Como se auto-promover sem parecer um idiota

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Para algumas pessoas, a promoção pessoal pode ser desconfortável. Isto é certamente verdade para profissionais estrangeiros a trabalhar na América, forçados a navegar em costumes culturais diferentes na nação mais agressiva do planeta quanto ao <em>branding</em> pessoal.

Porém, mesmo para muitos, trata-se de um processo delicado: como garantir que o seu talento é reconhecido sem hostilizar os colegas e sem parecer um idiota?

O primeiro passo é compreender o verdadeiro valor da promoção pessoal. Claro que podemos obter melhores ofertas de emprego ou melhores tarefas se formos vistos como profissionais «estrela». Mas não se trata apenas de nós, e é bom que isto seja lembrado por aqueles que se incomodam com a caricatura dos hábitos de branding pessoal (como o networking) enquanto clara tentativa de influenciar os outros. A verdade é que, quando se promove a si mesmo da maneira certa, está numa situação em que todos ganham. Os seus colegas e chefes, provavelmente, não têm tempo para compreender completamente os seus interesses, talentos e conjunto de capacidades. Assim, se conseguir que lhes fique claro em que situações pode ser mais capaz de dar um bom contributo, facilitará as suas vidas e ajudará a empresa em geral.

O passo seguinte é concentrar-se em factos, não em interpretações. Ninguém pode argumentar se disser que é apaixonado pelas redes sociais, ou que escreve em blogues há mais de uma década ou que tem X seguidores no Twitter. Mas podem discordar completamente caso se designe a si mesmo como “especialista em redes sociais” (ou mesmo, Deus nos acuda, “guru” ou “ninja”). Seja qual for a sua área, será bom se as outras pessoas o quiserem baptizar como especialista – na minha própria biografia, cito alegremente várias revistas que me atribuíram essa designação. Mas é presunçoso fazê-lo você mesmo, e arrisca-se a represálias. (O bem conhecido autor Gary Vaynerchuk, disse à TechCrunch: “99,5% dos especialistas em redes sociais são palhaços.”)

É importante demonstrar a sua perícia com histórias e não com palavras. Dizer “Sou excelente a atrair investidores” parece muito egocêntrico. Mas partilhar uma história interessante sobre como conseguiu reunir capitais iniciais permite aos outros deduzirem as suas capacidades sem que tenha de as explicitar. As pesquisas demonstraram que, quando os ouvintes são expostos a histórias, muito mais secções dos seus cérebros são ligadas e eles, literalmente, imergem no momento consigo, o que lhe permite causar uma impressão muito mais profunda. As pessoas podem ouvir as suas palavras se disser que é fantástico, mas contar-lhes uma história permite que sejam eles próprios a senti-lo.

Também será bom assegurar-se de que as suas histórias são relevantes. Se estiver numa festa e a conversa convergir para o tema das startups, é perfeitamente apropriado mencionar que lançou uma e partilhar a história do seu êxito. Porém, se for muito óbvio que tenta fazer a conversa convergir na sua direção (“Por falar em basquetebol, já vos contei sobre o meu novo empreendimento na nuvem?”), as pessoas ficarão incomodadas com a sua abordagem desastrada. A promoção pessoal funciona melhor quando é natural – quando pretende contribuir para a conversa organicamente, e não açambarcar os holofotes. (Conforme discuto no meu livro “Reinventing You”, ainda é melhor se conseguir recrutar um “ajudante” para intervir em seu nome e mencionar as suas concretizações mais relevantes.)

Finalmente, mesmo quando se está a promover a si próprio, é essencial demonstrar humildade. Isso não significa, de forma alguma, que deva esconder as suas capacidades. Contudo, terá de ser sensível ao facto de que algumas concretizações farão os outros sentirem-se invejosos ou inadequados, e passará uma imagem de pretensioso. Trata-se, acima de tudo, de atribuir os créditos onde estes são devidos. Se trabalhou na China, alguém poderá perguntar-lhe sobre as suas capacidades linguísticas. Poderia, certamente, dizer, “Sou fluente em mandarim”, e deixar as coisas por aí. Mas é muito mais interessante fornecer contexto. “Tive a grande sorte de a minha escola secundária ter proporcionado aulas de Mandarim, por isso estudei durante alguns anos e consegui tornar-me fluente”. Este feito continua a ser impressionante, mas salientou o seu talento sem fazer o outro sentir-se mal consigo mesmo.

Também é importante recordar que a humildade não é o mesmo que denegrir-se a si mesmo. Menosprezar os seus talentos pode ser uma boa estratégia de promoção pessoal em alguns países, especialmente na Ásia. Nos Estados Unidos, porém, corre o risco de parecer incompetente (“Se ele diz que não é bom em mandarim, provavelmente não é”), ou falso e condescendente. Seja humilde, mas seja verdadeiro.

Muitas vezes, as pessoas evitam a promoção pessoal por medo de hostilizar os colegas e desenvolver uma reputação de gabarolas, mas as coisas não têm de ser assim. Em vez disso, o branding pessoal pode beneficiá-lo a si e à sua empresa, pois ajuda os outros a compreenderem onde o seu desempenho é melhor, garantindo assim que os seus talentos sejam utilizados da melhor maneira possível.

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