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E se os alunos consultassem o Google nos testes? A discussão começou

Educação terá de integrar tecnologias
Educação terá de integrar tecnologias

Começou o debate do milénio: de um lado, os especialistas em novas tecnologias que defendem o uso, a longo prazo, de ferramentas como o Google durante os testes escolares, do outro os conservadores que apelidam a ideia, no mínimo, de "tola".

“Acredito que chegou a hora de permitir aos alunos aceder à internet durante os exames, ainda que com tempo limitado”, defendeu Mark Dawe, o britânico que dirige o conselho de exames “Oxford, Cambridge and RSA Examinations”, entidade que se encarrega de realizar exames de final de curso no Reino Unido e também tem intervenção em exames em 160 países de todo o Mundo. A declaração, proferida no programa de televisão Today da BBC, abriu um debate acalorado.

Dawe explicou: “[O saber] trata-se de uma questão de entendimento e não de acumulação de dados na memória. O mundo mudou e a educação tem de mudar. [O saber] consiste em entender as ferramentas e saber como usá-las”. Para o especialista, a mudança não será para já, mas será “inevitável a longo prazo”.

“Parece-nos uma ideia bastante tola”, sentenciou o movimento Campanha por uma Educação Real, criado em 1987 por um grupo de pais e professores que defendem o aumento do nível de exigência e maior intervenção dos pais na educação da escola pública.

“Se pensarmos apenas no sentido tradicional e na típica prova em que se pede ao aluno que recorde informação, logicamente o acesso à internet ou a consulta de livros durante os exames não é muito adequado”, apontou Manuel Aurea, professor de tecnologia da educação na Universade de La Laguna, em Tenerife. “Ainda assim, acredito que este tipo de exames de memorização não fazem muito sentido na sociedade atual”, acrescentou. O professor acredita que deveria haver mais avaliação do que exames, num sistema que permita ao aluno o acesso a todos os recursos que tem à sua disposição, quer digitais, quer impressos, com o objetivo de alcançar soluções para determinados problemas ou situações.

“Para quê valorizar o conhecimento armazenado no cérebro ou decorar a tabuada, se existe o Google e as calculadoras? Escrever à mão? É melhor que aprendam bem a escrever no computador”, defende Sugata Mitra, professor de educação tecnológica na Universidade de Newcastle, mais um defensor da mudança do sistema. O modelo que defende prefere colocar aos estudantes, futuros mestres, problemas com os quais irão deparar-se quando exercerem a sua atividade profissional.

Porém, alerta: “A única coisa que a máquina não pode fazer por nós é distinguir a informação correta e a incorreta”.

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