Harvard Business Review

Odeia o seu emprego? Mude-o!

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Por vezes, temos a perfeita sensação de estar num emprego que não é adequado para nós. Talvez estejamos na área errada ou não gostemos das tarefas, nos sintamos rodeados por colegas em que não podemos confiar ou o chefe seja incompetente.

Somos aconselhados a arranjar um emprego melhor, mas sabemos que isso nem sempre é possível, seja por vivermos numa economia em dificuldades, por termos compromissos familiares ou existirem oportunidades limitadas na nossa área. Nesse caso, que poderemos fazer enquanto estamos retidos no emprego errado?

O que dizem os especialistas

De acordo com Gretchen Spreitzer, professora de Gestão e Organizações na Universidade de Michigan e coautora de “Creating Sustainable Performance”, as pessoas sentem-se altamente insatisfeitas quando o seu trabalho não tem sentido ou objetivo, lhes dá poucas oportunidades de aprendizagem ou as deixa exaustas ao fim do dia.

Seja qual for a razão pela qual está infeliz, não tem de, simplesmente, viver com isso ou despedir-se. De facto, mesmo que seja capaz de arranjar outro emprego, manter-se no que tem poderá ser a melhor opção. “Procurar emprego e mudar de trabalho não são assuntos triviais. Normalmente perde-se impulso na carreira e também há custos económicos, mais do que benefícios”, diz Amy Wrzesniewski, professora associada de Comportamento Organizacional na Escola de Gestão de Yale e coautora de “Turn the Job You Have into the Job You Want”. A boa notícia é que existe, geralmente, mais margem para alterar o seu emprego do que julga. “Existem muitas vezes áreas reais para o movimento e a mudança, que as pessoas tendem a não reconhecer”, afirma. Eis como tirar o máximo partido de uma situação de emprego imperfeito.

Olhe para si mesmo

Estar ou não satisfeito com o seu emprego, tem muitas vezes a ver com a sua disposição, diz Sigal Barsade, professora de Gestão na Wharton School. Algumas pessoas têm uma inclinação natural para serem infelizes, enquanto outras veem a vida de uma maneira mais positiva. Antes de declarar que o seu emprego não é apropriado, olhe bem para si mesmo. Barsade afirma que vale a pena perguntar: serei o género de pessoa que tem tendência para estar insatisfeita? Compreender isto talvez não o faça gostar mais do seu emprego, mas pode fazê-lo pensar duas vezes antes de procurar outro.

Encontrar significado

A pesquisa de Speitzer mostra que encontrar mais significado pode melhorar muito a sua satisfação no trabalho. Barsade concorda; recomenda que olhe para as suas responsabilidades profissionais com lentes diferentes. Por exemplo, se a sua função envolve tarefas insignificantes, tente lembrar-se de que estas são degraus para um objetivo a mais longo prazo e que não terá de as desempenhar para sempre. Caso trabalhe numa área emocionalmente custosa, como a enfermagem ou a assistência social, lembre-se que, embora se sinta cansado ao fim do dia, está a ajudar outros. Estabelecer relações com os colegas também pode ajudar. Procure oportunidades de mostrar compaixão e exprimir gratidão. Passe algum tempo com colegas de que goste. “Ligações emocionais fortes no trabalho conduzem a uma série de efeitos sociais e psicológicos benéficos”, diz Barsade.

Altere aquilo que faz

Se não é capaz de mudar a sua perspetiva, talvez possa mudar as suas responsabilidades no trabalho. E não tem necessariamente de mudar de departamento ou ser promovido para que isso aconteça. Spreitzer e Wrzesniewski sugerem a utilização de um exercício para redesenhar o seu trabalho de maneira a que se adeque melhor às suas motivações, pontos fortes e paixões. “Algumas pessoas realizam mudanças radicais; outras fazem pequenas mudanças nas suas maneiras de delegar ou organizar o dia”, diz Wrzesniewski. Enquanto as primeiras muitas vezes exigem a aprovação do seu chefe, o mesmo não se passa, em geral, com as segundas. Por exemplo, se a tarefa que lhe agrada mais é falar com clientes mas se sente atolado em papéis, pode decidir falar com os clientes de manhã, obtendo assim energia para enfrentar o resto do dia. Ou pode guardar as conversas com os clientes para o fim do dia, como uma recompensa.

Mude as pessoas com quem interage

Se não é do trabalho que não gosta, mas sim das pessoas com quem trabalha, talvez também consiga modificar isso. Wrzesniewski afirma ter visto pessoas alterarem com êxito as suas interações diárias, aumentando assim a satisfação no trabalho. Concentre-se em forjar relações que lhe deem energia, em vez de lha extraírem. Procure pessoas que possam ajudá-lo a fazer melhor o seu trabalho. Wrzesniewski dá o exemplo de funcionários num hospital que eram responsáveis pela limpeza dos quartos dos doentes. Havia um serviço central que lhes dizia quando os quartos estavam abertos e que produtos era seguro usar, de acordo com o ocupante. Esse serviço, porém, nem sempre dispunha da informação mais atualizada. Isso significava que os funcionários nem sempre podiam realizar o seu trabalho tão bem quanto pretendiam, o que os deixava insatisfeitos. Quando desenvolveram relações com os funcionários de cada enfermaria, começaram a receber informação mais exata e conseguiram prestar um serviço de limpeza mais eficiente. Claro que, se o seu relacionamento com o patrão ou os colegas for difícil, poderá não ser capaz de trabalhar com eles. “Redesenhar o posto de trabalho não pode alterar completamente todas as situações. Não é a cura para tudo”, diz Wrzesniewski.

Artigo originalmente publicado em fevereiro de 2013

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