Estudo: Taxista é profissão ameaçada, mas ser padre tem futuro

Taxistas são mais substituíveis
Taxistas são mais substituíveis

Quais as profissões mais ameaçadas pelos avanços tecnológicos e o uso crescente de computadores nas atividades económicas? O futuro não é risonho para operadores de telemarketing, contabilistas e taxistas; mas é auspicioso para nutricionistas, médicos e padres, por exemplo.

Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, numa “aula” que deu sobre “o desafio da absorção do desemprego estrutural em Portugal”, citou um estudo muito completo de dois investigadores da Universidade de Oxford e resolveu elencar algumas das profissões consideradas de maior risco e uma lista das mais “protegidas” face ao progresso técnico.

O estudo “The future of employment: how susceptible are jobs to computerisation? [O futuro do emprego: quão suscetíveis são as profissões à informatização?]”, do economista Carl Benedikt Frey e do engenheiro Michael A. Osborne, faz o diagnóstico do que pode acontecer a 702 profissões existentes nos EUA dentro de uma década.

Veja também: As profissões mais e menos ameaçadas pela tecnologia

Os resultados foram citados pelo governador no capítulo sobre as “características do mercado de trabalho em Portugal”. A maioria dos avanços tecnológicos acaba por ter impacto equivalente noutras economias desenvolvidas e globalizadas, como as europeias.

Os dois investigadores detetaram três grandes grupos: ocupações de alto risco (de serem substituídas por computadores), risco médio e risco baixo.

Do extenso rol, Carlos Costa fez uma escolha. Em risco alto de extinção encontram-se os operadores de telemarketing, com 99% de probabilidade de serem engolidos pela informatização. Contabilistas e auditores (94%), agente de seguros (92%), funcionários de vendas a retalho (92%), taxistas e motoristas (89%) são outras das mais ameaçadas, todas elas bastante representativas na realidade portuguesa.

O crescimento da internet e a sofisticação dos serviços oferecidos na rede explicam uma parte deste risco. No caso dos taxistas, basta recordar projetos de grande ambição da Google na área dos carros autoguiados. Os dois investigadores referem justamente este exemplo e dizem que “em breve” será uma realidade. Estes carros da Google serão parte de um sistema assente no mapeamento de ruas e estradas por todo o mundo (Maps, Street View).

“Frey e Osborne estimam que 47% das profissões atuais têm uma probabilidade elevada de perda de emprego durante a próxima década por substituição por tecnologia”, alertou Costa.

Mas há profissões protegidas. Segundo o governador, as que têm “menos probabilidade de serem substituídas por tecnologia são as que requerem: perceção e manipulação; inteligência criativa (produção de poesia, música, teorias científicas, culinária, por exemplo) e inteligência social (negociação, persuasão, cuidados de saúde). Alguns exemplos: “assistente social, dietistas e nutricionistas, médicos e cirurgiões, treinadores desportivos e clero”.

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