Harvard Business Review

Empregados tóxicos? Isole-os para reduzir efeitos negativos na equipa

REUTERS/China Daily
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A saúde geral da sua organização depende da sua maneira de lidar com empregados tóxicos

Todos nós temos um efeito, positivo ou negativo, nas emoções dos outros mais importante do que julgamos. No seu livro «Connected», o professor de Harvard Nicholas Christakis e o cientista político James Fowler demonstram que a felicidade se espalha não apenas entre pares de pessoas mas também de uma pessoa para os seus amigos, para os amigos dos seus amigos e depois para os amigos destes. Por outras palavras, se um amigo de um amigo de um amigo se torna mais feliz, o mesmo poderá suceder connosco.

As suas conclusões provam que mesmo as interações cara a cara frequentes e superficiais podem influenciar poderosamente a felicidade.

Infelizmente, as ações negativas são igualmente contagiosas. Um ato de indelicadeza aparentemente insignificante pode criar ondas através de comunidades, afetando pessoas da nossa rede de relações com as quais podemos ou não interagir diretamente. As probabilidades deste efeito negativo aumentam se um empregado tiver um padrão de ações tóxicas, definido como um conjunto duradouro e recorrente de juízos, sentimentos e intenções comportamentais negativos em relação a outra pessoa. É por isto que é tão importante que empregados e gestores reconheçam e lidem com empregados tóxicos o mais rapidamente possível. Muitas vezes, a única maneira de reduzir o efeito que as pessoas tóxicas têm nos outros é isolá-las.

Antes de falarmos sobre como, exatamente, fazê-lo, atentemos melhor nos custos deste comportamento tóxico — ou sugador de energia.

Os Custos do Comportamento Tóxico

Concluímos que o efeito de uma ligação sugadora de energia é quatro a sete vezes mais forte que o efeito de uma ligação positiva ou energizadora

Na pesquisa que realizei com Alexandra Gerbasi e Andrew Parker, concluímos que o efeito de uma ligação sugadora de energia é quatro a sete vezes mais forte que o efeito de uma ligação positiva ou energizadora. Por outras palavras, o mau tem mais efeito que o bom.

Isto significa que inúmeros colegas de trabalho são frequentemente sugados para a negatividade, desencadeando uma série de efeitos nocivos, como menor partilha de informação, queda da motivação e do desempenho e uma sensação menor de estar a prosperar no trabalho (definido como sentir-se enérgico, vivo e em constante aperfeiçoamento profissional).

Em vez de se concentrarem em como cumprir os seus objetivos, os recursos cognitivos dos empregados são mais provavelmente gastos a analisar a sua relação sugadora de energia e a melhor forma de lidar com ela (ou de a contornar). As equipas experimentam mais conflito e menos coesão e confiança, o que resulta em menor capacidade de resolver problemas e num desempenho geral mais fraco.

As relações negativas também reduzem o sentido de pertença. Num inquérito realizado a 135 pessoas na divisão de Recursos Humanos de uma grande empresa internacional (espalhada por mais de 30 países), descobrimos que 10% dos empregados que indicavam ter as interações mais sugadoras de energia reportaram uma sensação de prosperar no trabalho 30% inferior à dos colegas.

As relações sugadoras de energia, quer sejam experienciadas pessoalmente, quer no seio do grupo de trabalho, provocam uma sensação de infelicidade e insatisfação, reduzem a motivação e aumentam as intenções das pessoas de se demitirem. Por exemplo, numa empresa de engenharia, aqueles que percebiam mais colegas como sugadores de energia tinham duas vezes mais probabilidades de sair voluntariamente da organização. Pior ainda, concluímos que são os mais talentosos da organização que têm mais probabilidades de saírem. Os indivíduos de alto desempenho com um número de ligações sugadoras de energia superior à média tinham 13 vezes mais probabilidade de se demitirem do que os indivíduos de desempenho baixo e médio com o mesmo número de ligações tóxicas.

A evidência é clara: ter um empregado tóxico ou sugador de energia na nossa equipa de trabalho ou em qualquer outra posição na empresa, fica caro. Não só as pessoas que rodeiam este indivíduo são afetadas negativamente, como, de acordo com a pesquisa de Dylan Minor, as pessoas que estão próximas de um empregado tóxico têm mais probabilidade de se tornarem, elas próprias, tóxicas. Assim sendo, o que podemos fazer?

Como Limitar os Danos Que Um Empregado Tóxico Pode Causar

O mais importante é colocar alguma distância física entre o sugador de energia e o resto dos membros da equipa

O ideal era estarmos em posição de convidar o indivíduo a sair da empresa. Porém, muitas vezes as circunstâncias não o permitem, pelo menos a curto prazo. Nestes casos, nem tudo está perdido: pode isolar a pessoa dos outros empregados, para que os efeitos não se propaguem. O mais importante é colocar alguma distância física entre o sugador de energia e o resto dos membros da equipa, fazendo uma nova atribuição de projetos, reorganizando a disposição do escritório, agendando menos reuniões para todo o pessoal ou incentivando as pessoas a trabalharem a partir de casa.

Isto acabará por reduzir o número de discussões, reduzindo assim as perdas emocionais, psicológicas e cognitivas que perturbam as pessoas e reduzem o seu desempenho, criatividade e produção. No entanto, isto deve ser feito com discrição. Deixe que sejam os empregados a ir ter consigo com as suas queixas em relação ao colega tóxico e use conversas de um para um para treinar as pessoas a minimizarem as suas interações. Pode também considerar a hipótese de deixar os outros empregados trabalharem à distância ou com horário flexível.

Concentre-se mais no sítio onde o empregado tóxico trabalha. Muitas vezes isto é mais eficaz do que tentar reorganizar as agendas das outras pessoas todas. Uma das empresas da Fortune 100 analisadas contratara um empregado talentoso mas tóxico que era fundamental para o desenvolvimento de uma determinada tecnologia. Optaram por criar um laboratório só para ele — em grande parte, para o manterem isolado dos outros. Compreenderam que, com quanto menos pessoas ele interagisse, melhor. Uma solução simples é se o empregado tóxico puder trabalhar à distância. E, quanto mais independentemente a pessoa tóxica puder trabalhar, mais os efeitos negativos são limitados.

Falei recentemente com o CEO de uma empresa que não sabia o que fazer com um executivo altamente tóxico. Por um lado, os seus empregados estavam cada vez mais perturbados pela sua conduta, e o CEO temia que as coisas piorassem se ele ficasse na empresa. Por outro lado, o executivo ganhara uma fortuna para a empresa, era muito conhecido no setor e a empresa não seria tão bem-sucedida sem os seus esforços e talento. Além disso, há muito tempo que este executivo era amigo do CEO e tinha-o ajudado muito no decurso da sua carreira. Depois de avaliar as suas opções, o CEO decidiu dar-lhe uma licença, para que a organização pudesse recuperar e prosperar sem a sua presença no ambiente de trabalho.

Quando o executivo regressou, o CEO retirou-o de todas as interações com os empregados. Em seguida, informou os empregados de que não tinham mais motivos de preocupação: embora o executivo tivesse uma relação formal com a empresa, não poderia voltar a prejudicá-los.

Vi muitas vezes as empresas recorrem a esta estratégia de isolamento, e normalmente resulta. Uma empresa de alta tecnologia da Fortune 500 adquirira uma empresa muito mais pequena para a ajudar a desenvolver um produto. Os fundadores desta empresa mais pequena tinham um comportamento péssimo, arrastando com eles as pessoas da organização maior.

Inicialmente, a organização maior dispensou a outra, mas acabaram por perceber que precisavam da sua tecnologia. Voltaram então a adquiri-la, mas desta vez proibiram que os fundadores tivessem acesso aos seus escritórios. Tinham experimentado os efeitos virais de um empregado tóxico e não pretendiam ficar outra vez vulneráveis.

A saúde geral da sua organização depende da sua maneira de lidar com empregados tóxicos. Estes são, simplesmente, demasiado dispendiosos para serem ignorados. Como um vírus, a sua negatividade pode espalhar-se pela sua equipa e organização. Para imunizar a sua empresa, considere o que pode fazer para isolar a pessoa tóxica — ou livrar-se dela de uma vez. Os seus empregados e a sua empresa terão muito mais probabilidades de prosperar e a empresa terá muito mais hipóteses de reter os seus talentos.

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