O problema de trabalhar com pessoas perfecionistas

Encontre o lugar certo
Encontre o lugar certo

Tem um perfecionista na sua equipa? As boas notícias são que o
seu subordinado direto tem padrões elevados e uma atenção como
poucos para os detalhes. As más notícias são que ele se fixa em
todas as facetas de um projeto e não consegue definir prioridades.
Poderá aproveitar estas qualidades positivas sem favorecer as más?
Poderá ajudá-lo a tornar-se menos rigoroso? Sim e sim. Gerir um
perfecionista poderá ser difícil mas não é impossível. E se for
bem feito, ambos beneficiarão.

O que dizem os Especialistas

Muitas pessoas afirmam ser
perfecionistas porque acham que isso lhes fica bem. Mas o verdadeiro
perfecionismo é mais uma falha do que um bem. “Todas as pessoas
são perfecionistas até certo ponto. É quando isso se torna uma
obsessão que é um problema,” diz Robert Steven Kaplan,
Professor de Prática de Gestão na Harvard Business School e autor
de What to Ask the Person in the Mirror: Critical Questions for
Becoming a More Effective Leader and Reaching Your Potential
. Em
muitos casos, este comportamento compulsivo pode ser a pedra no
sapato de um funcionário excelente. “Acham que são pessoas
fabulosas mas também acho que estão descontroladas,” diz
Thomas J. DeLong, Professor de Prática de Gestão na cátedra Philip
J. Stomberg da Harvard Business School e autor de Flying Without a
Net
. Supervisionar um purista requer paciência e uma abordagem
única. Veja abaixo várias táticas para tirar o máximo partido do
seu enfadonho membro de equipa.

Valorize os aspetos positivos ao mesmo tempo que aponta os
negativos

Trabalhar com perfecionistas pode ser frustrante. Estes
têm tendência para serem impacientes ou hipercríticos com os
outros e não são bons a delegar. “De alguma maneira, acreditam
realmente que ninguém consegue fazer melhor que eles,” afirma
DeLong. E têm dificuldades para alocar adequadamente o seu tempo.
“Focam-se nos últimos 2% excessivamente quando 94% é
suficientemente bom,” explica. Reconheça que embora irritante,
o seu comportamento não é todo negativo. Existem também muitos
pontos positivos. “Não se pode ser um perfecionista sem ter a
cabeça, coração e alma no jogo. Eles estão empenhados no seu
trabalho e na instituição,” diz DeLong. Na realidade, devido à
sua insistência na excelência, elevam muitas vezes os padrões
daqueles que estão à sua volta.

Dê-lhes o trabalho certo

Os perfecionistas não são adequados
para todos os trabalhos. Não lhes dê projetos em que terão
dificuldades para concluir ou cargos que façam com que se
descontrolem. Aceite que poderão não ser bons chefes pois têm
tendência para exigir demasiado do seu pessoal (ver “hipercríticos”
e “maus a delegar” acima). Também não é provável que
tenham sucesso à frente de um negócio grande e complicado. Em
alternativa, encontre cargos em que a sua personalidade meticulosa
seja apreciada. “Coloque-os num lugar na organização com uma
menor diversidade de tarefas,” propõe Kaplan. Todas as empresas
têm funções que exigem uma extrema atenção ao detalhe e possuem
uma esfera de ação relativamente limitada.

Aumentar a autoconsciência

Mesmo no cargo certo, os
perfecionistas podem causar problemas -atrasando o progresso ou
desmoralizando os colegas. Tem de ajudar os seus subordinados diretos
a reconhecerem quando os seus padrões de exigência têm resultados
negativos. “Quando alguém se torna mais auto-consciente, poderá
fazer com que tenha uma perspetiva diferente,” explica DeLong.
Muitos perfecionistas não percebem o que estão a fazer; outros
percebem mas não estão motivados para mudar. “Sabem que não é
bom para eles, mas sentem-se bem a curto prazo,” acrescenta
DeLong. Explique o que está a ver – “Reparei que gosta de
fazer tudo bem” – e depois ajude-os a ver os pontos negativos.
“Ninguém gosta de fazer as coisas só pela rama,” diz
Kaplan. Mas a maior parte do trabalho exige empenho e soluções de
compromisso. Explique que ao definirem prioridades e identificarem o
que é mais importante, podem poupar tempo e esforço. Ele também
sugere explicar como as tendências perfecionistas impedem muitas
vezes as pessoas de receberem avaliações completamente positivas ou
de subirem à chefia. “À medida que se vai tendo mais
experiência, percebe-se que o perfeito não existe,” explica.
Mostre aos seus subordinados diretos que libertarem-se do perfeito é
um passo para alcançarem os seus objetivos.

Oriente, se possível

Nem todos os perfecionistas são
orientáveis mas vale a pena tentar. Primeiro pergunte: “Eles
são suficientemente auto-conscientes para saberem que possuem esta
característica e estão motivados para aprender?” diz Kaplan. É
claro que como todas as pessoas o seu perfecionista não mudará da
noite para o dia. Mas não deixe que o seu comportamento o enerve.
Kaplan diz que precisará de recordar que todas as pessoas têm
pontos fracos e exercitar a paciência. “Por vezes, mostrar que
se preocupa com alguém é suficiente para motivar essa pessoa,”
afirma. Ele também sugere que encontre mentores que sejam eles
próprios perfecionistas reformados e que possam servir como exemplos
a seguir. Se alguém que admiram puder dizer algo como “Eu
também era assim,” é provável que beneficiem mais dos seus
conselhos.

Seja cuidadoso com o feedback

Todos os funcionários precisam
de feedback. Mas os perfecionistas poderão ter mais dificuldades do
que os outros para ouvir críticas sobre o seu trabalho. Não baseie
a conversa nos pontos positivos. Como a crítica é difícil para
eles, os perfecionistas têm tendência para ouvir só os pontos
negativos. Em vez disso, partilhe primeiro aquilo que o preocupa.
DeLong sugere que lhes peça conselhos: “Não sei muito bem como
falar consigo sobre como poderá melhorar o seu desempenho. Que
orientações me daria sobre como dar-lhe feedback?” Com isto em
mente, poderá dar-lhes feedback de uma forma que não os coloque na
defensiva nem os desmotive. “Tenha a esperança e confiança de
que eles reagirão bem,” conclui DeLong.

Princípios a Recordar

Fazer:

– Reconhecer que há aspetos positivos e negativos em ter um
perfecionista na sua equipa

– Explicar o comportamento em que está a reparar para tentar
aumentar a sua autoconsciência

– Ajudar os perfecionistas a ver que o seu comportamento poderá
limitar a sua carreira

Não Fazer:

– Colocar um perfecionista num cargo que seja excessivamente
complexo ou que exija gerir pessoas

– Insistir que os perfecionistas mudem – eles não serão capazes
de o fazer a menos que o queiram

– Ser cuidadoso ao dar feedback – pedir o conselho dos
perfecionistas para a melhor forma de o fazer

Amy Gallo é editora da HBR

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