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“O ser humano é melhor do que as máquinas”

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Há 20 anos em Portugal, Raul de Orofino considera que é preciso “humanizar as relações nas empresas”.

Foi a morte da mãe que o trouxe a Portugal. “O meu terapeuta aconselhou-me a levar o meu pai, que é italiano, a Itália, visitar a nossa família, para aliviar a dor dele. Nessa altura, preparei-me para trabalhar em Itália e o meu pai sugeriu também Portugal, uma vez que a língua comum seria facilitadora”, conta o brasileiro Raul de Orofino, ator e especialista em comunicação emocional e relacional.
Assim que chegou a Lisboa, faz neste ano duas décadas, enviou o currículo para 30 empresas. “Por fax, naquela época. Três empresas pediram-me orçamento e uma contratou-me – o Hotel Sofitel Lisboa. Estávamos em 1999″.

No hotel, “os diretores nunca viam as empregadas de limpeza, porque elas trabalhavam nos andares e nos quartos do hotel. Elas também desconheciam quem eram os diretores e, sem saberem, sentaram-se ao lado deles. Esta proximidade fez com que dividissem a cumplicidade dos risos. De acordo com a diretora de recursos humanos, ela necessitaria de dar horas de formação para que eles tivessem a espontaneidade de se rirem entre eles e criarem uma proximidade que aconteceu numa hora e meia”, recorda o ator.

Durante três anos viveu entre Portugal e o Brasil, até que a procura em Portugal o fixou definitivamente em terras lusas. “Foram as próprias empresas que me fizeram vir viver para cá.”

Em 20 anos, os espetáculos-empresa e os workshops de Raul de Orofino mudaram. “Antigamente fazia quatro histórias e uma palestra, porque as pessoas tinham mais paciência para escutar. Porque não existia Whats-App, Facebook… a vida virtual fez com que a informação ficasse toda mais rápida, tive de me adaptar a isso. Mas, ao mesmo tempo, o conteúdo teve de ficar mais forte, mais conciso.”

O Engenheiro Faxineiro e o Homem do Feicebuque são algumas das personagens que o ator interpreta nos seus espetáculos. A sua missão, diz, é “humanizar as relações das pessoas nas empresas”. “Com o avanço tecnológico e a vinda forte da inteligência artificial, será o momento em que o ser humano terá de reaprender a ter meios para fortalecer as relações profissionais, seja nas chefias, nas equipas ou nas vendas. Atualmente, já damos muito mais prioridade às conversas virtuais do que falarmos olhos nos olhos, e isso reflete-se na produtividade das empresas. Vamos ter mesmo de reaprender a falar uns com os outros e a sermos mais humanos. Atrevo-me a dizer que o ser humano é melhor que as máquinas.”

Empresários e gestores têm de perceber que “as pessoas são o ativo mais importante numa empresa”, considera Orofino. “Um ser humano mais forte e equilibrado emocionalmente é mais capaz de liderar, vender e trabalhar melhor em equipa. E é claro que isso reflete-se diretamente na produtividade.”
O ator, que também trabalha em Espanha, Itália, Cabo Verde e Angola, prepara-se agora para entrar no mercado francês.

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