Emprego

Há estágios pela Europa que pagam mais de mil euros/mês

O aeorporto de Bruxelas está a ser afetado pela greve. Fotografia: D.R.
O aeorporto de Bruxelas está a ser afetado pela greve. Fotografia: D.R.

Do Parlamento Europeu à Agência Europeia do Medicamento, há oportunidades nos programas europeus. Saiba onde, quanto pagam e como se candidatar

Se o mercado de trabalho é especialmente duro para quem está a começar, há oportunidades que só os jovens recém-licenciados podem aproveitar. E algumas delas implicam viajar, passar alguns meses a conhecer outro país e ainda descobrir como funcionam as instituições europeias por dentro. Não são empregos para a vida, mas são experiências únicas.

Se um estágio remunerado numa cidade europeia estrangeira — a ganhar mais de mil euros por mês numa instituição como o Parlamento Europeu ou a Agência Europeia do Medicamento, entre muitas outras oportunidades disponíveis nos programas de trainees europeus — é uma aventura à sua medida, aqui fica a lista de oportunidades agora disponíveis, as condições oferecidas e os portais onde pode candidatar-se.

Aprender mais sobre justiça

As candidaturas ao programa de estágios no gabinete do Provedor de Justiça Europeu estão quase a abrir (1 de fevereiro) e vão prolongar-se até às 23.59 (hora de Bruxelas) do dia 31 de março.

Com lugares disponíveis para qualquer titular de um diploma do ensino superior, “universitário ou não universitário, com um interesse especial na administração pública da União Europeia e, em particular, na forma como a administração europeia se relaciona com os cidadãos”, os candidatos aceites poderão ficar sediados em Bruxelas (Bélgica) ou Estrasburgo (França).

A ideia é que os recém-diplomados vindos de um país da UE ou candidato à adesão, com um ciclo de estudos de pelo menos três anos em ciências políticas, estudos europeus, relações internacionais, administração pública europeia, recursos humanos, direito, auditoria ou economia possam “adquirir uma experiência prática do trabalho do Provedor de Justiça Europeu e aplicar e aprofundar as competências e conhecimentos adquiridos durante os estudos”.

Com a duração mínima de quatro meses — que podem ser prolongados por mais oito, em função do desempenho –, estes estágios preveem tarefas que podem incluir, em função da orientação, “assistência na investigação de reclamações ou no domínio da imprensa e da comunicação, bem como a participação em projetos informáticos ou em trabalho de investigação relacionado com o trabalho do Provedor de Justiça”.

Com a próxima ronda de estágios a arrancar a 1 de setembro (outro processo de seleção determinará os estágios que arrancam a 1 de janeiro do ano que vem), este programa prevê uma remuneração de 1300 euros por mês para quem fique em Bruxelas e de 1500 euros para quem seja colocado em Estrasburgo.

(Mais informação aqui)

Um Estágio Schuman pelo Parlamento Europeu

As candidaturas estão abertas entre dia 1 e as 12.00 do dia 30 de junho (hora de Bruxelas) e para concorrer só é preciso que tenha mais de 18 anos e um diploma do ensino superior, além de “conhecimento profundo de duas línguas oficiais da União Europeia”, esclarece a Comissão. Tendo em conta os objetivos destes estágios de 5 meses, que passam por “contribuir para a educação e a formação profissional europeias e uma melhor compreensão do trabalho do Parlamento Europeu”, não serão aceites candidatos que tenham trabalhado mais de dois meses consecutivos numa instituição ou organismo da União Europeia.

Nesta fase, os estágios decorrerão a partir de 1 de outubro — há uma segunda fase de candidaturas mais adiante, com o estágio a arrancar a 1 de março do próximo ano — em várias localizações possíveis, incluindo Bruxelas (Bélgica), Luxemburgo (Luxemburgo), Estrasburgo (França) e outras cidades da UE.

Os escolhidos têm direito a uma remuneração que ronda os 1300 euros mensais.

(Mais informação aqui)

Recém-licenciados no BCE

Tendo Frankfurt (Alemanha) como base, o programa de estágios do Banco Central Europeu prevê compromissos com durações distintas — três a seis meses — e que podem ser prolongadas, ainda que apenas uma vez e até ao limite de 12 meses de atividade.

Abertos a candidatos de qualquer Estado-membro ou candidato à adesão europeia, desde que tenham concluído pelo menos a licenciatura, estes estágios são vistos como uma oportunidade para ter uma experiência prática relacionada com o que se assimilou no período de estudo e em simultâneo apreender algo “do que significa trabalhar para a Europa, ficando a conhecer melhor as atividades do BCE e contribuindo para a sua missão”.

Sem data fixa para arrancar, estes estágios preveem uma remuneração mensal que ronda os 1050 euros durante o tempo de integração no BCE, em diferentes tarefas — segundo a instituição, estas variam “em função da unidade” e têm supervisão garantida, podendo ir da “realização de investigação à elaboração de projetos de relatórios, compilação de dados estatísticos, tarefas operacionais, participação em estudos ad hoc, etc.”.

(Mais informação aqui)

Conhecer a realidade do BEI

Os lugares são limitados, mas abrem todos os anos, em três períodos distintos, e caso haja pedido especial da universidade podem chegar aos seis meses de duração. Abertos a estudantes universitários e a titulares de um diploma universitário com menos de um ano de experiência profissional que venham de países-membros ou candidatos à adesão à UE, os estágios no Banco Europeu de Investimentos são dirigidos a quem “pretenda familiarizar-se com o trabalho do BEI ou adquirir experiência no domínio dos seus estudos”.

Conseguir um lugar implica ficar sediado no Luxemburgo pela duração do estágio, que pode variar entre um e cinco meses (salvo a exceção acima referida) de experiência e consequente remuneração, com arranque aos dias 1 de fevereiro, 1 de julho e 1 de outubro.

(Mais informação aqui)

Áreas científicas em destaque

Não são apenas as instituições centrais que têm programas disponíveis. Entre os lugares abertos noutras cidades europeias destaca-se a existência de 20 lugares de estágio por ano para diplomados em áreas científicas, como a química, a toxicologia, a biologia, as ciências e tecnologias do ambiente, ou não científicas, como o direito, a comunicação, as finanças, os recursos humanos e as TIC.

Com duração variável entre três e seis meses e início em março ou setembro, a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), em Helsínquia (Finlândia), está disponível para receber candidatos de um país da UE ou do Espaço Económico Europeu (Noruega, Islândia e Liechtenstein) titular de um diploma universitário. A remuneração ascende a 1300 euros por mês.

(Mais informação aqui)

Melhorar as condições de vida dos europeus

É uma oportunidade para quem queira aprender mais e em simultâneo ajudar os outros. A Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (EUROFUND), com sede em Dublin (Irlanda) abre as portas a cidadãos da UE ou de país candidato à adesão que tenham licenciatura e queiram aproveitar “uma experiência direta única do funcionamento da Eurofound num contexto institucional e europeu alargado, que lhes permita adquirir experiência prática e ficar a conhecer o trabalho quotidiano da Eurofound”.

O estágio não tem data fixa para arrancar mas tem duração de seis meses (prorrogável, no máximo, por mais seis), durante os quais se prevê uma remuneração de cerca de 1410 euros.

(Mais informação aqui)

Mais energia pela Europa

Outro programa que pretende abrir horizontes toma forma na Empresa Comum Europeia para o ITER e o Desenvolvimento da Energia de Fusão. Com lugares disponíveis em Barcelona (Espanha) e noutras cidades da União Europeia, este programa de estágios visa “promover a sensibilização, o conhecimento e a compreensão do papel desta empresa comum tanto relativamente ao projeto ITER como no contexto europeu, assim como proporcionar formação a titulares de um diploma universitário nos domínios da engenharia nuclear, da física, da administração e da comunicação”.

Aberto cidadãos da UE ou da Suíça com licenciatura e muito bons conhecimentos de inglês, este prolonga-se entre quatro e nove meses e prevê 1100 euros mensais mais reembolso de despesas de deslocação.

(Mais informação aqui)

Experimentar o universo da saúde

Com duração que vai de seis a 18 meses, o programa de estágios da EMA – Agência Europeia de Medicamentos, está aberto a “nacionais de um país da UE, da Noruega, da Islândia ou do Liechtenstein, titulares de um diploma universitário (licenciatura, no mínimo)”, a quem oferece a possibilidade de ficar a conhecer a agência e o seu papel na UE, assim como o funcionamento da rede europeia de entidades reguladoras de medicamentos, adquirindo uma experiência profissional única.

Com dois períodos de estágio, com início em abril e outubro, esta agência oferece aos candidatos escolhidos, que ficarão em Londres (Reino Unido) enquanto estiverem ligados à EMA, cerca de 1550 libras por mês (perto de 1800 euros).

(Mais informação aqui)

Em contacto com a linha

É em França, mais precisamente em Valenciennes, que a ERA – Agência Ferroviária Europeia disponibiliza a qualquer diplomado universitário do espaço europeu e que tenha um conhecimento aprofundado da língua inglesa e de uma segunda língua (para os nacionais de países da UE, esta deve ser uma das línguas oficiais da UE) uma experiência diferente.

Partilhar mais sobre o importante papel que a ERA desempenha no desenvolvimento do Espaço Ferroviário Europeu Único é o objetivo, com os estagiários a contribuírem para a realização dos objetivos da agência, “participando em projetos concretos relacionados com as respetivas áreas de formação, lado a lado com os funcionários da agência e num clima de trabalho acolhedor e estimulante”.

O programa de estágios tem datas de início a 1 de março e a 1 de outubro, prolongando-se por três a cinco meses, mediante uma remuneração mensal a rondar os 1200 euros.

(Mais informação aqui)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Felipe VI, rei de Espanha

Sem acordo para governo, Espanha pode ir de novo a eleições em novembro

Felipe VI, rei de Espanha

Sem acordo para governo, Espanha pode ir de novo a eleições em novembro

Pedro Amaral Jorge, presidente da APREN
(João Silva/Global Imagens)

APREN. Renováveis contribuem com 15 mil milhões de euros para o PIB

Outros conteúdos GMG
Há estágios pela Europa que pagam mais de mil euros/mês