Mercado laboral

Nova plataforma quer colocar gestores experientes ao serviço das empresas

António Pires de Lima
António Pires de Lima

A Experienced Management é lançada esta segunda-feira e quer aproveitar a experiência de gestores de topo a partir dos 50 anos para satisfazer necessidades temporárias nas empresas.

São 14 os promotores desta plataforma que se assume como um projeto de “cidadania responsável”. Entre eles está António Pires de Lima, antigo ministro da Economia, António Casanova, presidente da Unilever Espanha, Arlindo Oliveira, presidente do Instituto Superior Técnico ou Estela Barbot, membro do conselho de Administração da REN. A unir estas personalidades da vida económica está a perceção de que em Portugal há muitos gestores de topo cuja experiência não está a ser aproveitada pelas empresas. A Experienced Management, que é lançada esta segunda-feira, nasceu para preencher o que consideram ser uma lacuna no mercado laboral nacional.

O conceito é o interim management , ou seja, a colocação de gestores com carreira feita nas empresas para desenvolver projetos específicos durante um período limitado de tempo. A prática está bastante generalizada nos países anglo-saxónicos, mas não em Portugal. “Há um conjunto enorme de competências de pessoas com mais de 50 anos que estão a ser desperdiçadas. Por outro lado, existe uma necessidade de profissionais de gestão para desempenhar determinadas tarefas nas empresas. Chegámos à conclusão que não havia forma de fazer este matching “, explica Rosário Pinto Correia, professora universitária e vogal do conselho de administração da PHAROL.

A plataforma dirige-se a gestores a partir dos 50 anos que não estão no ativo. “A partir dessa idade há mais pessoas destas fora do mercado de trabalho. Por opção, ou porque lhes aconteceu, não têm emprego permanente”, acrescenta Rosário Pinto Correia, que é a administradora-delegada da empresa.

A crise que atingiu Portugal até recentemente fez disparar o desemprego, e os profissionais mais qualificados não escaparam ao corte de custos nas empresas. “Não foi apenas pelo fator idade, foi preciso aligeirar as estruturas. São pessoas disponíveis com experiência válida”, afirma Rosário Pinto Correia. Mas quantas? “As estimativas são um tiro no escuro, não temos referências, mas existem muitas pessoas em Portugal, apontamos para cerca de 5000 pessoas”.

Como funciona

A adesão faz-se através do site da Experienced Management. Depois da análise do currículo segue-se uma entrevista. “O foco são pessoas com mais experiência, com carreira, as pessoas são escolhidas com critério, o processo de seleção é muito rigoroso”.

As empresas podem precisar destes trabalhadores temporários qualificados em variadas situações: para lançar novos projetos, em processos de reestruturação, em situações de sucessão para acompanhar o novo líder durante um período limitado, ou em casos de ausência temporária de um trabalhador de que a empresa não quer prescindir.

O tempo ideal de colocação é entre três e nove meses. “As pessoas sabem quando entram e sabem quando vão sair. É um mandato”, sublinha Rosário Pinto Correia. Quanto à remuneração, “há sempre um prémio para pagar as características das pessoas”. O contrato é feito entre a Experienced Management, que fica com uma margem, e as empresas.

Para marcar o arranque desta plataforma, a Experienced Management promove esta segunda-feira, às 18 horas, um debate subordinado ao tema “Gestão – A eficácia que decorre da experiência, que contará com a participação dos promotores Arlindo Oliveira, presidente do IST, Carlos Vasconcellos Cruz, presidente da QUANTICO, Fátima Barros, professora universitária e administradora do BPI, Manuel Lopes da Costa, partner da BearingPoint Portugal e Emídio Pinheiro, CEO da Questão Destemida.

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