Coronavírus

Grande maioria das empresas alterou planos de aquisição de talento

recrutamento, equipa, startup
Fonte: Pixabay

Estudo da Transearch Portugal mostra que a pandemia não alterou apenas a forma de trabalhar mas também as competências procuradas pelas empresas.

A pandemia de coronavírus alterou vários aspetos na forma como as empresas querem contratar e quais as competências a valorizar, revela um estudo feito pela Transearch Portugal. Com a pandemia a ter impacto em vários negócios, as respostas de executivos de mais de cem empresas apontam que apenas um quarto das empresas manteve os planos de aquisição de talento sem alterações. A grande maioria dos inquiridos refere que a organização ou ainda não decidiu que alterações fará ao plano traçado ou que pretende adiar, suspender ou reduzir as contratações.

O inquérito mostra ainda que as empresas ouvidas alteraram algumas das competências mais valorizadas. Nas próximas contratações, os executivos passarão a valorizar mais competências como o espírito de colaboração (47%), capacidade para liderar em mudanças (44%) e liderança com inteligência emocional (41%).

Até antes da pandemia, 57% das empresas inquiridas consideravam que estas qualidades e competências “não eram prioritárias” no momento de contratação. Mas também as equipas atuais passarão por formações adicionais para estimular este tipo de competências – uma larga maioria (73%) está a desenvolver programas internos de formação e treino para desenvolver esse tipo de capacidades nas equipas.

Mas o que justifica esta mudança de peso nas competências? “A incerteza, a insegurança, a ansiedade e mesmo o medo que esta pandemia provocou acentuaram a importância da gestão das emoções na produtividade dos colaboradores”, refere a empresa. “Há muito que no mundo corporativo se falava da importância das soft skills para o sucesso das organizações, mas a verdade é que perante a crise que atravessamos, os líderes empresariais entenderam a importância de criar culturas organizacionais que valorizam a escuta ativa e a verbalização para o que cada um sente e pensa sobre o presente e sobre o futuro. A comunicação, direta, transparente é essencial para garantir que estão todos alinhados e preparados para ultrapassar este momento difícil. Os líderes mais eficazes nesta crise foram aqueles que demonstraram uma verdadeira preocupação com o bem-estar emocional das suas equipas e que foram capazes de indicar o rumo e garantir o alinhamento de todos”.

Em relação ao teletrabalho, as empresas inquiridas reconhecem tratar-se de uma mudança que veio para ficar. Considerando que foi uma experiência bem-sucedida para 70% das empresas, mesmo que não seja a tempo integral, o teletrabalho passará a fazer parte do dia-a-dia das empresas. Mais de 60% dos executivos ouvidos refere que pretendem que as empresas passam a disponibilizar um regime que alterne entre o trabalho no escritório e trabalho remoto.

A empresa avança que “foi graças a um grande salto tecnológico em muitas empresas que foi possível de um dia para o outro colocar empresas inteiras a trabalhar a partir de casa” – o inquérito da Transearch refere que só 2% das empresas é que não fizeram alterações à forma de trabalhar durante a pandemia. “Alguns dos obstáculos que existiam a esta realidade do teletrabalho foram rapidamente ultrapassados e devemos à tecnologia essa possibilidade”.

Ao Dinheiro Vivo, a Transearch Portugal refere que esta transição do teletrabalho para o trabalho presencial “está a acontecer de uma forma natural, à medida que o país vai implementando as diferentes fases de desconfinamento. A maior parte das empresas vão começar de uma forma generalizada a trabalhar por “turnos” nos escritórios. Por exemplo, é definido por equipa, quais as pessoas que vão trabalhar nas primeiras semanas do mês, depois esses colaboradores vão trabalhar a partir de casa e a restante equipa vai para o escritório. Neste momento todas as empresas estão a optar por um regime rotativo.”

Acelerar a digitalização, aumentar o investimento em tecnologia e procurar um equilíbrio entre o bem-estar trabalhador e os objetivos da companhia passaram também a ser consideradas prioridades para a gestão, considera a empresa de executive search.

O estudo foi feito no mês de abril, junto de 270 executivos de grandes empresas, numa amostra composta por 107 empresas nacionais e estrangeiras, do setor financeiro, retalho, indústria, tecnologia, comunicação e media, energia e utilities, educação, turismo ou lazer, entre outras.

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