Cuidado com o perfil no Facebook: empresas já o usam para o avaliar

A trabalhar? Ou nem por isso?
A trabalhar? Ou nem por isso?

A melhor forma de saber se um candidato a um determinado emprego é o
ideal para ocupar o cargo, é consultando o seu perfil de Facebook. Mas
não se preocupe em ir apagar à pressa aquelas fotografias no Festival
Sudoeste em 2009 ou em Ibiza no Verão passado, porque
até pode vir a ser contratado devido à sua personalidade extrovertida e
aberta, tal como demonstra o seu perfil na rede social.

Um novo estudo da Universidade de Northern Illinois demonstrou que existe uma relação entre o perfil de Facebook e o desempenho no trabalho. Os investigadores recrutaram um grupo de profissionais de recursos humanos especialistas no Facebook e vários estudantes para avaliar os perfis de 56 utilizadores.

Os profissionais analisaram os perfis durante 10 minutos cada antes de atribuírem uma classificação de acordo com os cinco principais traços de personalidade: abertura, extroversão, afabilidade e grau de neurose, segundo o Mashable.

Após seis meses, os investigadores compararam as avaliações dos 56 utilizadores com a sua avaliação de desempenho no trabalho e encontraram uma forte correlação em traços incluindo a curiosidade intelectual, afabilidade e neuroticismo. As avaliações são contundo subjectivas, mas os candidatos não se devem preocupar em limpar o seu perfil de Facebook.

Don Kluemper, um dos autores dos estudo, diz que ao contrário do senso comum, uma imagem de um candidato em festa a beber uns copos não vai necessariamente prejudicar as suas hipóteses de ser contratado. “Não penso que uma imagem de alguém a beber uma cerveja possa afecta-lo, mas uma imagem de uma pessoa embriagada deitada na rua pode ser negativa”, afirma.

Outros indicadores, como imagens de viagens e referências a viagens indicam abertura para novas experiências e um espírito aventureiro. Outro bom indicador, é quanto for maior o número de amigos, maior a extroversão da pessoa.

Mas pode sempre recorrer a outros métodos de forma a impedir que investiguem o seu perfil na rede social como: bloquear o acesso a todos os utilizadores que não estiverem na sua lista de amigos; pode criar dois perfis, um profissional e outro de lazer; pode utilizar um pseudónimo; ou então utilizar um e-mail diferente do habitualmente utilizado para questões profissionais, de forma a impedir que encontrem o seu perfil desta forma.

Um segundo estudo também olha para a relação entre as avaliações retiradas do perfil do Facebook e o sucesso académico. Kluemper diz que o estudo, que inclui uma amostra maior (244 indivíduos), descobriu que os perfis fazem uma previsão correcta das notas escolares. “Podemos prever melhor o sucesso académico do que um teste de Quociente de Inteligência (QI)”.

Apesar dos estudos, Don Kluemper defende que as empresas não devem usar o Facebook para investigar os candidatos, apesar de várias já utilizarem este método. Kluemper diz que ainda não existem dados empíricos suficientes que estabeleçam uma ligação entre os perfis de Facebook e o desempenho no trabalho.

“Este estudo oferece um pouco de validação. Mas existem centenas de estudos que demonstram que os testes de personalidade conseguem prever a performance. Mais estudos precisam de ser realizados” nesta área, conclui Kluemper.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Fotografia: Gustavo Bom/Global Imagens

Não conseguiu validar as faturas para o IRS? Contribuintes têm mais um dia

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva (C), acompanhada pelo secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Cabrita(D) e pela secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdadepela (D), Rosa Monteiro, durante a reunião da Comissão Permanente de Concertação Social, em Lisboa, 26 de fevereiro de 2020. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Governo propõe licença paga até um ano a part-timers com filhos

O ministro das Finanças, Mário Centeno, na apresentação das obras de arte da coleção BPN, agora integradas na Coleção do Estado, no Forte de Sacavém. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Fundo de Resolução já pagou em juros 530 milhões ao Estado e 90 milhões a bancos

Cuidado com o perfil no Facebook: empresas já o usam para o avaliar