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Millennials estão mais céticos relativamente às empresas

Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens
Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

De acordo com o estudo, 43% dos millennials tenciona deixar o seu local de trabalho dentro de dois anos.

Os millennial s e a Geração Z estão, cada vez mais, a privilegiar empresas que contribuam de forma positiva para a sociedade, de acordo com os dados divulgados pelo Millennial Survey 2018, da consultora Deloitte. Embora reconheçam que alguns líderes estão a começar a olhar para as questões sociais, os millennials estão mais céticos em relação à motivação e à ética das empresas. As conclusões são reveladas num estudo que envolveu 10 455 millennials de 36 países e 1 850 jovens da Geração Z de seis países.

Embora as duas últimas edições do estudo revelassem um maior nível de confiança dos millennials em relação à motivação e à ética das empresas, em 2018 há uma inversão radical. A perceção desta geração em relação ao mundo dos negócios atingiu o nível mais baixo dos últimos quatro anos. Hoje, menos de metade dos millennials acredita que as empresas se comportam de forma ética (48% face a 65% em 2017) e que os líderes empresariais estão empenhados em criar um impacto positivo na sociedade (47% face a 62% em 2017).

Tal como foi realçado nas últimas seis edições, os millennials – e agora a Geração Z –acreditam que as empresas têm um papel mais amplo na sociedade e, na sua maioria, consideram que o sucesso do negócio deve ser medido para além do desempenho financeiro.

Os inquiridos acreditam que as prioridades das empresas devem ser a criação de emprego, a inovação, a melhoria das condições de vida e das carreiras dos colaboradores e a criação de um impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. No entanto, quando questionados sobre as prioridades das organizações onde trabalham, revelam que estão focadas em gerar lucro, aumentar a eficiência e produzir ou vender bens e serviços – as três áreas que, para eles, deveriam ter o menor foco. Embora reconheçam que as empresas têm de obter lucro para concretizar as suas prioridades, os millennials acreditam que deve ser feito um maior esforço para equilibrar o desempenho financeiro e as questões sociais.

“Os resultados desta edição do estudo mostram que as alterações sociais, tecnológicas e geopolíticas sentidas no ano passado alteraram a forma como os millennials e a Geração Z veem as empresas e isso deve servir de alerta para os líderes empresariais”, afirma Sérgio do Monte Lee, Partner da Deloitte.

Diversidade, inclusão e flexibilidade são a chave para a retenção

Os níveis de lealdade recuaram para o ponto onde estavam há dois anos. De acordo com o estudo, 43% dos millennials tenciona deixar o seu local de trabalho dentro de dois anos (face 38% em 2017) e apenas 28% espera ficar mais de cinco anos (face 31% em 2017). Entre os millennials que consideram deixar o seu trabalho nos próximos dois anos, 62% considera a “gig economy” como uma alternativa ao emprego a tempo inteiro. A lealdade é ainda menor entre os inquiridos da Geração Z, com 61% a afirmar que tenciona deixar o seu emprego atual dentro de dois anos.

Tanto os millennials como a Geração Z valorizam fatores como a tolerância, inclusão, respeito e diversidade. Do ponto de vista das empresas, a remuneração e a cultura são os fatores que mais atraem estas gerações, no entanto, estas devem focar-se na diversidade, inclusão e flexibilidade, que podem ser a chave para a sua retenção. Os inquiridos que trabalham em empresas com equipas de trabalho diversificadas e geridas por seniores têm uma maior propensão para ficar cinco ou mais anos na mesma empresa. Entre estes, 55% afirma que agora o seu local de trabalho é mais flexível do que há três anos.

Millennials e Geração Z sentem-se pouco preparados para Indústria 4.0

Os millennials e a Geração Z estão bastante conscientes do impacto da Indústria 4.0 no seu trabalho e acreditam que vai libertar as pessoas das atividades mais rotineiras, dando-lhe mais tempo para desenvolver um trabalho mais criativo. No entanto, muitos estão desconfortáveis com a sua chegada: 17% dos millennials inquiridos e 32% dos que estão em empresas que já usam intensivamente estas tecnologias, temem que o seu trabalho seja substituído, em parte ou na totalidade. Além disso, menos de quatro em cada dez millennials e três em cada dez inquiridos da Geração Z sentem que têm as competências necessárias para ter sucesso e esperam que as empresas os ajudem a preparar-se para esta nova era.

De acordo com o estudo, os inquiridos procuram desenvolver competências mais amplas do que o conhecimento técnico. Os jovens profissionais desejam obter ajuda especialmente no desenvolvimento de competências pessoais (soft skills), como a confiança, as relações interpessoais e, particularmente para a Geração Z, a aptidão ética/ integridade. No entanto, na sua opinião, as empresas não estão a responder às suas necessidades de desenvolvimento. Apenas 36% dos millennials e 42% dos inquiridos da Geração Z afirma que os seus empregadores estão a ajudá-los a compreender e prepararem-se para as mudanças associadas à Indústria 4.0.

“As mudanças significativas nos níveis de lealdade são uma oportunidade única para as empresas potenciarem a atração e retenção de talento”, explica Sérgio do Monte Lee, partner da Deloitte. “As empresas devem ouvir o que a geração millennial está a dizer e repensar a forma como abordam a gestão de talento”.

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