Trabalho

Mais de três quartos dos portugueses querem mudar de emprego

FOTO: Ciano Vetromille / EIA 2019
FOTO: Ciano Vetromille / EIA 2019

Salários e perspetivas de progressão são principais razões para procura de novo trabalho. Mas apenas 35% dos trabalhadores quer sair do país.

Desde 2014 que não havia tantos portugueses a querem mudar de emprego. 78% dos trabalhadores estão à procura de um novo trabalho por causa dos salários e das perspetivas de progressão de carreira, revela o guia do mercado laboral 2020 divulgado na segunda-feira pela consultora Hays. Só que apenas 35% dos empregados admite sair do país para procurar emprego, o número mais baixo desde 2010.

Comecemos pela mudança de emprego. 59% dos inquiridos justificam a procura de emprego com questões salariais, logo seguida pelas perspetivas de progressão da carreira, com 48%. A procura de projetos mais interessantes é o terceiro critério mais valorizado (48%) para mudar de emprego.

São sobretudo os trabalhadores na área de retalho (87% das respostas) que mais procuram uma transição de carreira. Depois, surgem os funcionários afetos à engenharia (82%), apoio ao escritório (81%) e contabilidade e finanças (80%).

O estudo também mostra como trabalhadores e empresas parecem viver em realidades bem diferentes. O salário é um fator valorizado por 86% dos profissionais, enquanto apenas 27% das empresas consideram isso como um ponto forte no recrutamento. Tamanha diferença também se nota no fator do plano de carreira: é valorizado por 64% dos trabalhadores e apenas 14% pelas empresas.

Para 2020, prevê-se que 82% das empresas estejam à procura de novos profissionais, uma percentagem praticamente inalterada face aos últimos anos. Os empregadores procuram sobretudo comerciais e profissionais de tecnologias da informação (30% das respostas), engenheiros (22%), profissionais de marketing e comunicação (14%), logística e supply chain (13%) e financeiros (12%).

Estes profissionais, segundo os trabalhadores, devem ter apetência para trabalhar em equipa (segundo 56% dos inquiridos), competências técnicas (55%), ética/valores (54%), proatividade (53%) e capacidade de trabalhadores (48%). A experiência internacional, a rede de contactos e a diplomacia são os três fatores menos valorizados pelos empregadores.

Emigração em baixa

O estudo da Hays também mostra que a percentagem de portugueses com vontade de trabalhar fora do país está no nível mais baixo desde 2010. Em 2019, apenas 35% dos profissionais querem ir para o estrangeiro. Espanha, Reino Unido, Suíça, Alemanha e Holanda são os países mais desejados. Os trabalhadores que mais querem sair de Portugal estão nas áreas do retalho (metade das respostas), da banca e seguros (44%), ciências da vida (40%) e turismo e lazer (40%).

Quem está fora de Portugal pretende voltar à pátria que os viu nascer, dizem 85% dos inquiridos. E 57% dos querem voltar a casa pretendem fazê-lo nos próximos dois anos. Além da vontade de voltar a viver cá (72% das respostas), também é preciso um pacote salarial atrativo (64%).

Os trabalhadores que não pretendem voltar a Portugal culpam sobretudo os valores salariais inferiores (97% dos inquiridos) e as menores perspetivas de evolução de carreira (82%).

O guia do mercado laboral da consultora Hays foi realizado a partir um inquérito a 3250 trabalhadores e mais de 790 empregadores.

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