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Everis atrai talento do Leste e Brasil para liderar na tecnologia

Miguel Teixeira, presidente executivo da Everis. (Fotografia cedida pela Everis)
Miguel Teixeira, presidente executivo da Everis. (Fotografia cedida pela Everis)

Faltam engenheiros em Portugal. A consultora vai buscá-los ao estrangeiro e converte profissionais de outras áreas científicas.

“Há uma guerra desenfreada pelo talento” em Portugal. A garantia é de Miguel Teixeira, CEO da consultora Everis Portugal, que, enquanto parte da gigante tecnológica japonesa NTT Data, recebeu recentemente em Portugal a conferência On Wave Summit, neste ano dedicada ao tema “Os capitães do talento”. A Everis aposta forte na retenção.

“Se olhar para o investimento médio anual na estrutura da Everis Portugal, estamos a falar seguramente de números acima de quatro ou cinco milhões de euros”, revelou Miguel Teixeira. Um valor que agora vai crescer com os três milhões investidos no novo centro de competências da empresa, 90% dedicado à exportação e a projetos e serviços para mercados estrangeiros. “Já está a trabalhar para Alemanha, Espanha, Inglaterra, Itália. É uma área que está a crescer”, revelou o CEO.

O novo centro acolherá 300 engenheiros para atingir o objetivo de ter “10% a 20%” de atividade da Everis dedicada a mercados estrangeiros e soma ainda a perspetiva de investimento nos próximos seis meses num segundo centro especializado no interior. “Com a boa reputação que o país ganhou, aterraram aqui uma série de centros tecnológicos nearshore, centrados em Lisboa e no Porto. E, se o talento que produzíamos já não era muito, tornou-se mais escasso. No tempo da crise, os engenheiros emigraram. Agora, entre as empresas de cá, as que vieram, o que há para fazer no mercado português e a vontade de exportar, não há engenheiros que cheguem”, avisa o CEO da Everis.

A solução? Atrair engenheiros de fora. “Já temos alguns do Leste Europeu e do Brasil, é uma estratégia”, revela o responsável. Outra estratégia passa por reconverter pessoas de outras áreas para a tecnologia: “Basta que tenham alguma formação científica – engenheiros biomédicos, engenheiros químicos, que em Portugal não têm tanta saída – e depois damos formação interna.” Por fim, os ordenados também são importantes: “Há uma guerra de salários a acontecer, todas as empresas tiveram de subir, mas nós não entramos na loucura. Claro que o salário conta e nós somos competitivos a pagar”, diz Miguel Teixeira.

Com uma quota de mercado de 2%, e três ou quatro consultoras ainda maiores, o principal foco passa pelos clientes e por “sermos o melhor empregador, quem mais atrai e retém pessoas. Em 3 a 5 anos podemos estar no pódio, mais perto de liderar o mercado”. Santander, Caixa Geral de Depósitos, Fidelidade, Galp, EDP, SPMS, José de Mello Saúde, Lusíadas, TAP, Ministério das Finanças, Autoridade Tributária, entre outros, estão entre os principais clientes da Everis. “Trabalhamos com 90% das grandes empresas.”

A consultora vai manter a mesma marca de há 20 anos, “mas deverá evoluir para a marca japonesa NTT Data no espaço de 3 a 5 anos”. “A aquisição trouxe-nos escala. Agora estamos a começar a trabalhar uma única marca.” Com mil pessoas em Portugal, a Everis é uma consultora multinacional que há cinco anos pertence ao grupo japonês NTT Data, que tem 300 mil colaboradores.

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