O que mantém os CEO acordados à noite?

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Os CEO têm muito com que se preocupar, mas quais são realmente as suas inquietações? O que os mantém acordados à noite? Entrevistámos 24 CEO em 2013 e pedimos-lhe que nomeassem os maiores desafios que enfrentam as suas organizações. As suas preocupações caíram em três categorias: talento, operar num mercado global, e regulamentação e legislação. Dado que os CEO colocaram o tom e as prioridades para as suas organizações, é importante perceber o que eles interpretaram como sendo os seus desafios e oportunidades.

Gestão de talento

Os assuntos relacionados com talento estavam no topo das suas inquietações, mencionados por mais de 16 CEO”s. Eles tinham uma gama de preocupações, que começavam por encontrar as pessoas certas. Isto era especialmente premente em períodos de mudança ou de crescimento nos quais as empresas precisavam de contratar um maior número de colaboradores. Randall Stephenson da AT&T explicou, «Tínhamos 270.000 colaboradores que contratámos à volta do globo. A maior parte dessas pessoas estava a construir ou a instalar infraestruturas hi-tech e instalações em lares que de repente eram bem mais complexas que aquilo que haviam sido até então. Tínhamos contratado uma série de pessoas, mas encontrar pessoas boas, tecnicamente competentes para preencher as vagas veio a provar-se muito difícil.»

Quando as empresas contratam novos talentos, novos desafios surgem, tais como, a forma como estes novos colaboradores estão a representar a empresa. Enrique Santancana da ABB North America, uma firma de energia e automação, conta que «um assunto abrangente era a exposição que tínhamos como empresa», Santacana explica: “Por exemplo, como estava a ser ou iria ser usada a informação por forma a não conduzir a boas práticas empresariais. Tendo 150.000 colaboradores espalhados pelo mundo significa que iríamos ter uma maçã podre, de vez em quando, e teremos problemas. A velocidade a que esses problemas ocorrem foi exponencialmente aumentada devido à facilidade de comunicação através de social media.»

Os CEO também se preocupavam sobre se estavam a desenvolver as potencialidades dos seus mais destacados colaboradores. Para Woods Staton da Arcos Dorados, o maior operador de restaurantes MacDonald”s na América Latina. «o maior desafio era termos a certeza de que tínhamos a pipeline indicada com as pessoas competentes, assegurando-nos que o que nos tinha tornado bem sucedidos até esse momento no nosso grupo de pessoas estava a ser reproduzido até ao fim da cadeia.»

Operar num mercado global

Oito CEO apontaram os desafios em operar num mercado global em constante mudança. Para Paul da Merisant – um fabricante americano de adoçantes artificiais – um dos problemas era a cotação das moedas. «Tivemos problemas de cambio, porque as economias globais estavam de alguma forma voláteis. Portanto, tinha o cambio a subir e a descer e atravessámos várias moedas, porque vendíamos para mais de 90 países e fabricávamos em mais de cinco ou seis países. A moeda teve mesmo um enorme efeito.»

Alguns CEO preocupavam-se em aplicar uma direção e um tom para a empresa através das várias regiões. «Diria que um dos maiores desafios que enfrentamos seria termos a certeza que a organização se mantinha bastante focada, tendo em conta as tendências que estavam a moldar o mundo e daquilo que precisávamos organizacionalmente para vencer a longo prazo», afirmou Jim Turley da empresa financeira Ernst & Young. «Era muito acerca das mudanças de capital e das mudanças demográficas que estavam a ter lugar no mundo. Queríamos manter esses dois fatores na linha da frente do nosso pensamento, conduzindo a nossa estratégia e execução. Isso foi algo em que passei muito tempo a pensar.»

Outro desafio era estabelecer e manter uma cultura empresarial consistente através das várias regiões. Tim Solso, da fabricante de motores Cummins, falou por muitos CEO quando disse, «Penso que uma das questões que tinha era sermos uma multinacional sediada nos Estados Unidos. Ainda não éramos uma empresa global. Como conseguíamos ter a certeza que as nossas politicas e processos refletiam o mundo em que vivíamos, não apenas onde estávamos sediados?»

Regulamentação e Legislação

Finalmente, cinco CEO citaram os desafios de liderar uma empresa a meio de um processo mudança de regulamentação na legislação. Por exemplo, David Thodey da empresa de telecomunicações australiana Telstra explicou, que a indústria das telecomunicações é bastante regulada no mundo inteiro e tínhamos estado em processo de negociação com o governo australiano. O governo ia disponibilizar 11 mil milhões de dólares para migrar os consumidores da rede de cobre para a rede de fibra ótica num período de sete a oitos anos. Víamos uma enorme mudança na forma como deveríamos agir, e comportar-nos, e como deveríamos retirar o custo do negocio.»

Mudança de regulamentos, largamente devido à aprovação da lei de saúde nacional do Presidente Barack Obama, provou vir a ser particularmente vexatório para os responsáveis da industria da saúde nos Estados Unidos. Ken Frazier da empresa farmacêutica Merck expôs a questão desta forma: «Os maiores desafios que enfrentamos na nossa organização estavam relacionados com o facto de que o sistema de saúde em geral estava a sofrer enormes, enormes mudanças fundamentais. Como empresa farmacêutica, nós obviamente fazíamos parte de todo esse ecossistema. Muitas das formas de criar valor nesta industria já não eram agora viáveis como costumavam ser. O maior desafio que enfrentamos como organização foi a mudança.»

Ângela Brady da empresa de prestação de cuidados de saúde WellPoint falou sobre como a reforma do sistema de saúde estava a alterar o foco do seu negocio: «Estamos mesmo a trabalhar para nos transformarmos como organização e para ajudarmos na transformação do sistema de saúde nos Estados Unidos de um sistema que até então tinha sido business-to-business. A maior parte dos nossos consumidores eram empregadores, e existiu uma enorme transição que já antecipávamos de certa forma resultante da reforma do sistema de saúde, mas pensamos que a nossa força motriz de qualquer maneira, devia ser em sermos uma empresa focada nos consumidores.»

A mudança é inevitável, portanto os CEO têm que estar talhados para enfrentarem uma série ampla de mudanças, quer seja manter claras as prioridades internacionalmente ou assegurando-se que os colaboradores têm todo o apoiam que necessitam.

Como líder na sua organização o que lhe tira o sono à noite?

(Boria Groysberg é professor de gestão de empresas na Harvard Business School e o co autor, com Michael Slind, de Talk, Inc. Katherine Connolly é assistente de pesquisa na unidade de comportamento organizacional na HBS)

Traduzido por Rita Fazenda

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