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Gestores das maiores empresas ganharam mais em 2019

Euronext Lisboa. Fotografia: Global Imagens
Euronext Lisboa. Fotografia: Global Imagens

No total, os CEO receberam mais 26% à conta de prémios e aumentos do salário fixo. Crise deverá travar prémios e aumentos.

O ano de 2019 foi benéfico para os líderes de 10 das principais cotadas em Portugal. No global, receberam 10,2 milhões de euros em remunerações fixas e variáveis. O valor compara com os 8,4 milhões de euros auferidos no ano anterior. Trata-se de uma subida de 26% que é explicada pelo pagamento de prémios de anos anteriores, como no caso do grupo EDP, e aumentos de remunerações fixas.

Os líderes da EDP e da EDP Renováveis destacam-se porque beneficiaram de um bónus em remuneração variável referente ao ano de 2016. António Mexia, CEO da elétrica, auferiu de uma remuneração global bruta de cerca de 2,2 milhões de euros, excluindo contribuições para a reforma. João Manso Neto, líder da EDPR ganhou quase 1,5 milhões de euros, segundo dados do relatório de Governo da Sociedade divulgado pelo grupo EDP.

Miguel Maya, CEO do Millennium bcp, recebeu 650 mil euros, versus 587,5 mil euros um ano antes. Também Pedro Soares dos Santos, presidente executivo da retalhista Jerónimo Martins teve um aumento em 2019 para 618 mil euros de 567 mil euros. Rodrigo Costa, CEO da REN, ganhou 874 mil euros, o que compara com 606 mil euros no exercício anterior, segundo o relatório da empresa.

Foram analisadas além destas empresas, a Sonae, a Mota-Engil, a Galp Energia, a Semapa e a Altri. Algumas das grandes cotadas, como a NOS, ainda não divulgaram o seu relatório.

Das empresas analisadas, ficaram estáveis a remuneração do líder da Galp, Carlos Gomes da Silva – em quase 1,4 milhões de euros -, bem como dos presidentes executivos da Altri e da Semapa. Paulo Fernandes manteve a remuneração de 490 mil euros e João Castello Branco auferiu os mesmos 1,4 milhões de euros – por acumular também a liderança da Navigator.

Na Sonae, Cláudia Azevedo foi ganhar 715 mil euros, mais do que os 659 mil euros que ganhava o irmão e antecessor no cargo, Paulo Azevedo. Na Mota-Engil, Gonçalo Martins recebeu 756 mil euros, acima dos 426 mil euros do ano anterior.

Mudanças à vista

Mas, se em termos de remuneração, o ano de 2019 foi benéfico para a maioria dos CEOs, a atual crise poderá trazer alterações ao nível salarial dos executivos de tipo, bem como dos trabalhadores das empresas. Seja por iniciativa dos gestores ou dos accionistas, os tempos são de mudança devido às consequências provocadas pela epidemia de coronavírus. A decisão de governos de vários países de isolar a população em casa, proibir viagens, encerrar escolas, comércio e serviços mergulhou o mundo numa crise económica e social aguda. Empresas estão a fechar e a despedir e outras estão a recorrer à suspensão de contratos de trabalho dos trabalhadores – lay off – para fazer face à quebra de receitas.

Vários gestores já anunciaram que vão abdicar de receber o seu bónus, por exemplo, como Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, e Miguel Maya, CEO do Millennium bcp.

Também os diretores executivos e o comité executivo do Lloyds Bank pediram para não receber os prémios que iriam ter em 2020. “Estamos a fazer todos os esforços possíveis para apoiar os nossos clientes, colegas e comunidades”, justificou o presidente do Lloyds, António Horta Osório. “Compreendemos as dificuldades e os desafios que enfrentam nestes tempos sem precedentes e estamos a trabalhar em ritmo acelerado para fornecer todo o apoio de que precisam. À luz disto, a coisa certa a fazer é que os diretores executivos e os administradores do grupo renunciem a todos os seus direitos a bónus para este ano”, adiantou o banqueiro.

Uma análise da consultora Mercer, sobre as tendências nas remunerações pós-Covid aponta que os salários de executivos deverão ser congelados em 2020 ou sofrer reduções entre os 10% e os 50%.

“Apenas 20% das empresas responderam que vão manter as remunerações”, disse Tiago Borges, da Mercer. O estudo feito a nível global prevê ainda que o pagamento de remuneração variável e prémios relativos a 2019 sejam adiados para 2020 ou para uma data posterior.

Um estudo na Aon refere que “35% das empresas congelaram ou diferiram no tempo entre 3 a 6 meses os aumentos salariais, na sua maioria com esta regra aplicada a todos os seus colaboradores”, afirmou Nuno Abreu, diretor da consultora em Portugal. “Adicionalmente, mais 19% das empresas reduziram inclusive, quando legalmente possível, os salários aos seus colaboradores, sendo na maioria destes casos uma política aplicada aos seus executivos de topo”, adiantou.

Mas a crise pode mesmo levar a uma mudança mais profunda na forma como é vista a remuneração dos executivos. Segundo Nuno Abreu, “possivelmente poderá haver uma aproximação entre os salários dos gestores de topo da remuneração média dos trabalhadores”.

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