Economia Viva

Daniel Traça: “A escola serve como plataforma para ideias”

Daniel Traça, dean da Nova SBE
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Daniel Traça, dean da Nova SBE ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

A quinta edição do programa Economia Viva, da Nova SBE, arrancou hoje e traz uma semana de debates sobre temas que vão as leis laborais à economia verde, dos novos desafios da zona euro ao papel da política monetária. Contando com representantes destacados da sociedade nacional e internacional, todos os painéis tiveram organização dos alunos do campus de Carcavelos.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o dean, Daniel Traça, explica a importância deste programa, que influencia alunos, professores e comunidade.

Esta é já a quinta edição do Economia Viva. Em que áreas se nota maiores diferenças desde o início até agora?

O objetivo em cada nova edição do Economia Viva é, não só crescer em relação à edição anterior, mas fazê-lo de forma sustentável, nunca abandonando a sua matriz de projeto organizado por alunos e mantendo a independência necessária para que possa acolher todas as opiniões acerca de cada assunto debatido. Nesse sentido, nota-se uma evolução ao nível da internacionalização do debate, por via da diversidade de oradores e dos parceiros associados. A experiência permitiu reformular e profissionalizar a própria imagem do evento, um processo que fica também associado à mudança para o novo campus da Nova SBE, em Carcavelos.

Como resultado, o número de espectadores por painel tem vindo a aumentar nas últimas edições, uma tendência que esperamos que se venha a manter e que demonstra que o objetivo de crescimento sustentável está a ter os resultados pretendidos.

Pública, financiada por privados e aberta a todos. Assim é a Nova SBE. Leia aqui

Até que ponto o dean está envolvido na organização deste que é o maior ciclo de conferências sobre Economia organizado por alunos?

A escola serve como plataforma para ideias inovadoras. O evento, apesar de ter um importante apoio da faculdade, é organizado por alunos do Nova Economics Club e da Nova SBE Students’ Union. Estas organizações, tal como os restantes clubes de alunos, beneficiam de um grande grau de independência que obriga os seus membros a procurar soluções de forma pró-ativa. Esta é, aliás, uma das características que mais fomenta o espírito crítico e empreendedor que abunda na faculdade.

Esta edição trata temas que vão da regulação dos mercados aos efeitos das políticas públicas no crescimento, passando pela incontornável tendência verde. E conta com figuras destacadas das áreas de debate, incluindo ex-governantes como Caldeira Cabral ou personalidades como Faria de Oliveira. Como selecionaram os temas e painéis?

Existe sempre a preocupação de escolher um tema que esteja na agenda de debate público até à data em que o evento se realiza. É feita uma pesquisa sobre os temas que estejam a ser debatidos e que, obviamente, tenham interesse do ponto de vista da discussão económica, sendo selecionados aqueles que mais provavelmente cumprirão os critérios de relevância e cuja discussão possa trazer frutos ao debate público. Feita a seleção dos temas, os oradores são escolhidos pelo seu destaque nas diversas áreas, acolhendo individualidades com posições distintas acerca da problemática em debate.

Estes contactos e o que ouvem nos debates com os alunos revelam-se depois no seu desenvolvimento curricular?

A organização de um evento desta dimensão obriga a um envolvimento e análise dos temas que enriquece, indubitavelmente, quem dela faz parte. A massa crítica cresce, forçosamente, na sequência dos debates a que os alunos assistem. Cremos que as soft skills dos organizadores saem claramente reforçadas deste processo, para além do conhecimento adicional que adquirem e pode depois ser explorado nas aulas e fora delas. O último fator da expansão de conhecimento é extensível a todos os espectadores, que podem “beber” do valor acrescentado de uma discussão que envolve as visões de agentes políticos, académicos, profissionais dos diferentes setores e dos próprios alunos. O Economia Viva é um dos muitos exemplos desta nova forma de educar para o futuro, para o impacto e para a inovação em que acreditamos.

Qual é a maior vantagem/efeito de juntar os contributos de alunos e políticos, especialistas e professores?

A escola é um espaço aberto para a criação de impacto e assim, os participantes nos diferentes painéis, para além das visões diferentes que têm sobre os diferentes temas, abordam também os assuntos com diferentes perspetivas, fruto dos diferentes objetivos da sua profissão. Nessa perspetiva, um debate multidisciplinar permite a fusão de ideias complementares que permitam analisar o problema a partir de uma visão completa que inclui todos os prós e contras. Uma decisão mais informada será, racionalmente, tão boa ou melhor do que outra com menos informação. Como tal, a vantagem de ter uma discussão multifacetada é exatamente contribuir para uma decisão mais fundamentada.

Tem feedback de profissionais que também saíram destes encontros diferentes a saber algo novo?

Nas conversas que existem após os debates com os intervenientes, alguns deles de instituições como a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, recebemos sempre agradecimentos e reconhecimento dos oradores que dizem ter tido uma experiência enriquecedora.

Acredita que estes contactos também ajudam à identificação e pré-recrutamento de talentos?

Todos os contactos dos alunos com as empresas e instituições governamentais ajudam ao desenvolvimento dos primeiros e, possivelmente, à criação de contactos entre ambas as partes. Os empregadores podem beneficiar desta rede diretamente e os alunos podem usar a experiência como fator diferenciador aquando da entrada no mercado de trabalho.

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