Networking. É um disparate desperdiçar a oportunidade de conhecer alguém

Kathryn Minshew
Kathryn Minshew

Quase tudo o que consegui nos últimos dois anos, desde falar na
CNN e ver a minha empresa, a Muse.com, ultrapassar 1,7 milhões de
utilizadores em menos de um ano, teve origem na rede de contactos que
estabeleci e na ajuda que recebi dessa rede vasta, diversificada e
ativa.

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O melhor conselho que posso dar? Diga sempre sim a convites, mesmo
que não perceba bem o que tem a ganhar. Não falo de conversas
longas e inúteis com toda a gente que conhece. Mas muitos dos meus
conhecimentos resultaram de um encontro sobre cuja finalidade eu não
estava certa.

No fundo, trata-se de fazer as ligações certas. Não podemos
assumir que sabemos muito sobre alguém que, na realidade, não
conhecemos. Podemos saber o que faz, em que áreas se move e qual é
o seu cargo, mas desconhecemos se é um perito num dado assunto ou
simplesmente quem essa pessoa conhece.

É impossível passar os dias em reuniões, mas encontrar-se
regularmente com algumas pessoas – que lhe pareça que estão a fazer
algo interessante -, sem um fim determinado, pode trazer benefícios
inesperados. Duas das pessoas que me recomendaram para a lista da
Forbes 30-under-30 eram conhecimentos casuais. E algumas das melhores
parcerias que consegui para o Muse resultaram de encontros com
pessoas que se lembraram de mim.

Claro que, a par desta filosofia, há uma estratégia: se quer
alguma coisa, diga-o a todos aqueles com quem se cruzar. Quando falar
dos seus objetivos e desejos profissionais, seja honesto. Uma dose de
vulnerabilidade faz milagres a transformar uma conversa banal num
encontro significativo. Em janeiro, eu queria desesperadamente uma
parceria com a Yahoo. Durante o mês inteiro, sempre que me
perguntavam “estás boa?”, respondia qualquer coisa como:
“Ótima! Acabo de lançar o YCombinator, que tem sido uma
aventura, e agora estou a tentar uma parceria com a Yahoo.” Das
cem conversas que tive, 97 não deram em nada. Mas três pessoas
reagiram sugerindo que contactasse um conhecido, familiar ou amigo
seu que trabalhava lá e oferecendo-se para me apresentar. Em 30
dias, passei de zero conhecimentos na Yahoo a três apresentações
calorosas. Seis semanas depois, os conteúdos do Muse estavam no
Yahoo! Shine.

Eu não fazia ideia de que aquelas três pessoas podiam ser
determinantes e até podia ter optado por mandar um e-mail aos meus
conhecidos a perguntar se alguém podia ajudar-me, mas pareceria uma
imposição. A estratégia de garantir uma sucessão de encontros e
contar a toda a gente o meu problema mostrou ser a certa.

Ao adotar esta estratégia, assegure-se de que são questões que
podem resolver-se simplesmente tendo acesso a alguém, como
angariações de fundos, e não complicados problemas que precisam de
horas de dedicação, como estratégias de crescimento ou decisões
de produto.

Não sabe como construir uma rede? Apareça. Muito! Pode parecer
simples, mas muita gente, depois de 16 horas de trabalho, tem zero
vontade de socializar com desconhecidos. Comprometa-se a aparecer
pelo menos num evento por semana e vá aumentando a frequência –
para saber onde ir, subscreva newsletters de anúncios destes
acontecimentos.

As pessoas tendem a oferecer oportunidades àqueles de quem se
lembram. Aconteceu milhões de vezes fazer conversas de cinco minutos
com pessoas que frequentam este tipo de encontros e, quando
precisaram de alguém com as minhas capacidades, lembraram-se de mim.
Porquê? Porque me tinham visto na véspera.

As redes de conhecimentos são poderosas e, devidamente
trabalhadas, rodeiam-no de pessoas capazes de lhe dar o empurrão de
que precisa. O sítio certo para as construir são encontros casuais,
como beber um copo depois do trabalho ou fazer um favor a alguém
mesmo que não veja como poderia ajudá-lo. Na altura certa, esses
contactos vão revelar-se muito úteis.

Kathryn Minshew é fundadora e CEO do site de procura de empregoThe Muse

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