal como de trabalho. (Ok, a Zara
está com saldos de 40%, mas é mesmo preciso ir espreitar agora o
site da loja?)

O seu primeiro dia de regresso definirá o tom para o seu novo eu
pós-férias, por isso tente encaixar-se na sua agenda. Olhe para a
sua lista “Quem é você no seu melhor?” e leve essa pessoa
consigo para o trabalho. Reserve uma hora para almoçar com os
colegas. Dê um passeio de dez minutos de manhã e outro à tarde
para permitir que a sua mente vagueie. Escute o que alguém está a
contar-lhe com atenção. Terá tempo para fazer estas coisas se não
tiver sobrecarregado logo no primeiro dia.

Este plano não tem de ser apenas para o primeiro dia de regressos
ao trabalho; poderá ser o seu modo de agir para todos os dias. Todas
as manhãs, olhe para a sua lista “Quem é você no seu melhor?”
e reforce o compromisso de levar essa pessoa do banco de areia para o
escritório. Depois, passe os olhos pela segunda lista – “Qual é
o foco para o ano?” – faça o seu trabalho fluir através desse
filtro, fazendo escolhas estratégicas sobre o que fazer e o que não
fazer, programando o seu dia para ter tempo para ser você no seu
melhor.

“Vejam!”, gritou Isabel quando eu e Leonor nos
aproximámos. Estava a apontar para vários caranguejos-eremitas que
tinha apanhado e colocado na ilha que ela e os irmãos tinham criado
com areia amontoada. Ficámos os cinco por ali alguns minutos a ver,
em silêncio, a água correr através dos caminhos e túneis,
enquanto os caranguejos se afastavam para longe.

O que me faz lembrar que há mais uma coisa que pode fazer para
suavizar a aterragem no escritório depois das recentes férias:
escolher uma data para a próxima viagem.

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