Harvard Business Review

Como ganhar credibilidade quando se tem pouca experiência

Recrutamento

Há um meme na Internet muito verdadeiro em relação a um dilema que os jovens enfrentam ao entrar no extremamente competitivo mercado de trabalho de 2017. Na foto estão dois experientes entrevistadores mais velhos, fitando criticamente o jovem candidato do outro lado da mesa, com as palavras: “Procuramos alguém com idade entre os 22 e os 26… com 30 anos de experiência”.

Este paradoxo da credibilidade é, na verdade, um dilema fundamental que muitos jovens enfrentam ao entrar no mercado de trabalho. Para terem sucesso, os jovens trabalhadores — ou alguém que inicie um novo trabalho ou carreira com pouca experiência prévia num dado campo — precisam de ser vistos como força de trabalho credível antes de ter tido oportunidade de construir uma experiência a partir do zero. Isto dá um novo significado à ideia de “o caminho faz-se caminhando”. No paradoxo da credibilidade, não há caminho para caminhar; é preciso já o ter percorrido ainda antes de começar.

Para os jovens e inexperientes, é essencial ultrapassar este desafio. Ter um início de carreira rápido ajudará a aceder a experiências e oportunidades que lhes permitirão ser notados, serem vistos como “um alto potencial” e a que lhes sejam concedidas oportunidades de aprenderem e crescerem na carreira. E não são só os mais jovens a beneficiar da resolução deste dilema. É fundamental para as empresas que gastam milhares de dólares e inúmeras horas a recrutar, entrevistar, filtrar e integrar novos empregados.

Como se pode resolver este paradoxo da credibilidade? Numa nova iniciativa no Instituto Perlmutter para a Liderança Empresarial Global da Brandeis University, estamos a estudar exatamente este problema. As primeiras conclusões sugerem que isto pode ser menos um paradoxo do que pensamos. Os jovens têm mais recursos do que julgam para superar o défice de experiência. E podem tomar atitudes para compensar e construir a perícia que lhes falta.

Eis cinco atividades simples que pode realizar enquanto jovem profissional, para fazer arrancar a sua carreira e catalisar a sua trajetória de liderança:

1. Aproveitar as suas capacidades de pesquisa. Uma das melhores maneiras de se distinguir num cenário corporativo, mesmo tendo menos experiência de trabalho, é desenvolver conhecimentos únicos que o tornem um recurso para colegas e clientes. Uma das formas mais eficazes de o fazer é usando as capacidades de pesquisa para sintetizar e dominar conhecimentos, tendências e informação específica do setor.

É provável que, caso se tenha licenciado recentemente, possua um conjunto de capacidades de pesquisa aperfeiçoado, que pode pôr imediatamente a uso num contexto profissional; porém, se não o possuir, comece a trabalhá-lo agora. Descubra o género de conhecimento específico desejado pelas pessoas do seu sector — e do qual têm falta — e construa a sua especialização em torno disso. Leia revistas e livros importantes ou veja vídeos no YouTube dos gurus do sector. Se conseguir transformar-se num recurso único e útil para resolver problemas, não tardará a construir credibilidade e a ser visto como uma fonte de informação pelos seus colegas.

2. Identifique (e ponha em marcha) o seu contributo específico. Coloque a si mesmo algumas questões básicas para identificar as suas forças e onde poderá ser capaz de ter um contributo de valor. Em que áreas sente fazer o seu melhor trabalho? Em quais recebeu elogios no passado? Pense no seu melhor eu e em como o descreveria a alguém. Como seria? Use as suas respostas para gerar forças e recursos que possam alimentar o arranque da sua carreira e acelerar o seu crescimento profissional.

Considere também o seu background pessoal. Por exemplo, pode nunca ter trabalhado neste sector ou nesta posição específica, mas é provável que possua insights úteis apenas em resultado do seu background geográfico ou demográfico. Talvez, sendo um profissional de vinte e poucos anos a trabalhar num projeto de pesquisa de marketing, tenha ideias sobre o género de perguntas que se devem fazer às pessoas da sua idade, a fim de produzir dados mais válidos e de confiança, ou sobre a forma mais viável de recolha de dados. Não pretenderá ser catalogado como alguém que tem um conjunto limitado de capacidades ou que só fala de uma perspetiva particular, formatada pelo seu background, mas usá-lo como ponto de partida pode ser uma maneira eficaz de construir credibilidade inicial e impressões positivas, especialmente enquanto recém-chegado à área e à organização.

3. Voluntarie-se. Não subestime o poder da resolução, determinação e vontade de aceitar tarefas pouco invejáveis. Se, no final de uma reunião de grupo, o seu chefe de departamento exige mais feedback dos representantes de vendas de uma linha de produtos que a equipa esteve a discutir, ofereça-se para localizar essa informação. Se os seus colegas mais velhos perguntarem se alguém quer começar a recolher um grande conjunto de dados para tendências que possam ajudar a sua equipa, aceite o projeto — isto, claro, se tiver o conjunto de capacidades requerido. As oportunidades de dar provas de si mesmo são abundantes. Aproveite-as para transmitir rapidamente a impressão de ser um trabalhador diligente e de confiança.

4. Gira a sua carga de trabalho e comunique proativamente. Embora o conhecimento e a experiência demorem o seu tempo a cultivar, pode estabelecer imediatamente uma reputação de confiança junto dos seus colegas e superiores. Gira com sensatez os seus compromissos e a sua carga de trabalho. Perceba quando está a aceitar demasiado e diga não criteriosamente (se bem que, enquanto empregado júnior, seja melhor errar pelo lado do sim, a não ser que se sinta assoberbado). Além disso, seja proativo com a sua comunicação. Se previr alguma dificuldade no cumprimento de um prazo, discuta-o com o seu superior o mais depressa possível e peça orientação quando precisar dela. Não tenha medo de fazer perguntas.

E não se esqueça da importância do acompanhamento. Leve cada tarefa até à sua conclusão. Não deixe detalhes pendurados nem prazos por cumprir. Pode não ser a pessoa mais experiente na sala, mas pode tornar-se uma das mais dignas de confiança.

5. Trabalhe para construir uma rede de relacionamentos próximos. O seu objetivo ao longo do tempo será construir uma rede profunda e variada de colegas de confiança que lhe fornecerão orientação contínua, conselhos e feedback à medida que progride no seu emprego e na sua carreira. Quando está a começar, pode ter alguma falta de contactos e de conexões, mas ficará surpreendido com a facilidade com que consegue construir a sua própria rede. Siga uma abordagem semelhante à que adotou na escola e na pós-graduação. Criou uma rede de amigos e colegas académicos e, provavelmente, teve de estabelecer contactos enquanto procurava emprego. Aproveite essas capacidades e aplique-as à sua situação atual. Convide colegas de trabalho para almoçar. Identifique superiores que admira e perceba como pode conectar-se com eles dentro da cultura da organização. Em algumas empresas, talvez possa convidá-los diretamente para uma reunião ao almoço ou durante um café. Noutras, talvez seja melhor esperar até ter mais experiência de trabalho com eles antes de aprofundar o contacto.

O mais importante, contudo, é trabalhar com afinco para conhecer o máximo de pessoas a nível profissional ou mesmo pessoal. Estes contactos e conexões podem ser mentores críticos, caixas de ressonância para as suas ideias, e potenciais defensores para si e o seu trabalho na organização. Demonstre-lhes a sua motivação, empenho e conhecimentos relevantes e, quando for possível, arranje maneiras de lhes ser útil e ajudá-los com o seu trabalho.

A especialização não se constrói sozinha, e os seus colegas não o verão como uma parte crucial da organização até que prove sê-lo. Porém, desenvolvendo a confiança para aproveitar as ferramentas, ativos e capacidades que já possui enquanto jovem profissional, pode ultrapassar o paradoxo da credibilidade e ter um bom arranque de carreira.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

Emprego dos jovens que acabaram agora o curso regressa a níveis pré-troika

Foto: Sonae

Cláudia Azevedo, desafios de uma sucessão na continuidade da Sonae

O antigo ministro da Economia, Manuel Pinho, durante a sua audição na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, sobre o seu alegado relacionamento, enquanto Ministro da Economia e da Inovação, e o setor privado, Assembleia da República em Lisboa, 17 de julho de 2018. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Manuel Pinho: “PSD é o pai dos CMEC e a mãe das barragens”

Outros conteúdos GMG
Como ganhar credibilidade quando se tem pouca experiência