Davos sob stress adere à meditação

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As doenças psíquicas, consequência do stress ou da pressão no trabalho, irão gerar custos de 16 biliões de dólares (11,8 biliões de euros), nos próximos 20 anos, segundo a Universidade de Harvard e o World Economic Forum, em Davos. Um problema que afectará a vida das empresas e por consequência, a economia mundial.

É com este foco que muitos oradores no Fórum de Davos estão a dar o seu depoimento. É o caso da atriz Goldie Hawn, que defende as virtudes da meditação para combater o stress, angustia do trabalho e, em consequência disso, aumentar a produtividade no trabalho.

Outro orador, Robert Greenhill, o chief business officer (CBO) do Fórum, defende mesmo que o “grande reconhecimento vai no sentido de que os elevados níveis de stress dos últimos cinco anos não dão sinais de abrandar.”

Para combater estes males vários são os promotores em Davos, nomeadamente Google e McKinsey, a trabalhar no sentido de conseguir assinaturas para o “Davos Health Challenge”, uma série de compromissos que incluem fazer exercício físico, manter-se hidratado, e conseguir dormir horas suficientes.

“Não podemos separar corpo da mente e aquilo que chamamos espírito. A saúde é uma combinação disto tudo”, diz Nerio Alessandri, chief executive officer do fabricante de equipamentos, Technogym, citado pela Bloomberg. “Esta ideia está a ter impacto na tomada de decisões de políticas”, reforça o responsável em Davos pela quinta vez.

“É mais do que evidente que o bem-estar psicológico afecta a produtividade nos negócios”, diz Laura Tyson, conselheira económica da administração de Bill Clinton, presente em Davos.

Os casos são mais do que muitos: A Bloomberg lembra os vários gestores do Lloyds Bank, caso do português Horta Osório, e do Barclays que tiveram de retirar-se devido ao stress e axautão.

Já a Goldman Sachs, Credit Suisse e Bank of America estão entre aqueles que tiveram de rever as suas práticas laborais nesta área. Isto depois da morte de Moritz Erhardt, estagiário no Bank of America em Londres, que morreu em agosto de 2013, de um ataque de epilepsia em consequência de excesso de horas de trabalho.

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morre de excesso de trabalho

Enquanto se discute como combater o stress, novos estudos surgem apontando novas causas desta doença, nomeadamente que a atenção constante aos smartphones, tablets e outros equipamentos eletrónicos podem afetar o cérebro humano.

Isto é tão verdade que algumas tecnológicas em Silicon Valey sentiram a necessidade de aderir ao “Detox Weekend”, iniciativa que que bane equipamentos e promove conferências de meditação e yoga.

“Criámos um problema que agora estamos a tentar resolver”, diz Loic Le Meur, co-fundador da empresa de Paris, Le Web, presente em Davos, que assume ter começado a fazer meditação há seis meses.

“Estamos completamente viciados no Facebook e Twitter e estamos sempre a ser bombardeados pelo nosso telemóveis e Internet”, assume o mesmo responsável.

Mas por Davos também estão a passar os defensores das tecnologias em benefício do combate ao stress e mal-estar psíquico. Na sessão “Rewiring the Brain”, o cientista da Universidade de Genebra, Suíça, Dalpne Bavelier, diz que “na revolução tecnológica há coisas boas e más.”

O estudioso dos benefícios dos videojogos para o cérebro humano assume mesmo que faz a sua meditação recorrendo a uma aplicação de smartphones, chamada Headspace.

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