Salários

Mais contratações e pressão para subida de salários em 2018

Fotografia: Arquivo/Global Imagens
Fotografia: Arquivo/Global Imagens

Consultora Michael Page prevê mais emprego na indústria, setor das tecnologias de informação e centros de serviços partilhados.

A criação de emprego em 2017 atingiu o nível mais alto dos últimos 19 anos e a taxa de desemprego em Portugal foi de 7,8%, o valor mais baixo a registar desde 2004, segundo os dados revelados pelo INE. A tendência, segundo o Governo e empresas, é que o ritmo se mantenha. Essa é também a previsão da empresa de recrutamento Michael Page. – Leia a nota editorial no final do artigo.

Todos os anos, a consultora analisa os diferentes setores de atividade e elabora as respetivas tendências de mercado para o ano seguinte. Na análise feita para este ano, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, a Michael Page antecipa um reforço das contratações em 2018, transversal a várias áreas de negócio.

Os centros de serviços partilhados, os centros tecnológicos e de I&D, e as áreas de tecnologias de informação (TI) e indústria” serão os setores com mais vagas de emprego este ano, antecipa a Michael Page.

No caso das tecnologias, “a procura tem sido maior, de tal forma que a faturação [da empresa] cresceu 68% face ao ano anterior”, aponta António Costa, responsável pela área de TI da Michael Page em Portugal, acrescentando que “a orientação para as ferramentas de inteligência empresarial, internet of things (IoT) e machine learning estarão entre os conhecimentos necessários para este ano.

Já na indústria, adianta o mesmo responsável, “a procura em 2017 quase duplicou e os salários aumentaram cerca de 15%. Este é um mercado com grande procura de profissionais com know how técnico”.

As empresas do setor da industriais poderão enfrentar algumas dificuldades na retenção de trabalhadores, considera Pedro Martins, responsável da Michael Page por esta área. “Os recursos humanos são por vezes difíceis de reter, uma vez que os candidatos procuram cargos com um conjunto de benefícios aos quais as empresas devem estar atentas”.

Ao nível salarial, as indústrias da tecnologia e engenharia são também as que mais evoluíram face aos anos anteriores, “graças à diferença entre a oferta e a procura”, explica Carlos Andrade, responsável do escritório do Porto desta multinacional de recrutamento.

Segundo as estimativas da consultora, no Porto ganha-se menos do que em Lisboa. Na maioria dos setores, os ganhos anuais brutos, sem bónus na capital são superiores aos do Norte, à exceção de áreas como o marketing, indústria e logística. “O Porto continua a ser um mercado muito mais industrial e Lisboa de serviços”, sustenta Carlos Andrade.

Mesmo assim, o responsável nota que, “com a criação de vários centros de serviços partilhados nos últimos anos, alguma desta diferença tem-se esbatido”, o que o leva a acreditar que “esta seja uma tendência que irá continuar, com o Porto a conseguir atrair e reter mais talento no futuro”.

Essa trajetória, sublinha, “será alavancada pelo grande número de alunos que está a sair de universidades como a Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP), Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), Universidade do Minho, Universidade de Aveiro e Universidade de Coimbra”.

Sector a sector: Conheça as perspetivas salariais para 2018

Saúde

Para as profissões relacionadas com a saúde, a Michael Page destaca a “maior confiança para recrutar” e dá conta de “uma procura significativa de profissionais nas áreas de medical affairs e market access, sendo notória uma recuperação face aos anos anteriores nas áreas comercial e de marketing”. As empresas procuram candidatos licenciados em Ciências da Saúde, com conhecimentos de inglês e espanhol. No que toca aos vencimentos entre Porto e Lisboa, existe uma paridade relativamente transversal a todas as funções, com algumas exceções.

Logística

A análise da recrutadora diz que “a procura de profissionais nas áreas de logística tem crescido nos últimos anos e encontra-se atualmente bastante dinâmica na indústria, no retalho e na construção”. A procura por estes profissionais é superior, adianta a Michael Page, à oferta do mercado. Esta tendência deve-se ao facto de cada vez mais a logística e o supply chain serem vistos como fundamentais para o negócio, tanto na indústria como nos serviços. O setor logístico é dos menos assimétricos ao nível salarial, sendo que Lisboa continua a praticar melhores salários do que o Porto.

Engenharia e manufatura

Esta é das áreas com mais urgência em contratar, mas que, “em muitos casos, a procura ultrapassa a oferta”, uma tendência que, diz a recrutadora, “se verifica desde há dois ou três anos e que está para ficar”. Para isso tem contribuído o reforço da capacidade produtiva de muitas multinacionais e, adianta a Michael Page, “o aparecimento de novos projetos e novas empresas de âmbito industrial, bem como a nova vaga de centros de I&D e centros tecnológicos”. Cargos de chefia ou relacionados com I&D são tendencialmente mais bem pagos no Norte.

Fiscalidade e justiça

No mercado da advocacia e consultoria, Lisboa vence o Porto nas remunerações de quase todas as profissões do setor. Por exemplo, um advogado – estagiário ou associado -, pode ganhar o dobro na capital em comparação com a Invicta. os perfis mais procurados incluem “uma formação académica de excelência nas denominadas universidades de prestígio, complementadas com um bom percurso profissional e com valências ao nível de idiomas”. No chamado mercado de tax (advogados fiscalistas)nota-se “alguma acalmia face a anos anteriores de grande dinamismo”.

Hotelaria, turismo e lazer

O boom turístico dos últimos anos em Portugal faz desta área uma das mais necessitadas de mão-de-obra. “No últimos anos temos assistido ao surgimento de novas funções com enorme preponderância no setor, em que destacamos: revenue manager, e-commerce manager e banquet chef”, aponta a Michael Page sobre os cargos com boas perspetivas neste setor. De acordo com a a análise da empresa de recrutamento, todas as profissões relacionadas com o setor do turismo garantem uma remuneração anual mais significativa em Lisboa do que no Porto.

Tecnologias de informação

Estamos perante uma revolução digital, o que significa que é neste setor que há mais procura e, em muitos casos, os melhores salários. A procura de talentos é transversal a todo o país, o que faz que não haja grandes discrepâncias salariais entre Lisboa e Porto. As perspetivas da Michael Page apontam para melhores salários na capital, salvo uma única exceção – responsável de segurança do sistema informático. No entanto, sublinha a empresa, “as diferenças estão cada vez mais atenuadas, com o crescimento do mercado do Porto e forte investimento de empresas tecnológicas do Norte”.

Finanças

Nesta área, procuram-se “perfis financeiros, nomeadamente em funções de controlling, contabilidade, tesouraria e direção financeira”. Excluindo as funções de controlo, existem assimetrias claras nos salários previstos para este ano entre Norte e Sul. Para um diretor administrativo financeiro, a Michael Page prevê um salário anual de 80 mil euros em Lisboa e 60 mil euros no Porto. O mesmo acontece com responsáveis de estratégia ou responsáveis de fusões e aquisições, em que ambas as profissões auferem mais dez mil euros na capital do que na Invicta.

Retalho

A proliferação das lojas de proximidade e a quota de mercado cada vez maior do e-commerce tem provocado alterações neste setor. “Ao nível do recrutamento, os perfis mais procurados são direcionados para o digital, de business analyst ou de TI”, mas também “uma maior preocupação das empresas em ter um departamento de recursos humanos mais completo ao nível da formação e carreiras”. Segundo as perspetivas da Michael Page, as diferenças remuneratórias são quase abismais em algumas profissões entre Lisboa e Porto, sempre a favor da capital.

Vendas e marketing

“Os candidatos querem segurança no emprego e desenvolvimento de carreira e, como consequência, darão prioridade às oportunidades em que o salário possua uma componente fixa mais atrativa, preferível a um bónus reconfortante”, considera a Michael Page na análise a um dos setores onde se notam grandes diferenças salariais, quase sempre a favor de Lisboa, onde profissões como diretores comerciais chegam a ganhar mais 30 mil euros de remuneração do que aono Porto fim de um ano. O mesmo se aplica a diretores de marketing e gestores de vendas.

Banca e serviços financeiros

Para o universo dos créditos e empréstimos, a Michael Page prevê “uma consolidação da confiança” no setor financeiro para 2018, destacando um foco cada vez maior “no cliente particular relativamente à concessão de crédito”. Para quem procura integrar o mundo da banca, Lisboa é apontada como o melhor sítio para o fazer. A maioria das funções tem um melhor salário (com diferenças entre os cinco e os 15 mil euros) na capital do que no Porto, que apenas consegue igualar o nível salarial em duas profissões: responsável por modelos financeiros e analista de crédito.

Recursos humanos

“Os cargos e respetivas remunerações dos recursos humanos irão variar de acordo com as áreas de negócio, volume de faturação, número de colaboradores, bem como a sua localização e âmbito”, adianta a Michael Page na análise ao setor onde Lisboa volta a ser beneficiada. Nesta área profissional, e tal como acontece na banca, o Porto apenas consegue igualar a qualidade salarial alfacinha em funções: gestor de operações de RH e gestor de compensações e benefícios. Todos os outros cargos são, segundo a Michael Page, mas bem pagos na capital.

Secretariado

“Ao contrário do que se pensava as funções de suporte continuam a ter uma grande relevância na maioria das empresas. O que mudou foi o nível de especialização de cada perfil, já não existindo uma procura tão grande de perfis generalistas administrativos. Uma das funções mais em voga neste momento em Portugal é a função de office manager”, sublinha a Michael Page sobre o setor que prevê como um dos mais justos ao nível salarial. As remunerações em Lisboa, na maioria dos cargos desta área profissional, são superiores às praticadas no Porto.


Nota editorial (atualizada no dia 9 de fevereiro às 13h15): As tabelas relativas ao setor do Marketing foram inicialmente apresentadas com os valores do Porto e Lisboa trocados, sendo o lapso da responsabilidade, já assumida, da Michael Page. Os valores já foram, no entanto, corrigidos. Aos leitores, as nossas desculpas pelo erro.

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