Investimento

Los Angeles cria She Tank para investir em mulheres empreendedoras

Ardice Farrow, uma das duas empreendedoras que conseguiram financiamento na primeira edição do She Tank, em Los Angeles (Julie Hopkins/Camera Creations)
Ardice Farrow, uma das duas empreendedoras que conseguiram financiamento na primeira edição do She Tank, em Los Angeles (Julie Hopkins/Camera Creations)

Intenção é criar um programa televisivo e levar esta versão do Shark Tank a todo o lado, incluindo Europa

As mulheres que querem começar um negócio têm acesso dificultado a capital: as estimativas apontam para que apenas 5% a 15% dos investimento disponível seja dado a empreendedoras. É para mudar isto que a 360 Karma, uma empresa dedicada a ajudar mulheres empresárias, criou o programa She Tank. É em tudo semelhante ao Shark Tank, que faz sucesso nas televisões mundiais, mas apenas com mulheres de um lado e de outro.

“Estamos a negociar com organizações de mulheres em todo o país para expandir o She Tank”, disse ao Dinheiro Vivo Catherine Gray, presidente da 360 Karma e criadora do programa. A intenção é criar uma série online similar ao Shark Tank e depois colocá-la numa cadeia de televisão, levando as rondas de financiamento a várias cidades americanas. Se tudo correr bem, Catherine Gray tem a ambição de trazer o She Tank para a Europa.

“É um conceito diferente, porque são mulheres a ajudarem mulheres”, explica. “Só conseguimos 5% a 15% do financiamento tradicional disponível e por isso temos de criar o nosso próprio destino”, afirma. “A única maneira de fazermos isso é ter empresárias de sucesso a apostarem em empreendedoras. Mais ninguém nos vai ajudar.”

Nesta primeira edição, houve seis projetos apresentados e dois receberam o financiamento pedido. O painel de investidoras foi muito diverso: a chef Cat Cora, a produtora Nicole Ehrlich, a fundadora da marca de ganga True Religion Kym Gold, a designer e cofundadora da marca Wolgang Puck Barbara Lazaroff, a sócia da Sovo Magazine SenYon Kelly, a presidente da Miliano in Montreal Celia Z. Kahn e a fundadora da Shane’s Inspiration Catherine Curry-Williams. Os montantes pedidos e concedidos foram baixos.

O primeiro projeto financiado foi o de Melissa Scott, que fundou a Beafor para criar equipamento desportivo para mulheres religiosas – por exemplo, uma hijab (que as muçulmanas usam para cobrir os cabelos) com entrada para auscultadores. Scott, que trabalhou no comité olímpico durante vinte anos, recebeu cinco mil dólares para passar à próxima fase. O outro projeto, New Effects Traders, foi criado por Ardice Farrow e é uma marca de malas produzidas no Camboja com restos de redes industriais, que de outra forma iriam para o lixo. A empresa dá treino e emprego a mulheres num país muito pobre e desigual. Recebeu dez mil dólares.

Uma terceira empresa, Get Real Girl, vai receber mentoria e apoio, podendo mais tarde levantar os 100 mil dólares que pediu. É liderada por Shona Gupta e consiste em bonecas alternativas à Barbie, com diferentes raças e cores de pele, vestidas como desportistas. A ideia é inspirar as crianças com bonecas ativas e diversas, complementando com uma plataforma online cheia de histórias e um “passaporte” virtual. “O desporto dá poder às mulheres”, disse Gupta. A empreendedora acredita que a empresa pode valer 200 milhões de dólares rapidamente.

Poder no feminino

A 360 Karma é também a organizadora da conferência “Live, Love, Thrive”, que vai na segunda edição e procura inspirar mulheres a empreenderem e a mudarem de vida. Este ano, teve um painel com mulheres de mais de 80 anos que continuam ativas e envolvidas em vários projetos. Depois, Kathleen Ronald explicou o conceito de “Clutternomics”, ou como é preciso reduzir a tralha e a confusão à nossa volta para criar uma imagem clara da vida que queremos viver. Uma das suas mensagens mais fortes foi esta: “Simplifiquem o vosso sonho.” Ronald usa o principio da Disney – desenhar um círculo com o sonho, outro com um R de realista e outro com C de crítico. A ideia é arranjar uma base de contactos que ajudem a refinar e definir esse sonho.

Outra das apresentações muito aplaudidas foi a de Rhonda Britten, que criou a plataforma FearlessLiving e fala de como usar o medo a nosso favor. “A vossa zona de conforto é a forma como vivem agora. E todas sabemos que zona de conforto não tem nada a ver com ser confortável”, afirmou. O seu conselho é descobrir o que será a zona “esticar” além da zona de conforto, o que será a zona “arriscar” ainda mais para fora e definir o que é a zona “morrer”, algo tão extremo que se prefere morrer a fazer. “Quando se aprender a trabalhar com o medo, ele não já nos controla; nós é que o controlamos”, disse. “Cada decisão que tomamos em direção ao sonho é importante. Podemos mudar toda a nossa vida cinco minutos de cada vez.”

Singrar numa indústria dominada por homens

Carolyn Olavarria é a primeira mulher latina a liderar um concessionário Honda nos Estados Unidos. É diretora geral da Honda Downtown Los Angeles e continua a lutar contra obstáculos num mercado dominado por homens. Mais: veio de Nova Iorque para ajudar o concessionário a sair da crise e em cinco anos transformou-o num dos mais lucrativos do país inteiro, com mais de uma centena de empregados. Recebeu o prémio Trailblazer na conferência “Live, Love, Thrive” e pretende agora ajudar outras mulheres a subirem nesta carreira.

“Muitas vezes as mulheres pensam que não podem fazer algo e quero ser parte da mensagem a dizer-lhes que podem”, diz Olavarria ao Dinheiro Vivo. “Haverá muito medo e mudança, e devem abraçá-los”, aconselha. “Serão mais fortes quando ultrapassarem os obstáculos.”

Olavarria trabalha numa indústria dominada por homens e diz ter os mesmos desafios que outras mulheres enfrentam em casos simulares, desde Wall Street ao entretenimento. “Haverá sempre pessoas que vão odiar o teu sucesso e não vão querer ajudar-te a singrar e tentarão fazer-te cair. Tens de encontrar uma forma de superar esses problemas.”

Quando começou a vender carros, Olavarria enfrentou preconceitos porque os compradores achavam que não sabia nada da indústria. Agora, conta, muitas pessoas pedem vendedoras, e o motivo é simples: as mulheres estão agora a liderar as decisões de compra de carros, 66%, segundo os últimos dados.

A executiva, cuja visão política é conservadora, acredita que a nova onda do feminismo deve focar-se na igualdade no mercado de trabalho. “Em termos de direitos iguais, obviamente que podemos votar, podemos ter um cartão de crédito. Os nossos esforços são mais necessários na luta por igualdade salarial no mesmo emprego e oportunidades de concorrer pelos mesmos cargos que os homens”, considera, “conseguir que o currículo não seja ignorado por ser uma mulher.” Como empresária, Olavarria diz que só olha para a experiência e o que é que a pessoa pode contribuir na hora de contratar alguém. “É aí que o feminismo pode entrar para mudar a narrativa: ser a melhor pessoa para o cargo.”

O perigo, acredita, é que se dê o efeito negativo de só querer contratar mulheres. “Há boas pessoas em todos os lados. É preciso que sejamos neutros em termos de género.”

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