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O mal que fazem os maus empregos às pessoas

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Impacto do fraco desempenho de trabalhadores que sofrem de stress e ansiedade é cinco vezes maior do que o do absentismo

Acredita-se que o trabalho é uma coisa boa, que contribui para a realização pessoal, financeira e social das pessoas. E que a falta de trabalho por períodos longos prejudica a saúde. Mas a verdade é que o trabalho tanto dá saúde como é causa de problemas psicológicos.

O que fazem os maus empregos às pessoas? Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que os maus trabalhos prejudicam a saúde física e mental. “Em 2017, 4,4% da população global sofria de depressão e 3,6% de ansiedade”, as duas doenças mentais mais comuns no contexto do trabalho, segundo Filipa Palha, presidente da Encontrar+se, uma associação que nasceu em 2016 para formar e intervir na área da saúde mental e que hoje conta com 219 associados. As pessoas com desordens mentais graves estão geralmente fora do mercado de trabalho. Mas a maioria dos que vivem com depressão e ansiedade, por exemplo, estão empregados e em risco de perder o seu posto de trabalho. Para a OCDE, uma em cada cinco pessoas da força de trabalho na Europa tem um problema de saúde mental.

Qual é a origem destas patologias dentro das empresas? “Uma vez que um número significativo das pessoas que adoecem está em idade ativa, é expectável que leve a sua doença para o local de trabalho,” explica Filipa Palha. Mas também há “o stress em que vivemos”, defende.
O stress relacionado com o trabalho acontece quando se é confrontado com pedidos e pressões que estão fora da nossa área de conhecimento. Um inquérito da União Europeia veio mostrar que o stress é uma preocupação em cerca de 80% das empresas na Europa e que apenas 30% têm forma de lidar com ele. Qual é o local ideal para pôr em prática ações de prevenção? O espaço de trabalho, onde as pessoas passam pelo menos um terço do seu tempo de vida.

Há custos para as empresas que ignoram os riscos. Desde logo pela redução da produtividade e pelo absentismo – a falta sistemática de uns leva a que outros sejam sobrecarregados, gerando mais stress e pressão nas equipas. Mas é o baixo desempenho de quem não se sente bem psicologicamente, a que se chama presenteeism (apesar de estar presente fisicamente, o trabalhador está longe nos seus pensamentos e emoções), que causa maiores custos. Há estudos que sugerem que o impacto do fraco desempenho é cinco vezes maior do que os custos do próprio absentismo.

O caso da MDS
Em Portugal, onde temos uma das mais elevadas prevalências de doenças mentais da Europa, Filipa Palha pôs mãos à obra e começou a trabalhar com a MDS, uma consultora de seguros e de risco. Nos escritórios de Lisboa e Porto, orientou sessões de sensibilização, onde o tema da saúde mental foi explorado. “No início sentia bastante resistência, mas com o tempo as pessoas foram descontraindo e todos acabaram por partilhar a sua experiência”, contou a psicóloga.
O problema, para Filipa Palha, é a ideia feita de que ir ao psiquiatra ou ao psicólogo é só para casos muito graves. “Ninguém se sente à vontade para falar de doença mental. Parece uma invasão da privacidade.” Além da MDS, a Encontrar+se está a desenvolver ações na Escola de Medicina da Universidade do Minho e na Sport Zone.

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