Desejoso de mudança? Siga os mandamentos que lhe facilitarão a vida

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Denise Wang estava confortável com a sua vida em Londres. Tinha um excelente emprego como responsável de Marketing numa empresa de bens de consumo sediada no Reino Unido; um marido que a apoiava, Phil, que era sócio de uma consultora internacional, e duas filhas de oito e dez anos, que nos últimos três tinham frequentado a mesma escola no bairro onde viviam.

Então, Denise (nome fictício) foi informada de que a sua empresa procurava alguém para dirigir o escritório de Singapura, em expansão naquela época. Era o tipo de função que ela sempre desejara.

Já trabalhara naquela cidade asiática 12 anos – fora aí que conhecera o marido – e mantinha ali uma boa rede de contactos. O casal sempre falara em regressar, um dia. Teria chegado a altura? Seria possível ela e a família gerirem eficazmente uma mudança tão significativa?

Para executivos com talento e ambição, trabalhando em grandes empresas globais, as grandes transformações de carreira são um facto da vida. O mesmo é verdade para a necessidade de se adaptarem constantemente a novas tecnologias, grupos de trabalho, estratégias e modos de pensar e de se comportar.

Contudo, até profissionais experientes como Denise podem achar a mudança pessoal difícil. Muitas vezes o problema é interno: receiam não estar à altura das novas tarefas. Outras vezes o obstáculo são os familiares: um cônjuge ou um filho a quem não agrada a ideia de um horário ou local de trabalho diferentes.

Quando se trata de transições pessoais, não há um guião para o sucesso, e muitos líderes terão dificuldades. Foi por isso que desenvolvi um esquema para pensar a mudança: trata-se de gerir os sete factores que se seguem.

COMPLEXIDADE

Quando Denise soube do posto de trabalho em Singapura, sentiu-se esmagada pelo número de variáveis a considerar. A maior parte dos executivos na sua situação sentem-se da mesma maneira.

Alguns procuram simplificar e, em resultado, acabam por reverter à situação estável que tinham ou, para facilitar a decisão, ignoram aspetos problemáticos da mudança. Ambos os mecanismos são contraproducentes.

Para dar início a um esforço de mudança bem-sucedido é preciso aceitar a sua dinâmica complexa. Faça um inventário minucioso de todos os fatores em jogo, pense neles sozinho, fale com as partes afetadas e procure conselho de terceiros. Denise discutiu a oportunidade com colegas, família e amigos, e todos contribuíram para que ela percebesse o que a mudança poderia significar, para si e para os que a rodeavam, pessoal e profissionalmente.

CLAREZA

Tem de compreender, organizar e priorizar muito bem todos os fatores, reduzindo assim a sua ansiedade em relação a eles. Esta tarefa exige uma reflexão profunda, assim como conversas com os recursos externos adequados.

Através de conversas com o seu coach e com amigos e colegas de confiança, Denise percebeu que aquele trabalho era a sua oportunidade de fazer uma verdadeira diferença na sua carreira – algo que ela valorizava mais do que a facilidade da sua vida familiar em Londres.

Precisava de mais informação e, sem dúvida, negociar com Phil para ter a certeza de que uma mudança funcionaria para a família, mas sabia que queria dar aquele salto. A clareza acerca do seu desejo permitiu-lhe passar o foco de si própria para os outros.

CONFIANÇA

Um executivo deve sentir-se capaz de gerir a mudança, sem esquecer que muitas mudanças não são previsíveis nem controladas. Acreditarmos em nós próprios é, sobretudo, condicionado pela nossa história de vida, mas é algo que podemos facilitar com pequenas ações, como ligarmo-nos a alguém que ofereça apoio pessoal, resolvendo pelo menos problemas menores associados à mudança ou visualizando um resultado positivo.

Denise aumentou a sua confiança pensando em conversas que tivera no passado com o patrão e o marido. E quando perguntou a algumas pessoas da sua rede de contactos se achavam que ela se daria bem em Singapura depois de tantos anos na Europa, e como responsável para o país em vez de responsável de uma divisão de marketing, o feedback foi positivo. Sentiu que era qualificada para o trabalho.

CRIATIVIDADE

A inovação é fundamental para qualquer esforço de mudança. Ao sermos confrontados com problemas, temos de arranjar soluções criativas mas realistas, adaptando estratégias usadas no passado e desenvolvendo novas.

Mais uma vez, deve procurar apoio junto das pessoas em quem confia e de novos contactos com experiência relevante, para testarem as suas ideias e o ajudarem a criar soluções. Denise candidatou-se ao emprego e foi muito bem recebida. Pediu à empresa que enviasse toda a família para Singapura com um especialista em relocação que os ajudasse a procurar apartamentos e escolas.

COMPROMISSO

Uma vez que esteja pronto a comprometer-se com um curso de ação positiva e realista e a implementá-lo o melhor que souber, precisa de bloquear as outras opções – incluindo a fuga – e avançar.

Este é, muitas vezes, o passo mais difícil, mas sem ele não há mudança. Nesta fase já não estamos a medir os prós e os contras da decisão, nem a pensar melhor nela. Estamos a trabalhar para que a mudança seja bem-sucedida.

Denise aceitou o cargo e começou a trabalhar em Singapura. Phil começou a fazer contactos para arranjar trabalho. Ambos tentaram entusiasmar as crianças em relação à escola internacional francófona que frequentariam no ano seguinte. Com a família, agora, também comprometida na mudança, Denise pôde concentrar-se em desempenhar bem o seu novo papel.

CONSOLIDAÇÃO

Nesta fase abandona-se a situação anterior, para que novas possibilidades possam surgir. À medida que se adapta, alguns aspetos da sua anterior identidade devem ser postos de lado ou rejeitados. Alguns indivíduos atravessam esta fase concentrando-se, não naquilo que perderam, mas no que ganharam. Veem a mudança como um desenvolvimento – algo que os aproxima mais de um “verdadeiro eu” ou de possibilidades que podem, agora, concretizar.

Denise viveu exausta durante os primeiros meses no novo emprego. Viajar de avião por toda a Ásia e para Londres fê-la sentir-se dividida entre duas vidas. Contrariou estes aspetos negativos concentrando-se em tudo o que estava a correr bem. Estava muito satisfeita com a sua posição de liderança. A transição decorrera com suavidade.

MUDANÇA

A mudança é difícil mas, para os líderes que querem ter êxito no ambiente empresarial atual, é inevitável.

Estes sete fatores são uma forma de gerir potenciais transições e executar eficazmente novos cursos de ação. Podem ser usados para comunicar a outros a história da sua mudança e para aprender com a experiência. O tempo necessário para realizar este processo varia muito, dependendo do indivíduo e das circunstâncias.

Algumas pessoas demoram-se mais numa etapa, incapazes de fazer o que é necessário para passar à seguinte. Algumas precisam de mais tempo para a reflexão pessoal ou para permitir que os seus outros significantes acompanhem o seu pensamento. Alguns atravessam uma etapa demasiado depressa e têm de voltar atrás para confrontar questões não resolvidas.

Para aqueles que estão a perguntar-se como progredir ao longo destes sete fatores, o melhor conselho (ainda que possa ser um pouco insatisfatório) é: o mais depressa que conseguir. O tempo que for necessário. Mas mantenha-se firme. Os executivos que aprenderam a dominar a técnica acreditam que esta se tornou o pilar da sua resiliência e sucesso.

Mestres da Mudança

A mudança está imbuída nas vidas das pessoas a que chamo cosmopolitas globais – executivos com instrução elevada, multilingues e que viveram, trabalharam e estudaram longos períodos noutras culturas.

Estas pessoas:

– veem a mudança como normal.

– compreendem os seus aspetos subtis e emocionais.

– fazem experiências com novas identidades.

– têm facilidade em aprender e empregar novas formas de pensamento

– usam o seu estatuto de forasteiros para resolver problemas

O truque é equilibrar tudo isto com algum grau de estabilidade na sua identidade, relacionamentos e carreira.

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