Empresas abrem vagas mas não conseguem contratar

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O desemprego entre os licenciados já
atinge 126,4 mil portugueses (dados do segundo trimestre), mas nem
assim é mais fácil contratar. Entre as empresas contactadas pelo
Dinheiro Vivo, e que este ano abriram dezenas de vagas de emprego, o
problema é sempre o mesmo: muitas candidaturas; poucas pessoas
elegíveis; menos contratos que os desejados. Ao todo, as empresas
ficam quase sempre com cerca de 20% das vagas por preencher –
quando não é mais -, o que acaba por obrigar a novos concursos e outras despesas.

“Temos vagas contínuas mas a maior
parte são preenchidas através das nossas academias. As restantes
são muito difíceis de preencher pelos requisitos que por vezes
exigem”, afirma Sara Boavida, responsável pelas contratações na
ROFF.

Veja também: Funcionários em requalificação podem perder 60% do salário

Nesta empresa de consultoria
informática, “as vagas são contínuas mas a maior parte são
preenchidas através das academias”, uma forma encontrada para
colmatar a falta de especialização encontrada nos portugueses. Mas
não é só: as redes sociais e o LinkedIn permitem a esta empresa
procurar possíveis colaboradores fora dos currículos que chegam à
empresa. A isto junta-se a rede de contactos dos colaboradores que
muitas vezes permite chegar a novos contactos. Ainda é pouco, diz a
responsável, que refere que o esforço permite que “uma taxa de
execução de cerca de 80%”.

Na VILT, empresa especializada no
desenvolvimento de soluções para gestão de negócios não tem sido
mais fácil. Das dez vagas de emprego que abriram este ano
conseguiram contratar oito pessoas, com apenas duas disponíveis para
sair do país “Apesar dos níveis de desemprego que temos,
persistem as dificuldades em contratar novos recursos, ou pelo menos
aqueles que no nosso entender conjugam a competência técnica
necessária e disponibilidade para viajar”, explica o fundador
Miguel Araújo. Em momentos de maior trabalho, a subcontratação é
a forma utilizada para contrariar a escassez de candidatos. “De
qualquer forma, continuamos com o nosso processo de recrutamento para
tentar reforçar os quadros”, diz Miguel Araújo.

A também tecnológica DRI abriu em
outubro do ano passado um processo de recrutamento com 40 vagas. As
respostas foram várias, mas contratações só 10, o que defraudou a
“expectativa inicial” da empresa. O entrave volta a ser o mesmo:
“procuramos ser rigorosos na contratação” e nem sempre quem
procura a empresa tem qualificações suficientes para colmatar as
necessidades.

Por seu lado, na Primavera BSS,
mantém-se um objetivo de contratar 40 pessoas até ao final de 2013.
As dificuldades voltam a ser as mesmas, como admite Luísa Fernandes,
responsável pelo recrutamento. “As empresas empregadoras procuram
jovens altamente qualificados e com competências técnicas muito
específicas que, devido ao atual contexto económico que se vive em
Portugal, estão a optar por procurar oportunidades de trabalho
noutros países com vista a um futuro mais promissor”.

Na Winning Management Consulting o
último processo de recrutamento, aberto no início de junho ainda
não foi concluído, precisamente, por causa da escassez de
candidatos adequados aos critérios da empresa. Para as 50 vagas
anunciadas, a empresa já recebeu 918 currículos, no entanto poucos
encaixaram nas competências exigidas. “Muitos dos perfis que
recebemos não cumprem todos os requisitos que consideramos
essenciais para as funções que pretendemos preencher”, afirma o
CEO Leandro Pereira. Desde que foi fundada em janeiro do ano passado,
a Winning já integrou 50 novos colaboradores, mas “na sua maioria
estes contratos são resultantes de candidaturas espontâneas ou de
recomendação de colaboradores da empresa”.

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