Comércio, Engenharia e Tecnologias da Informação

Desemprego é o que menos preocupa os informáticos

Veja as cinco vagas de empregos que levam mais e menos tempo a preencher
Veja as cinco vagas de empregos que levam mais e menos tempo a preencher

O primeiro-ministro defendeu, anteontem, o desenho de políticas ativas de emprego à medida daqueles que trabalharam em áreas que não serão retomadas com a mesma importância do passado, como é o caso da construção civil e obras públicas. Este alarme poderá servir para muitas outras áreas de formação, mas há um grupo de profissionais que nem sequer pensa na palavra "desemprego": os informáticos.

Os atuais estudantes de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) não têm preocupações quanto a arranjar emprego: as empresas vão aliciá-los mesmo antes de terminarem o curso e digladiam-se para oferecer as melhores condições. Faltam programadores, administradores de redes, engenheiros informáticos e outros profissionais dos computadores e o cenário tenderá a piorar nos próximos anos, por muito que as universidades tentem aumentar as vagas para os referidos cursos.

“De acordo com estudos da Comissão Europeia, estima-se que em 2020 existirão cerca de 815 mil vagas não ocupadas de profissionais em TIC, dos quais cerca de 15 mil em Portugal”, adianta Raul Vidal, diretor do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a instituição mais procurada do país e que forma, anualmente, mais de uma centena de profissionais com uma empregabilidade de 95% em menos de seis meses. No corrente ano letivo, teve 840 candidatos a 117 vagas no curso de engenharia informática e computação, em que o último colocado tinha uma média de 16,18 valores.

“Sem perda de qualidade no ingresso podíamos pensar em aumentar o numerus clausus de 117 para 150”, adianta o responsável. Mas o “congelamento de numerus clausus a nível da Universidade do Porto” e as “restrições orçamentais para recrutamento de mais docentes” afastam essa possibilidade.

Da Universidade do Minho saem, anualmente, cerca de duas centenas de profissionais da área de TIC e a situação é “de plena empregabilidade no final dos ciclos de estudos”, segundo Victor Fontes, responsável do Departamento de Informática. “O desequilíbrio nota-se, por exemplo, nas Jornadas de Informática da Universidade do Minho – evento que ocorre todos os anos no final de junho – durante as quais um cada vez maior número de empresas apresenta oportunidades de emprego num número substancialmente maior do que o de alunos disponíveis para entrar no mercado de trabalho. Na última edição, o número de ofertas de emprego foi mais do dobro dos alunos que se preparavam para concluir o mestrado”, exemplificou.

Situação idêntica na Universidade de Aveiro: neste ano letivo, a licenciatura em Engenharia informática teve cerca de 500 candidatos para as 35 vagas. Há, ainda, um mestrado em Sistemas de Informação e um mestrado integrado em Engenharia de Computadores e Telemática. Ao todo, nos últimos quatro anos, aumentaram as vagas de 65 para 110. Mesmo assim, não chega para a procura e os alunos graduados são contratados ainda na universidade. “Os nossos alunos são frequentemente recrutados ainda antes de terminarem o seu curso. Há também diversos casos de alunos a trabalhar no estrangeiro”, refere Paulo Jorge Ferreira, diretor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro.

Perante a escassez de trabalhadores qualificados, empresas como a Blip, instalada em 1500 metros quadrados no edifício da Pedreira da Trindade, no Porto, esforçam-se por atrair e manter trabalhadores, não só através de salários que começam em “900 a 1200 euros para estagiários”, como proporcionando mordomias diárias que vão desde o personal chef que cozinha os almoços na empresa até às sessões de manicure para as senhoras – um género ainda raro na profissão que, até 2020, terá cada vez maior procura.

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