Emigrar? A experiência de 10 jovens em Estocolmo

Estocolmo oferece muitas vantagens
Estocolmo oferece muitas vantagens

Ana Luísa, Bruno, Catarina, Filipa, Inês, Marta, Nuno, Ruben, Sara e Tiago. São dez jovens licenciados cuja vida levou para Estocolmo, por razões distintas.

Conheci todos eles, numa iniciativa do Centro de Língua
Portuguesa – Instituto Camões. Um encontro descontraído acompanhado
de uns doces que adoçaram a conversa em que se partilharam
experiências. O sentimento comum de que em Portugal não há
oportunidades, ajuda na altura do balanço do que se deixou para
trás. Alguns dos que estão a fazer doutoramento beneficiam de
bolsas da FCT de Portugal.

A maioria não pensa em voltar nos
próximos anos, não porque não queira mas porque faltam
oportunidades. ?Não temos as mesmas condições que temos aqui?,
dizem alguns. Outros até pensam nunca mais voltar. Um dia de cada
vez. A organização, os apoios sociais existentes (apesar dos
elevados impostos pagos pelo contribuinte), a eficiência dos
serviços e o ?relaxed lifestyle? são apontados como grandes
motivos para ficar em Estocolmo.

A natalidade

Os incentivos à natalidade na Suécia têm servido de inspiração
para muitos países que procuram aumentar as suas taxas. Os apoios
não são unicamente financeiros, mas acompanhados de fortes medidas
de duração muito superior à média, que ajudam e promovem a
conciliação da vida familiar e pessoal.

Doutores e engenheiros

Na Suécia não há doutores nem engenheiros. Quer dizer, haver
há, mas os títulos nunca se invocam quando nos dirigimos a alguém.
Gravatas e saltos altos durante o dia também não se veem. O
conforto aliado a um estilo apurado em relação à moda, são
palavras de ordem.

O tempo

Em Portugal, fala-se do tempo quando não temos assunto. Aqui, o
tempo é o tema principal. A curta duração do verão faz com que os
parques estejam repletos de pessoas de todas as idades a fazerem
piqueniques e o sol desperta nas pessoas uma alegria e boa disposição
constante e contagiante.

O inglês

A Suécia tem como segunda língua o Inglês. Desde as crianças
até aos avós, o Inglês não é problema. No entanto, no mercado
laboral, saber falar Sueco é, na maioria das vezes, exigido. Para
quem consiga um contrato de trabalho, o governo disponibiliza cursos
de sueco gratuitos para estrangeiros.

Apesar de tantas diferenças existe um tema em que há uma grande
semelhança e, simultaneamente, uma grande diferença: o desemprego.
A taxa de desemprego global é de cerca de 7% na Suécia, mais de 17% em
Portugal. Em Portugal, a palavra ?recessão? consta do dicionário
de bolso dos portugueses; na Suécia, fala-se em crescimento
económico. Mas há uma preocupação comum: as taxas de desemprego
nos jovens são ambas altas. Em Portugal, cerca de 40%, na Suécia
mais de 22%.

A razão para esta diferença tão elevada entre o
desemprego, é uma discussão longa na Suécia, que muitos justificam
pelas leis do mercado laboral. A regra ?last in, first out?, faz
com que os jovens sem experiência tenham muita dificuldade em
entrar no mercado de trabalho em momentos mais difíceis. Mas, para
além da discussão ?protecionismo vs. novas oportunidades?, a
Suécia considera estes números dramáticos e as negociações na
procura de soluções decorrem diariamente.

Portugal tem de encontrar urgentemente soluções para o elevado
nível de desemprego, em especial para o desemprego nos jovens, mas a
verdade é que ao mesmo tempo precisa de começar a pensar em
soluções de médio prazo para incentivar os jovens que emigraram a
voltar ao seu país. A situação económica irá melhorar, só não
sabemos quando.

No entanto, isso não é razão para que não se
comece agora a trabalhar para o futuro. Temos de deixar de aplicar
políticas com horizontes temporais de apenas quatro anos, correspondendo
unicamente a resultados durante os mandatos políticos. Investimos
milhões nos nossos jovens, incentivámos estes para que estudassem e
aprendessem no estrangeiro, e por isso, agora também temos de ter
mecanismos para que esses mesmos jovens, possam no médio prazo,
devolver ao seu país os resultados dessas aprendizagens e
experiências.

A Suécia tem coisas menos boas, como Portugal também as tem. Tem
coisas fantásticas como Portugal também as tem. Quem embarca numa
aventura destas, tem de se soltar do saudosismo e aproveitar tudo o
que há de melhor num país estrangeiro e promover tudo o que temos
de melhor no nosso Portugal.

Dez jovens emigrantes

A Ana Luísa está a tirar o doutoramento em Neurociências no Karolinska Institute, debruçando-se sobre uma área específica: criatividade musical. Chegou à Suécia há cerca de um ano.

O Bruno está a frequentar um mestrado em Ciência Política na Universidade de Estocolmo, e ao mesmo tempo que procura um desafio profissional está a criar a Associação de Jovens Portugueses em Estocolmo.

A Catarina, responsável pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões e conselheira cultural da Embaixada de Portugal na Suécia, já vive em Estocolmo há quase cinco anos.

A Filipa, enfermeira, esteve na Irlanda dois anos depois de um Erasmus na Suécia e regressou a Estocolmo para tirar um mestrado em Economia da Saúde. Agora, está a tirar o doutoramento em Economia da Saúde na Universidade de Uppsala.

A Inês veio à aventura para a Suécia há três meses, deixando um negócio em Portugal para trás; é arquiteta e encontrou trabalho na área de Decoração de Interiores.

A Marta conheceu o marido sueco em Portugal, onde ambos trabalhavam. Há cerca de um ano, fizeram as malas e vieram para Estocolmo com o filho de três anos. Psicóloga, recomeçou o doutoramento.

O Nuno, licenciado em Literatura Portuguesa, veio para a Suécia há cinco anos, à procura de trabalho na área da tradução. Agora está a desenvolver o seu doutoramento no ISPLA (Departamento de Espanhol, Português e Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo).

O Ruben, com formação em Gestão está, como eu, a fazer o Estágio Inov Contacto, durante os próximos cinco meses. Pensa regressar a Portugal, para desenvolver projetos relacionados com o empreendedorismo social.

A Sara veio com o Ruben para Estocolmo para uma aventura de seis meses. Já encontrou trabalho na área de Comunicação e Organização de eventos. Depois, o limite é o mundo.

O Tiago, com formação na área da Bioquímica, já correu meio mundo entre desafios profissionais e viagens. Agora, regressou ao país onde fez Erasmus e está à procura de um novo desafio profissional. Começou recentemente um pós-doutoramento no Instituto Karolinska.

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