Imagem profissional

O que conta são os primeiros quatro minutos. Saiba como impressionar

Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens
Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens

Em Portugal, o poder de compra reduzido condiciona a preocupação com a imagem profissional. Mas não deve ser descurada.

Sabia que 90% da opinião de alguém sobre si é formada nos primeiros quatro minutos do encontro? E que perto de 70% do impacto que causa é de natureza não-verbal? Mais: a opinião que formamos a respeito de alguém baseia-se em 55% no aspeto, em 38% na forma como se expressa e em apenas 7% naquilo que diz. Preocupado? Descanse, não há motivo para alarme.

Rita Carvalho dá uma ajuda. Consultora de comunicação e imagem, antiga cronista do Dinheiro Vivo e blogger, estreou-se na escrita de livros no final de 2016, com a publicação de Imagem Profissional, Guia de Estilo, depois de se ter deparado com as muitas questões que, dada a sua ocupação profissional, lhe eram colocadas. Constatou que as dúvidas eram transversais e que não havia, em Portugal, nenhuma obra que lhes desse resposta. Arregaçou as mangas e compilou, em 330 páginas, as respostas às mais frequentes.

Imagem profissional em Portugal

Por cá, o poder de compra reduzido condiciona a preocupação com a imagem profissional, a par das questões culturais. “Vivemos muitos anos numa ditadura, com as fronteiras fechadas. Até aos anos 90, a oferta em termos de marcas e de revistas de moda era muito reduzida. Nos últimos 20 anos assistimos a uma grande mudança”, explicou Rita Carvalho ao Dinheiro Vivo.

O contexto histórico assume relevo quando se fala em moda e imagem. Se no caso português a ditadura exerceu uma influência negativa, em países como a França há uma maior preocupação. Afinal, persiste a herança cultural e de moda de ícones como Marie Antoinette, a rainha que o povo francês não amava, mas que encantava com penteados e vestidos exuberantes que ainda hoje servem de inspiração – estilistas como John Galliano ou Karl Lagerfeld criaram coleções inspiradas na austríaca.

Lisboa ainda está longe das grandes capitais da moda, como Nova Iorque, Paris ou Milão, em que a grande oferta de marcas e criadores afeta a forma como as pessoas de apresentam, conta a especialista, que considera, ainda assim, que os portugueses estão a fazer um bom caminho para a melhoria da sua imagem profissional.

A internet, ao democratizar o acesso à informação e ao possibilitar as compras online, também ajudou. De acordo com a consultora de imagem, as viagens determinavam as escolhas de vestuário. “Hoje, as pessoas já não se distinguem pelo facto de viajarem ou não, mas por terem, ou não, interesse”, explica.

O surgimento de outlets e de marcas com preços “muito acessíveis” também contribuiu para que os portugueses, tendo em conta o reduzido poder de compra, conseguissem apostar na imagem. As ideias de que uma boa imagem implica um grande investimento ou de que é importante ter peças de marca para causar uma boa impressão são, aliás, dois dos mitos desconstruídos pela autora nesta obra. Até para os casos mais extremos há solução: a associação sem fins lucrativos Dress for Success, que apoia mulheres com poucos recursos a alcançar o sucesso profissional e pessoal, também através do vestuário.

Leia também: Veja como rentabilizar o seu guarda-roupa profissional

O que devo usar num determinado contexto?

Esta é a questão que, de acordo com Rita Carvalho, mais intriga os portugueses. Há vários aspetos a ter em conta. Um deles é o grau de formalidade da empresa. A especialista destaca as três categorias mais comuns e que devem servir de orientação a quem não sabe o que vestir para ir trabalhar.

A primeira, business formal, usual em “bancos, instituições financeiras ou governamentais, consultoras com clientes corporativos e escritórios de advocacia”. Rita Carvalho aconselha, para as mulheres, fatos clássicos de duas peças, de tons neutros, lisos ou com padrões discretos, ou, em alternativa, um blazer com camisa ou blusa e calças ou saias, ambas de corte clássico.

A consultora aconselha a escolha de peças estruturadas e, no caso dos vestidos ou das saias, com um comprimento que permita “que possa sentar-se confortavelmente em público”. Em termos de acessórios, poucos, mas de boa qualidade e, no que respeita ao calçado, são indicados os modelos fechados e de salto médio. Para os homens, Rita Carvalho aconselha o típico fato completo com gravata, de cores escuras ou padrões discretos, As camisas devem ser de manga comprida, brancas ou de cores claras, lisas ou com riscas finas e os sapatos pretos ou castanhos de pele.

Na categoria business casual ou semi-formal, usado em “escritórios, ambientes mais descontraídos ou áreas profissionais que não estão em permanente contacto com os clientes e o público, como é o caso da comunicação, relações públicas, marketing, gestão e farmacêuticas”. Nestes ambientes, são aconselhados os blazers, casacos de pele natural ou sintética, blusões, casacos de tweed ou de malha. Os vestidos podem ser lisos ou estampados e são permitidas das cores vivas em blusas e acessórios que, neste caso, podem ser mais variados. Rita Carvalho aconselha joias, bijuteria ou lenços. Em termos de calçado, é mais alargado o leque de opções: além dos já mencionados, são permitidas sabrinas e calçado aberto. Os homens podem dispensar o fato e a gravata e optar por blazers de lã ou tweed e as camisas polo, no verão.

A última categoria, business informal, não deixa de ter regras próprias, apesar de ser de todas a mais descontraída. É usada pelos profissionais de áreas como o marketing, a publicidade, o design, a moda, a comunicação, o ensino ou as vendas, entre outras, incluindo as que não implicam contacto direto com o público. A consultora aconselha peças de materiais mais informais e blusas de alças largas, sem mangas ou com mangas curtas e folhos. São indicados os vestidos e saias de comprimento médio ou longo, calções pelo joelho e até jeans, desde que de modelos tradicionais, de corte a direito ou ligeiramente afunilado e sem lavagens ou rasgões. Os homens têm liberdade para usar blusões de pele, camurça ou algodão, casacos e camisolas de malha, t-shirts lisas ou com imagens apropriadas e também jeans escuros, bem como calças de sarja e chinos.

Para Rita Carvalho, o mais importante é ter bom senso e ter em conta dois pontos-chave: o contexto profissional e as características físicas, como a altura, o peso e o formato do corpo. O importante é projetar uma imagem positiva, porque queiramos ou não, “somos sempre avaliados”. Para quem considera a imagem um aspeto secundário, a consultora lembra que “há muitos bons profissionais que descuram a imagem e que podem [por essa razão] ter impedimentos de progressão profissional”. De resto, há conselhos para grávidas, para quem usa óculos, sobre cores, para entrevistas de emprego e para quem se prepara para uma apresentação em público.

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